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Astral-Búdico: Quando a Sensibilidade se Torna Intuição Segundo Alice Bailey

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Astral-Búdico: Quando a Sensibilidade se Torna Intuição Segundo Alice Bailey

Introdução

Muita gente que chega ao caminho espiritual sente demais.

Percebe o clima de uma sala antes de alguém falar, absorve a dor alheia, sabe coisas que não saberia explicar como sabe.

Alice Bailey tem um nome para esse tipo de consciência: astral-búdica.

O termo junta o corpo astral, sede do sentimento, e budi, o princípio da intuição e do amor-sabedoria na Tríade Espiritual.

Bailey o usa para descrever o sistema solar inteiro, uma fase do aspirante e o estado da personalidade depois da segunda iniciação.

Este artigo reúne o que ela ensina sobre essa ligação: por que o sentimento e a intuição estão unidos por uma linha direta, onde a sensibilidade psíquica se confunde com a intuição verdadeira, e como uma se transforma, aos poucos, na outra.

Os Dois Veículos do Meio

A personalidade tem três corpos: físico, astral e mental.

A Tríade Espiritual tem três princípios: atma, budi e manas.

Em cada trio, o elemento central é o do amor, e Bailey pede ao estudante que repare nessa simetria.

No comentário a Patanjali em The Light of the Soul, ela escreve:

“A relação do princípio astral ou kâmico (que usa o veículo intermediário do homem inferior tríplice) com o princípio búdico, que usa o veículo intermediário da tríade espiritual (ou atma-budi-manas), deve ser cuidadosamente considerada.”

A Treatise on Cosmic Fire chama essa relação de linha de força.

“O plano astral é estreitamente aliado ao búdico”, diz uma passagem, e outra traça o percurso completo da energia:

“O corpo astral está na linha direta de força, via o búdico, a partir dos níveis monádicos, 2-4-6.”

Na mesma obra, Bailey distingue dois tipos de força nos planos.

Há “uma força que tende à diferenciação, como no plano mental (o plano da separação inerente) e no plano físico (o plano da separação efetiva)”, e há “uma força que tende à unidade, como no plano astral e no plano da harmonia essencial, o plano búdico.”

O sentimento, por natureza, une. Junta quem sente ao que é sentido.

É por isso que Bailey o coloca na mesma família da intuição, e chega a dar nome ao canal que liga os dois:

“Há um elo direto entre o corpo astral (o amor na personalidade), o veículo búdico (o amor na Tríade) e as Mônadas de Amor.

Mais tarde isso será compreendido de forma mais plena, mas é o canal principal da lei básica do sistema, o Amor.”

Um Sistema Solar de Consciência Astral-Búdica

Numa nota de A Treatise on Cosmic Fire, Bailey define o termo com precisão:

“Consciência astral-búdica é o termo aplicado à consciência básica do nosso sistema solar.

Ela se caracteriza pela emoção, pelo sentimento, pela sensação, que terão finalmente de ser transmutados em intuição, percepção espiritual e unidade.”

A frase coloca a sensibilidade no centro do plano evolutivo.

Bailey fala deste como “o segundo sistema solar, um sistema de consciência astral-búdica”, e liga a ele o sentido do tato, a percepção pelo contato.

Ela tira daí uma consequência sobre as almas que nele evoluem:

“neste sistema solar astral-búdico, em que o amor e a sabedoria estão sendo trazidos à objetividade, a maior parte das mônadas está no raio de amor-sabedoria.”

E, ao descrever os caminhos que se abrem depois da iniciação, observa que o caminho seguido por quem chega ao objetivo “por meio da devoção e da atividade combinadas” inclui a maioria dos seres humanos, “sendo este o sistema solar do amor-sabedoria, ou do desenvolvimento astral-búdico.”

Na Hierarquia do planeta, acrescenta, os “Senhores da Compaixão” são numericamente mais numerosos do que os “Mestres da Sabedoria”.

A Semente no Plexo Solar

O centro do plexo solar é, para Bailey, o órgão da sensibilidade psíquica.

Em A Treatise on White Magic, ela escreve que, para o aspirante avançado, ele “é em grande parte o órgão da sensibilidade psíquica e assim permanecerá até que os poderes psíquicos superiores substituam os inferiores e o homem funcione como alma.”

