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A Biografia da Personalidade Segundo Alice Bailey: do Instrumento ao Habitante, do Habitante ao Instrumento

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A Biografia da Personalidade Segundo Alice Bailey: do Instrumento ao Habitante, do Habitante ao Instrumento

Introdução

Toda personalidade tem uma história, e Alice Bailey a conta como se conta uma vida.

Em Esoteric Healing, ela escreve que “a vida de uma personalidade se divide nos seguintes estágios”, e os enumera: uma lenta construção, um longo período de domínio, uma guerra interior e, por fim, uma morte que nada destrói.

A mesma passagem faz ao leitor uma pergunta que muda o tamanho do tema:

“Já lhe ocorreu que o aspecto principal da morte com que um ser humano está, em última instância, envolvido é a morte da personalidade?”

O que se segue é essa biografia.

A personalidade nasce de uma fusão, aprende a dizer “eu”, cresce até se tornar poderosa, encontra o seu limite diante da alma e descobre, no fim, que o seu destino mais alto é servir.

Bailey a descreve sem desprezo e sem idolatria.

Ela a chama, ao mesmo tempo, de Habitante do Umbral e de instrumento da alma, e o percurso entre um nome e outro é o tema deste artigo.

O Que É uma Personalidade

A definição mais precisa está em Esoteric Psychology, Volume II:

“A personalidade é a fusão de três forças principais e a sua sujeição (finalmente e depois da fusão) ao impacto da energia da alma.”

As três forças são a mente, o sentimento e a vida, e Bailey as descreve como energias, não como coisas.

Em A Treatise on White Magic, a definição ganha uma imagem:

“Uma personalidade é, portanto, uma mistura de energia mental, de energia emocional e de força vital, e estas três são mascaradas, ocultadas ou reveladas (notem esta terminologia) por uma casca exterior ou forma de matéria física densa.”

Mascaradas, ocultadas ou reveladas.

A mesma personalidade pode esconder ou mostrar o que vive dentro dela, e é isso que a sua biografia vai decidir.

Em The Rays and the Initiations, Bailey acrescenta o que dá unidade a essa mistura:

“Uma personalidade é um agregado de formas e de vidas substanciais que, quando fundidas e misturadas, apresentam uma soma total unificada, animada pelo desejo ou pela aspiração, pelo plano ou pelo propósito, e funcionando no seu lugar sob a inspiração de um programa interior autoiniciado.”

Cada um dos corpos que compõem essa soma já tem, nesta biblioteca, artigo próprio:

o físico,

o etérico,

o astral e

o mental.

Aqui interessa o que acontece quando eles deixam de ser três e passam a funcionar como um.

E interessa a natureza das vidas que os habitam, que Bailey chama de elementais ou senhores lunares:

“Estes, em sua totalidade tríplice, formam a personalidade.

Eles são da própria criação do homem, e formam a base do problema que ele, como alma, tem sempre de enfrentar até que a libertação final seja alcançada.”

Duas frases completam o retrato.

Em A Treatise on Cosmic Fire, “a personalidade é a expressão do Ego”, isto é, da alma.

E em Esoteric Astrology, essa expressão aparece com a sua imperfeição à vista:

a personalidade é “um reflexo distorcido da alma”.

Expressão e distorção: as duas coisas são verdadeiras, e a biografia inteira é o caminho de uma até a outra desaparecer.

Antes de Ser Alguém

A primeira surpresa da biografia é que ela começa muito antes de haver uma personalidade.

“Por muitos ciclos de encarnações, um homem não é uma personalidade.

Ele é apenas um membro da massa.”

E Bailey insiste no ponto com uma franqueza que desarma:

“a maioria das pessoas não são personalidades, por mais facilmente que falem de suas personalidades.”

Nesse longo período, a alma quase não participa.

Bailey descreve o seu estado de espírito como “um completo desinteresse durante os estágios iniciais do ciclo de encarnação”, enquanto o seu “aspecto incrustado” cuida da tarefa lenta e tediosa de desenvolver os corpos e de “comprar a amarga experiência da cegueira e da ignorância.”

O único sinal da alma, nesse tempo, é o que se chama de “voz da consciência”.

O ponto de partida tem nome:

o “Toque de Apropriação”, o momento remoto em que a forma “se torna consciente pela primeira vez do toque da alma” e a alma “se apropria do seu veículo”.