Essa sensibilidade inferior tem um futuro.

Em Telepathy and the Etheric Vehicle, Bailey descreve a forma mais comum de telepatia, a “telepatia simpática”, feita de “compreensão imediata, percepção de acontecimentos, apreensões de ocorrências e identificação com as reações da personalidade”, e explica o seu destino:

“Tudo isso está ligado à atividade do plexo solar da personalidade, e isso, quando a natureza amorosa ou segundo aspecto se desdobra ou está se desdobrando, torna-se a ‘semente ou germe’ da faculdade intuitiva. Todo o processo é, portanto, astral-búdico.”

Algumas páginas adiante, ela é ainda mais direta:

“Os aspirantes são, num certo estágio de seu desenvolvimento, fortemente astral-búdicos em sua natureza. Isso deve ser lembrado.”

The Light of the Soul usa uma imagem de gestação para o mesmo centro:

“No plexo solar, a alma animal se funde com a alma do homem, e a consciência crística é vista em germe.”

Dois Polos que Parecem Iguais

A semente ainda não é a árvore, e aqui está o ponto mais delicado do ensinamento.

Em The Rays and the Initiations, Bailey escreve:

“A imaginação é, como vocês sabem, o aspecto mais baixo da intuição, e esse fato deve ser lembrado em todos os momentos.

A sensibilidade, como expressão do corpo astral, é o polo oposto da sensibilidade búdica.”

Polo oposto quer dizer que as duas se parecem por dentro e apontam em sentidos contrários.

Por isso se confundem com tanta facilidade.

Em Glamour, a World Problem, ao propor um exercício com símbolos, Bailey pede ao estudante que observe as reações que o símbolo desperta, “lembrando sempre que elas não são intuitivas, mas são reações ao sentimento ou corpo astral.”

Numa instrução pessoal, ela descreve a oscilação de alguém que vivia entre os dois polos:

“Você geralmente se focaliza alto demais, na região da realização búdica (que é o exercício da faculdade intuitiva), ou baixo demais, no reino da percepção astral.

Não me refiro aqui à visão astral ou ao psiquismo, mas à capacidade de resposta ao sentimento.”

A distinção exige treino. 

Esoteric Psychology, Volume II, explica o que é preciso para extrair a intuição:

“Exige uma inteligência treinada, para que a linha de demarcação entre a realização intuitiva e as formas do psiquismo superior possa ser vista com clareza.”

E Glamour, a World Problem descreve exatamente a mistura que essa inteligência precisa separar:

“Há muitos intuitivos naturais cujo trabalho é uma mescla do psiquismo superior com lampejos de verdadeira intuição. É preciso haver o treinamento do intuitivo exato.”

O Dom e o Risco

A pessoa astral-búdica recebe as duas coisas ao mesmo tempo.

Numa das instruções de Discipleship in the New Age, Vol. I, Bailey descreve o glamour que envolve alguém assim como “todo o miasma turbilhonante que quase o engolfa porque, como lhe disse há alguns anos, você é predominantemente astral-búdico em sua consciência.

Sua apreensão intuitiva da realidade e da verdade está muito à frente da média.

Sua resposta sensível ao glamour também está.”

A mesma porta deixa entrar a verdade e a névoa.

Bailey não pede que ela seja fechada.

Numa instrução de Discipleship in the New Age, Vol. II, a alguém cujo glamour era justamente a sensibilidade psíquica, ela escreve:

“Você não gosta nem deseja essa sensibilidade psíquica ou o conhecimento que ela traz, mas ela constitui um ambiente no qual você tem de aprender a caminhar com liberdade e com graça.

Não é uma situação da qual você deva procurar escapar, pois faz parte da manifestação, e você deve aprender a trabalhar com ela e a funcionar nela, mas com completo desapego dela, assim como você não se identifica com fenômenos físicos como a chuva ou a tempestade.”

A outra pessoa, no mesmo livro, ela indica o caminho de saída numa única frase:

“Sua extrema sensibilidade psíquica e impressionabilidade (de uma ordem muito elevada, devo admitir, mas ainda assim de natureza pessoal) deve ser superada por uma sensibilidade espiritual igualmente extrema.”

Nada disso é motivo de vergonha.

Em The Externalisation of the Hierarchy, Bailey organiza o psiquismo em duas colunas:

o superior é “divino, controlado, positivo, aplicado com inteligência”, e o inferior é “animal, descontrolado, negativo, automático”.

Logo depois, ela acrescenta:

“Essas distinções são pouco compreendidas, e tampouco se aprecia o fato de que ambos os grupos de qualidades indicam a nossa divindade.

Todos são expressões de Deus.”

Em Discipleship in the New Age, Vol. I, há um aviso na mesma direção:

o chamado psiquismo inferior “só o é quando a interpretação e o uso da experiência estão errados.”

A Mente como Ponte

Se a sensibilidade astral e a intuição búdica são polos, o que as liga?

A resposta de Bailey é sempre a mesma: a mente.

À pessoa astral-búdica descrita acima, ela explica por que a vida a tinha levado a ambientes competitivos e exigentes:

“É por essa razão que sua alma o conduziu a lugares onde (na vida competitiva da humanidade) sua mente inferior tem de funcionar necessariamente, e assim a lacuna entre os dois fatores principais de sua vida (a mente intuitiva superior e a natureza astral-emocional) pode ser transposta, deixando entrar o controle iluminador da mente inferior, além do pensamento concreto normal.”

A outra pessoa sensível, a tarefa é dada sem rodeios:

“Sua tarefa é usar a mente para o desdobramento da intuição e para o controle da natureza psíquica inferior.”

A Treatise on Cosmic Fire descreve a mesma mudança em termos de polaridade.

Hoje, o corpo astral do homem é “positivo em relação ao plano físico, negativo em relação ao mental e positivo em relação ao plano búdico”.

Ele reage ao que vem de baixo e resiste ao que vem do alto.

“À medida que a evolução prossegue, o corpo astral deve tornar-se positivo em relação ao mental, e assim mostrar-se incapaz de ser arrastado pelas correntes de pensamento e pelos processos separativos desse plano, e negativo em relação ao plano búdico, ou receptivo às forças desse plano.

Quando tiver alcançado o equilíbrio, e as forças estiverem igualmente balanceadas, o corpo astral deverá tornar-se o transmissor do plano búdico.”

The Light of the Soul dá a esse estado receptivo um nome simples.

O resultado da purificação do corpo astral é “um espírito quieto, ou a ‘suave quietude’ do veículo, de modo que ele possa refletir adequadamente o princípio crístico, ou a natureza búdica.”

Da Segunda Iniciação em Diante

Bailey situa a virada na segunda iniciação, o Batismo.

Em Discipleship in the New Age, Vol. II, ela escreve que nessa iniciação “o controle do corpo astral é quebrado; ele é sacrificado para que a intuição, a contraparte superior da ‘aspiração propulsora’ (como às vezes é chamada), possa assumir o controle.”

A personalidade que sai desse processo muda de natureza.

Em The Rays and the Initiations, depois de descrever o efeito do sexto raio sobre o discípulo, Bailey resume:

“A personalidade torna-se definitivamente astral-búdica em sua natureza e expressão.”

E Discipleship in the New Age, Vol. II, descreve o que o corpo astral passa a ser para o iniciado:

ele “não oferece obstáculo algum ao iniciado-discípulo, mas proporciona um meio de fácil contato com a Hierarquia.

Isso se deve ao fato de que o elo entre o corpo astral e a consciência búdica se torna, nesse estágio, cada vez mais estreito.

Eles constituem essencialmente um par de opostos que finalmente se fundirá; então o corpo astral desaparecerá, como o corpo da alma desaparece num estágio posterior do desenvolvimento.”

Em escala racial, o mesmo livro anuncia que a próxima grande raça “será búdica ou intuitiva” e que seu desenvolvimento culminante “demonstrará a transmutação da vida astral na consciência búdica.” E A Treatise on Cosmic Fire descreve o ponto de chegada em escala planetária: o plano astral “pode, e finalmente irá, refletir diretamente o búdico.”

Esse movimento já está em curso, segundo Bailey.