Uma antiga estrofe citada em Esoteric Psychology, Volume II, descreve a chegada dos senhores lunares da mente e termina com uma frase que serve de epígrafe a toda a história:

“Começou então a jornada atribulada do homem.”

A humanidade, como um todo, viveu esse percurso em camadas.

Nos tempos lemurianos, diz Bailey, ela integrou o corpo etérico ao físico;

nos atlantes, acrescentou a natureza astral, e “o homem psíquico passou a existir”;

hoje, ela está ocupada em acrescentar a mente.

Durante boa parte dessa caminhada, o astral e o mental funcionam como um só corpo de desejo e pensamento misturados, a fase que o artigo desta biblioteca sobre kama-manas descreve em detalhe.

O Nascimento: a Integração

Chega então o dia em que os três corpos passam a funcionar juntos, e Bailey o trata como um marco: o homem “integra os seus vários corpos com seus diferentes estados de consciência numa realidade ativa.

Ele é então definitivamente uma personalidade e passou por um marco importante no Caminho de Retorno.

Este é o primeiro grande passo.”

É também o momento em que o raio da personalidade aparece.

Em Esoteric Psychology, Volume I, Bailey explica que, quando os três corpos se alinham e funcionam em uníssono, isso produz “uma encarnação e encarnações em que o raio da personalidade emerge claramente”.

Um tom próprio surge da soma dos três.

A integração, porém, não tem moral.

Esta é uma das advertências mais firmes de toda a biografia:

“A integração da mente, da natureza emocional e do cérebro é a característica principal de todos os seres humanos avançados, os maus, os muito maus, os bons e os muito bons. Ela não é, entretanto, sinal de vida espiritual, e frequentemente é bem o contrário.”

Bailey dá o exemplo extremo de “um ‘Hitler’ ou uma pessoa ambiciosa de vida profundamente egoísta ou cruelmente dirigida”:

é uma personalidade, “com todos os poderes da sua mente dedicados a propósitos malignos”.

A diferença entre as duas integrações está no motivo.

A personalidade egoísta e material também se integra, e também precisa dar algo ao mundo para obter o que quer, mas “o seu motivo, sendo puramente egoísta e material no objetivo, só pode levá-lo até certa distância no caminho da integração superior.”

O homem espiritualmente orientado integra-se da mesma forma, “mas o foco da sua atividade é contribuição, não aquisição”.

Bailey é cuidadosa também com quem tem pressa.

Ela lembra que muitos já “reivindicaram os direitos do discipulado e os poderes da iniciação antes mesmo de se tornarem pessoas integradas.

Isso levou ao desastre”.

E em From Intellect to Intuition, cita um pensador que ela endossa:

“chegará o tempo, para todos nós, em que operaremos a partir do escritório do Ego, em vez da personalidade, mas uma fina integridade da personalidade deve ser estabelecida antes que possamos carregar o poder.”

A Idade de Ouro do Eu

Integrada, a personalidade entra no período mais longo da sua vida, e Bailey o descreve sem rodeios:

é “a fase de uma vida de personalidade dominante e agressiva, basicamente condicionada pelo seu tipo de raio, egoísta por natureza e muito individualista.”

A personalidade é então, nas palavras de Esoteric Psychology, Volume II, “arrastada pelo poder da sua própria vida de personalidade, dominante e integrada.”

A alma, até então desinteressada, começa a reagir, e a primeira reação é curiosa.

“A primeira reação é irritação.

A irritação oculta não é mau humor, como os seres humanos a expressam, mas resposta ao contato, uma resposta que não agrada. Em outras palavras, é atrito.”

Bailey tira daí uma lição que vale para qualquer vida:

“o último grilhão que o Mestre lança fora é a irritação.”

A alma responde depois com mais força, e o efeito é paradoxal.

Ela traz a energia do seu raio para o contato direto com o raio da personalidade, e o resultado imediato é que “a vida da personalidade se torna cada vez mais potente e o homem se torna um indivíduo intenso.”

E Bailey acrescenta:

“A vontade própria cresce, assim como todas as qualidades.”

A alma, para se fazer ouvir, primeiro fortalece aquilo que um dia terá de servi-la.

O retrato mais cru dessa fase está na descrição do primeiro raio.

As personalidades integradas desse tipo, escreve Bailey, são “frequentemente implacáveis no início, egoístas, ambiciosas, centradas em si mesmas, cruéis, focadas num único ponto, implacáveis”.

Nada disso é condenado como definitivo.

A ambição, observa ela em outro capítulo, “é, em última análise, apenas o impulso da personalidade em direção à melhoria, e no seu lugar e tempo certos é um bem divino”, que deve ser arrancado só “quando a personalidade se torna o instrumento da alma.”

A felicidade é a meta natural desse período.

Em A Treatise on White Magic, Bailey a descreve com precisão:

ela vem quando a personalidade encontra condições que a satisfazem, um bem-estar físico, um contentamento com o ambiente, uma satisfação mental.

“A felicidade é a meta do eu separado.”

O Raio da Personalidade

A personalidade tem um raio próprio, e ele raramente coincide com o da alma.

A introdução aos sete raios já foi feita em artigo próprio desta biblioteca;

aqui importa a relação entre os dois.

A primeira coisa que Bailey estabelece é que essa relação tem uma ordem:

“o raio da personalidade é sempre um sub-raio do raio egóico”.

O tom da personalidade é uma variação do tom da alma, e não um som estranho a ele.

O raio da personalidade é também o mais visível.

“O raio da personalidade é facilmente determinado, mas muitas vezes não há indicação quanto ao raio da alma.”

E ele pode mudar: em Letters on Occult Meditation, Bailey explica que ele “varia com maior frequência do que o raio egóico”, e que nos egos mais evoluídos “pode variar de vida para vida, cada vida sendo baseada numa nota diferente e demonstrando uma cor diferente.”

A sua tendência natural é a separação.

Em Esoteric Psychology, Volume I, Bailey resume:

“o raio da personalidade induz uma atitude separativa e causa um desapego do grupo de almas do qual a personalidade é uma exteriorização, e um apego constituinte ao lado formal da manifestação.”

E adverte contra uma confusão comum entre os que servem:

muitos julgam que o seu raio da alma é de determinado tipo, “quando é apenas ao seu raio da personalidade que eles predominantemente se conformam”.

O Habitante do Umbral

A biografia muda de tom quando a personalidade começa a olhar para cima.

Em Glamour, a World Problem, Bailey diz com todas as letras o que é o Habitante do Umbral:

ele “é essencialmente a personalidade;

é uma unidade integrada composta de forças físicas, energia vital, forças astrais e energias mentais, constituindo a soma total da natureza inferior.”

E diz quando ele aparece:

“O Habitante toma forma quando uma reorientação da vida do homem aconteceu conscientemente e sob a impressão da alma”.

Antes disso, “por um grande período de tempo, as forças da personalidade não constituem um Habitante.

O homem não está no umbral da divindade;

não está conscientemente ciente do Anjo.”

A sombra só ganha forma quando há luz suficiente para projetá-la.

O artigo desta biblioteca sobre os Anjos Solares conta esse encontro do lado do Anjo.

Do lado da personalidade, Bailey descreve três estágios.

No primeiro, “a personalidade domina e governa a vida”, e “o Habitante então controla”.

No segundo, há uma cisão crescente:

o Habitante é puxado em duas direções, para as ambições pessoais e para o esforço, feito por ele mesmo (“notem esta afirmação”), de “tomar posição no umbral da divindade e diante do Portal da Iniciação”.

No terceiro, “o Habitante busca conscientemente a cooperação da alma” e, embora ainda seja uma barreira, “é cada vez mais influenciado pela alma do que pela sua natureza inferior.”

Bailey recusa a imagem do monstro.

“O Habitante do Umbral é frequentemente visto como um desastre, como um horror a ser evitado e como um mal final e culminante.

Eu lembraria aqui, no entanto, que o Habitante é ‘aquele que está diante da porta de Deus'”.

A personalidade que se tornou Habitante é a mesma que chegou até a porta.

A Crise

Entre o domínio da personalidade e o domínio da alma há uma guerra, e Bailey não a suaviza.

É “uma fase de transição em que um conflito se trava entre a personalidade e a alma”, e “a guerra está declarada entre dois aspectos focalizados de energia.”

A imagem que ela usa é a do Bhagavad Gita:

Arjuna “está ‘no ponto intermediário’ no campo de Kurukshetra, entre as duas forças opostas, e, por causa da fumaça da batalha, se vê incapaz de enxergar claramente.”

Nesse período, a vida se acelera.

“Acontecimentos e circunstâncias se acumulam depressa e furiosamente na experiência do discípulo”;

ele salda as suas dívidas kármicas e paga as penas de erros passados “com grande rapidez”.