Numa instrução de Discipleship in the New Age, Vol. II, ela fala de uma “descida crescente da energia crística do plano búdico para o plano astral”, uma força “de natureza astral-búdica” que os discípulos podem usar, e descreve suas qualidades com palavras incomuns:

ela “traz as qualidades de ‘luz encarnada’, de sensibilidade à nova vibração que está chegando e de uma flexibilidade protetora”.

Conclusão

Para Bailey, sentir muito é o ponto de partida de um caminho que o sistema solar inteiro percorre.

A sensibilidade do plexo solar é a semente da intuição, e o corpo astral é o veículo que um dia vai refletir budi sem distorção.

Entre um e outro estão a névoa do glamour e a confusão entre o que se sente e o que se sabe.

A mente atravessa essa distância e aprende a distinguir uma coisa da outra.

Quando a água do corpo astral se aquieta, a luz búdica passa a se refletir nela.

Fontes Diretas

A Treatise on Cosmic Fire, “Division C, Seven Esoteric Stanzas, Part 3” (a definição de consciência astral-búdica), “2. The Fire Devas, the Greater Builders, Part 1” (o plano astral aliado ao búdico) e “Part 2” (as forças de diferenciação e de unidade, a polaridade do corpo astral e sua função de transmissor do búdico), “I. Thought Forms, Part 2” (o elo entre o corpo astral, o veículo búdico e as Mônadas de Amor), “II. The Nature of the Permanent Atoms, Part 1” (a linha direta de força 2-4-6), “Division E, Motion on the Physical and Astral Planes, Part 2” (o sistema solar astral-búdico e o raio de amor-sabedoria) e “Part 3” (o tato e o sistema de consciência astral-búdica), “Division B, The Nature of the Seven Cosmic Paths” (o desenvolvimento astral-búdico e os Senhores da Compaixão) e “4. The Fire Elementals, the Lesser Builders, Part 1” (o plano astral que refletirá diretamente o búdico); The Light of the Soul, “Book II, The Steps to Union, Part 4” (os veículos intermediários e a suave quietude do corpo astral) e “Book III, Union Achieved and its Results, Part 3” (a consciência crística em germe no plexo solar); A Treatise on White Magic, “Astral Energy and Fear” (o plexo solar como órgão da sensibilidade psíquica); Telepathy and the Etheric Vehicle, “Section One, Teaching on Telepathy, Part 4” (a telepatia simpática como semente da intuição e os aspirantes astral-búdicos); The Rays and the Initiations, “Section One, The Aspirant and the Mysteries of Initiation, Part 7” (a imaginação como aspecto mais baixo da intuição e os dois polos da sensibilidade) e “Section Two, The Aspirant and the Major Initiations, Part 2” (a personalidade astral-búdica); Glamour, a World Problem, “Certain Preliminary Clarifications” (as reações ao sentimento que não são intuitivas) e “Section Three, The Ending of Glamour, Part 1” (os intuitivos naturais e o intuitivo exato); Esoteric Psychology, Volume II, “I. The Growth of Soul Influence, Part 3” (a linha de demarcação entre intuição e psiquismo superior); Discipleship in the New Age, Vol. I, “Section Two, Personal Instructions to Disciples, Part 11” (o foco alto e baixo demais, a consciência astral-búdica diante do glamour e a mente como ponte) e “Section Three, The Six Stages of Discipleship, Part 3” (o chamado psiquismo inferior e a interpretação); Discipleship in the New Age, Vol. II, “Section Four, Personal Instructions to Disciples, Part 1” (a sensibilidade psíquica superada pela sensibilidade espiritual), “Part 13” (a sensibilidade psíquica como ambiente e a mente a serviço da intuição) e “Part 14” (a descida da energia crística do plano búdico ao astral), “Section Three, Teachings on Initiation, Part 1” (o corpo astral e a consciência búdica como par de opostos) e “Part 7” (a segunda iniciação e a intuição), e “Section Four, Personal Instructions to Disciples, Part 2” (a próxima raça búdica e a transmutação da vida astral na consciência búdica); The Externalisation of the Hierarchy, “Section One, Introductory Remarks, Part 1” (psiquismo superior e inferior como expressões de Deus).

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