O que se pede dele é uma atitude que Bailey chama de aquiescência, e ela a protege de um mal-entendido:

“Isto não é uma submissão negativa e fraca, ou uma triste e doce aceitação, assim chamada, da vontade de Deus, mas uma assunção positiva e dinâmica de uma certa posição ou atitude no campo de batalha da vida.”

O risco dessa fase tem nome.

Muitos discípulos bem-intencionados caem aqui:

em vez de se firmarem no caminho do meio, “caem nas ilusões da autopiedade”.

Tentam então mudar o tema das suas vidas, e esquecem que esse tema é a encarnação da Palavra da sua alma.

“Ficam tão ocupados com o tema que se esquecem do compositor do tema.”

Há uma passagem dessa crise que todo terapeuta deveria conhecer.

Bailey descreve o momento em que o aspirante já não encontra satisfação nas coisas familiares e ainda não sente o chamado da alma, e fica “insatisfeito e com um senso crescente de futilidade e vazio”.

E observa como essa condição costuma ser tratada:

“Em vez de tratar a dificuldade como um sinal de progresso e como indicação de um ponto relativamente alto na escala evolutiva, e portanto como razão para encorajamento, ela é tratada como uma doença da mente e da personalidade.”

O que se tenta, então, é eliminar a dificuldade em vez de resolvê-la, “e embora a personalidade possa ser temporariamente aliviada, o trabalho da alma é, para aquele ciclo de vida específico, interrompido”.

Quando a crise se resolve, vem a luz, e a primeira coisa que a luz mostra é desconfortável:

“uma visão, antes de tudo, dos defeitos.

A luz revela o homem a si mesmo, tal como ele é, ou tal como a alma vê a personalidade.”

Para o homem de primeiro raio, Bailey dá a essa revelação um nome forte:

“a luz que choca”.

Morrer sem Ser Destruída

A biografia caminha para uma morte, e Bailey é exata sobre o que morre.

Por um lado, ela fala com toda a seriedade da “literal destruição, dissolução, dissipação ou dispersão final daquele amado e bem conhecido eu pessoal.” Por outro, em Discipleship in the New Age, Vol. I, ela corrige a leitura apressada: “O ensinamento de que a personalidade deve ser destruída é uma distorção da verdade; o seu foco de consciência tem de ser deslocado da natureza inferior tríplice para o da Tríade”.

As duas afirmações se reconciliam numa única frase de Esoteric Healing:

“Prefiro a palavra ‘eliminada’ à palavra ‘destruída’.

A estrutura, no momento da eliminação, persiste, mas a sua vida separativa se foi.”

Morre o eu separado.

A forma fica, livre para outra função.

Essa morte começa num encontro:

“Esta morte começa quando a personalidade, o Habitante do Umbral, fica diante do Anjo da Presença.

A luz do Anjo solar então oblitera a luz da matéria.”

E Glamour, a World Problem descreve a fusão com uma delicadeza que vale guardar.

No centro do terreno ardente, as duas luzes se encontram, “e então a luz menor (uma luz verdadeira em seu próprio direito) da personalidade é absorvida na luz maior do Anjo ou alma.”

Bailey faz questão do parêntese:

a luz da personalidade é verdadeira.

Ela não é apagada por ser falsa, mas absorvida por uma luz maior.

O que muda, no fim, é a direção da identificação.

“Já não é a alma que está identificada com a personalidade, mas a personalidade que se torna identificada com a alma”.

Em Esoteric Astrology, Bailey descreve o mesmo movimento como o fim de um longo cativeiro:

“por longos éons a situação é invertida e a alma é a prisioneira da personalidade”;

mais tarde, “a personalidade é trazida ao cativeiro pela alma”.

As Glórias da Personalidade

Bailey nunca trata a personalidade como um erro.

Em A Treatise on Cosmic Fire, ela é chamada de “a preservadora daquilo que um dia se desdobrará no homem espiritual.”

Em Esoteric Astrology, no signo de Virgem, a personalidade “é preparada para ser a mãe do Cristo.”

E o ponto de chegada que Esoteric Healing descreve é um dos mais belos de toda a obra:

“Todos estes passos no caminho da integração conduzem àquele estágio culminante em que a personalidade, rica em experiência, poderosa em expressão, reorientada e dedicada, se torna simplesmente a mediadora da vida da alma entre a Hierarquia e a Humanidade.”

O que a alma recebe de volta é também enorme.

Em Esoteric Psychology, Volume II, Bailey descreve o último estágio da coordenação como aquele em que “o raio da personalidade e o raio da alma se fundem numa energia unida, e o raio da personalidade se torna uma qualidade do, e complementar ao, raio da alma, tornando possível o propósito da alma nos três mundos.”

A cor da personalidade não desaparece.

Ela passa a servir.

Discipleship in the New Age, Vol. II, chama esse resultado de personalidade infundida pela alma e lhe dá uma função criadora: a meditação “cria o ‘novo homem em Cristo’ ou produz a personalidade infundida pela alma;

esta personalidade então passa a recriar o seu ambiente e a cooperar conscientemente com o trabalho criador da Hierarquia.”

Bailey resume a divisão de tarefas numa linha: “A vida da personalidade deveria ser a da atividade inteligente;

a da alma é a contemplação amorosa.”

E o que resta da personalidade, depois da sua morte, ainda serve. 

Esoteric Healing explica que, eliminada a antiga personalidade, a alma cria “um substituto para a personalidade”, um instrumento “sem vida, sem desejo, sem ambição e sem poder de pensamento próprios”, mas “adequado ao período, à raça e às condições do ambiente em que a alma criadora escolhe trabalhar.”

A personalidade que foi Habitante volta a ser instrumento, agora sem nenhuma vontade separada.

Como Chegar Lá

Bailey dá ao caminho uma sequência de cinco palavras, que valem para todos os raios:

“Alinhamento, Crise, Luz, Revelação, Integração.”

E deixa uma regra que serve de ponto de partida para qualquer pessoa:

o aspirante nunca desenvolverá uma integração adequada “se se superestimar ou se depreciar.”

Nem a grandeza imaginada nem a autodesvalorização servem à biografia.

Os meios são simples e exigentes:

“Estudo e meditação combinados são os fatores que todos os aspirantes deveriam empregar se buscam produzir essa integração necessária e uma consequente vida de serviço.”

E para quem ainda não chegou à integração, Bailey oferece consolo e direção ao mesmo tempo:

essas pessoas podem desenvolver “o conceito mental da sua possibilidade e da sua natureza”, porque “como um homem pensa em seu coração, assim ele é”.

E acrescenta:

“Não é perda de tempo, mas um processo muito necessário e pelo qual todo Membro da Hierarquia passou.”

Um bom exame começa pelos motivos.

Bailey sugere que o aspirante observe a sua vida e descubra se está ajudando os outros por convenção, ou “emocionalmente porque gosta de ajudar, gosta de ser querido, gosta de aliviar o sofrimento (por causa do seu ódio ao desconforto que o sofrimento lhe traz)”.

Ela não condena esses motivos.

Diz que cada fase “é certa em seu próprio lugar”, e que só se torna errada “quando é perpetuada e continuada quando o estágio seguinte é claramente visto mas não seguido.”

Em The Externalisation of the Hierarchy, Bailey recolhe da mensagem do Buda três métodos pelos quais “a personalidade pode ser mudada e preparada para ser uma expressão consciente da divindade”:

o desapego, que liberta o cérebro da atração dos sentidos;

o desapaixonamento, que torna a natureza emocional imune ao apelo dos sentidos;

e o discernimento, pelo qual a mente aprende a escolher “o bom, o belo e o verdadeiro”, e a colocá-los no lugar da “identificação com a personalidade” que prende tantos.

“Estas três atitudes, quando correta e sensatamente mantidas, organizarão a personalidade”.

E logo depois vem a contribuição do Cristo, que dá sentido ao esforço individual:

“Aprendemos a nos aperfeiçoar a fim de ter algo para sacrificar ao grupo”.

Cada raio tem a sua forma de aprender a mesma lição, e duas das fórmulas de integração de Esoteric Psychology, Volume II, mostram a amplitude do caminho.

Ao homem de primeiro raio, que caminhou sozinho, a alma ensina a voltar ao centro e a abrir os braços:

“Não posso ficar de pé e caminhar sozinho.”

Ao de terceiro raio, que se perde em planos e manipulações, ela diz:

“Cessa o teu fazer.

Não caminhes no Caminho até que tenhas aprendido a arte de ficar parado.”

Conclusão

A personalidade, em Alice Bailey, tem a biografia de qualquer ser vivo.

Ela nasce tarde, depois de muitas vidas em que o homem é apenas parte da massa.

Cresce pela fusão de mente, sentimento e vida, e se torna alguém, para o bem ou para o mal.

Vive a sua idade de ouro como um eu intenso, ambicioso, às vezes implacável, enquanto a alma, irritada pelo atrito, se aproxima.

Torna-se Habitante do Umbral no momento em que começa a olhar para a porta, atravessa uma crise que muitos confundem com doença, e morre sem ser destruída:

perde a vida separada e conserva a forma.

No fim, a mesma personalidade que foi o obstáculo final se torna, nas palavras de Bailey, “rica em experiência, poderosa em expressão, reorientada e dedicada”, a mediadora da alma no mundo.

Do instrumento ao Habitante, do Habitante ao instrumento:

a jornada atribulada que começou com os senhores lunares termina com uma luz menor, verdadeira em seu próprio direito, absorvida numa luz maior.

Fontes Diretas

Esoteric Healing, “Chapter VII, The Processes of Integration” (os estágios da vida de uma personalidade, a morte da personalidade, o homem como membro da massa, a maioria que não são personalidades, a integração que não é sinal de vida espiritual, o estado de espírito da alma, a irritação e o último grilhão do Mestre, a vida intensa da personalidade, os acontecimentos que se acumulam, superestimar ou depreciar-se, estudo e meditação, os motivos do serviço, a personalidade mediadora, o encontro do Habitante com o Anjo, a eliminação em vez da destruição, o substituto da personalidade) e “Chapter IX, The Seven Modes of Healing” (o raio da personalidade facilmente determinado); Esoteric Psychology, Volume II, “I. The Appropriation of the Bodies, Part 1” (a personalidade como fusão de três forças, o Toque de Apropriação, a aquiescência como atitude positiva, a autopiedade, o compositor do tema, os senhores lunares de criação humana, a antiga estrofe da jornada atribulada) e “Part 2” (o Habitante como aquele que está diante da porta de Deus), “2. The Coordination of the Personality, Part 1” (os cinco períodos do estágio intermediário, a personalidade arrastada pelo próprio poder, a integração como primeiro grande passo, as integrações lemuriana, atlante e atual, a integração egoísta e a altruísta, os direitos do discipulado reivindicados antes da integração, as cinco palavras do processo, a fórmula do primeiro raio, a crise tratada como doença, a visão dos defeitos, a luz que choca, o raio da personalidade como sub-raio do egóico, a fórmula do terceiro raio), “II. The Seven Laws of Soul or Group Life” (a ambição como bem divino, a identificação da personalidade com a alma, a confusão entre os raios, a atividade inteligente e a contemplação amorosa); Esoteric Psychology, Volume I, “7. The Ray of the Ego” (a emergência do raio da personalidade, a luta de Arjuna e o raio da personalidade como atitude separativa); A Treatise on White Magic, “The Founding of the Hierarchy” (a personalidade como mistura de energias mascaradas, ocultadas ou reveladas) e “The Present Age and the Future, Part 2” (a felicidade como meta do eu separado); The Rays and the Initiations, “Rule Two” (a personalidade como agregado de formas e vidas); A Treatise on Cosmic Fire, “Division C, Seven Esoteric Stanzas, Part 2” (a personalidade como expressão do Ego) e “2. The Fire Devas, the Greater Builders” (a personalidade como preservadora do homem espiritual); Esoteric Astrology, “3. Spiritual Effects of the Zodiacal Constellations” (o reflexo distorcido da alma, a alma prisioneira da personalidade, a mãe do Cristo); Glamour, a World Problem, “Section Two, The Causes of Glamour, Part 3” (o Habitante como essencialmente a personalidade e seus estágios) e “Section Four, The Technique of Fusion” (a luz menor absorvida na luz maior); Discipleship in the New Age, Vol. I, “Section Three, The Six Stages of Discipleship” (a destruição da personalidade como distorção da verdade); Discipleship in the New Age, Vol. II, “Section Two, Teachings on Meditation” (o novo homem em Cristo e a personalidade infundida pela alma); Letters on Occult Meditation, “Letter III, Points Considered when Assigning Meditation” (o raio da personalidade que varia de vida para vida); The Externalisation of the Hierarchy, “Section Three, Forces Behind the Evolutionary Progress of the Race, Part 6” (os três métodos do Buda e aperfeiçoar-se para ter algo a sacrificar); From Intellect to Intuition, “Chapter Nine, The Practice of Meditation” (a fina integridade da personalidade).

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