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A Engenharia da Espinha Dorsal: Ida, Pingala e Sushumna Segundo Alice Bailey

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Ida, Pingala e Sushumna Segundo Alice Bailey

Introdução

Ida, Pingala e Sushumna são os três canais nervosos que acompanham a coluna vertebral, nomeados por Alice Bailey em A Treatise on White Magic.

Este artigo é complementar ao já existente nesta biblioteca sobre o Fogo Serpentino, que trata do mecanismo de Kundalini tal como A Treatise on Cosmic Fire o descreve, em três triângulos de força. Este artigo trata especificamente do que Bailey escreve sobre os três canais nomeados, que vem de um livro diferente.

A Definição: A Treatise on White Magic

Bailey ancora a existência dos três canais numa linhagem antiga:

‘o antigo yoga dos dias atlantes…

transmite a informação de que o reflexo do sutratma no organismo humano é chamado medula espinhal, e se expressa em três canais nervosos.

Estes três são chamados ida, pingala, e o canal central, o sushumna. Quando as forças negativa e positiva do corpo, que se expressam via as rotas nervosas ida e pingala, estão equilibradas, as forças podem ascender e descender pelo canal central, para e do cérebro, passando pelos centros ao longo da espinha sem obstáculo.

Quando isso ocorre, temos a expressão perfeita da alma no homem físico.’

O Que Cada Canal Realmente É

Bailey caracteriza os três canais com um critério mais crítico do que a imagem comum de dois fluxos opostos em equilíbrio heroico.

Sobre Ida:

‘aquelas ideias e conceitos que vêm pelo canal sutrâmico negativo são bem-intencionados, mas carecem de força e se esvaem em insignificância.

São emocionalmente coloridos, e carecem da forma organizada que a mente pura pode dar.’

Sobre Pingala, a descrição é igualmente direta:

‘aquelas que vêm pelo canal oposto produzem concreção rápida demais, e são motivadas pela ambição pessoal de uma mentalidade dominadora.

A mente é sempre egoísta, voltada para si mesma.’

Apenas quando o canal central está em uso, a alma se expressa genuinamente:

‘quando, porém, o sushumna sutrâmico, o canal nervoso central, e sua energia são empregados, a alma, como criadora inteligente e magnética, transmite suas energias.’

Não há, nessa passagem nem em nenhuma outra localizada na bibliografia local, atribuição de Raio a cada canal.

Nenhuma fonte associa Ida ao Terceiro Raio, Pingala ao Segundo, ou Sushumna ao Primeiro.

O Ponto de Encontro: o Calvário no Topo da Cabeça

Um segundo trecho de A Treatise on White Magic acrescenta uma imagem notável:

a própria crucificação como símbolo do encontro entre Ida e Pingala.

‘A simbologia disso é aparente, e pode também ser usada para descrever o fluxo das duas correntes, Ida e Pingala, e sua fusão no rio de energia que ascende até a cabeça.

Ali está o lugar de encontro, e ali o sacrifício, encenado sobre o monte do Gólgota, o lugar da caveira.’

O próprio local da crucificação, ‘o lugar da caveira’, torna-se, nessa leitura, uma imagem técnica precisa do ponto exato, no topo da cabeça, onde as duas correntes se encontram e se fundem.

Os Nadis Como a Própria Energia: Telepathy and the Etheric Vehicle

Telepathy and the Etheric Vehicle descreve a própria natureza dos nadis com uma precisão que White Magic não detalha:

‘milhões de minúsculos fluxos ou linhas de energia, aos quais o ocultista oriental deu o nome de nadis. Esses nadis são os portadores de energia.

São, de fato, a própria energia, e carregam a qualidade de energia da área de consciência em que o habitante do corpo porventura esteja focalizado.’

Ela confirma a mesma estrutura tríplice já registrada no artigo desta biblioteca sobre o corpo físico:

‘o corpo físico, portanto, como tanto mais na natureza, é ele mesmo triplo em desenho.

Há: o corpo etérico; os nadis substanciais;

o corpo físico denso.

Estes formam uma única unidade e, na encarnação, são inseparáveis.’

E acrescenta uma observação sobre um mistério ainda não resolvido:

‘há uma relação peculiar e, no momento, inexplicável entre esse sistema de nadis e o antahkarana, quando este está em processo de criação ou já foi criado.’

Como Despertar Kundalini de Verdade: Pela Alma, Não Pelo Centro

The Soul and Its Mechanism nomeia Ida e Pingala diretamente, citando outros autores (Arthur Avalon, Rama Prasad) num capítulo de levantamento comparativo Oriente-Ocidente:

‘de cada lado da coluna vertebral há uma cadeia de gânglios conectados por fibra nervosa, chamada o cordão simpático, Ida e Pingala, estendendo-se da base do crânio ao cóccix.’

É no capítulo de conclusão desse mesmo livro, em registro mais próximo da própria voz de Bailey, que aparece o achado mais valioso:

o método correto de despertar Kundalini não envolve concentração direta em nenhum centro.

‘Quando a alma está entronizada na cabeça, ela atrai para si, através do poder de seu magnetismo, a força latente na base da coluna.

Assim se produz a mescla completa da energia espiritual com a força da própria matéria, através da energia atrativa da alma.

É isso que se entende pelo despertar do poder de Kundalini, e deve ser feito pelo magnetismo da alma dominante, e não pela meditação em qualquer centro específico, nem pela ação consciente sobre a força da matéria.’

É uma confirmação direta e rara:

o próprio ato de focar a atenção num centro, tão comum em práticas populares de ativação de chakras, é precisamente o que Bailey descreve como o caminho errado.

O caminho certo é indireto:

a alma entronizada na cabeça, pelo magnetismo de sua própria presença, atrai a energia para cima, sem que o centro inferior seja diretamente trabalhado.

Bailey oferece ainda, no mesmo capítulo, uma correspondência entre tradições:

‘o ensinamento hindu de que o fogo de Kundalini, a energia da matéria, precisa eventualmente ser elevado de sua posição na base da coluna até a cabeça.

Isso é uma correspondência ao ensinamento católico romano sobre a Assunção da Virgem-Mãe aos Céus, para tomar seu lugar ao lado de Seu Filho, o Cristo, a Alma.’

A Sequência Real do Despertar: Esoteric Psychology Confirma White Magic

Esoteric Psychology, Volume II, traz uma quarta fonte primária sobre os três canais, descrevendo não apenas sua existência, mas a própria sequência de desenvolvimento pela qual um discípulo os ativa.

‘Essa energia prânica trabalha através do corpo vital e percorre os muitos nadis encontrados ali.

Esses nadis existem aos milhões e são minúsculos canais de força que subjazem a todo o sistema nervoso do homem.’

Ela descreve a sequência completa:

‘simultaneamente a esse surgimento de dualidade nos nadis, o discípulo se vê capaz de usar os dois canais, ida e pingala, encontrados ao longo da coluna espinhal, um de cada lado do canal central.

Pode então haver o livre fluxo de força para cima e para baixo por esses dois caminhos das forças, e assim para fora, nos nadis…

o discípulo chegou agora ao ponto de seu desenvolvimento em que a teia etérica, que separa todos os centros ao longo da espinha uns dos outros, foi queimada pelos fogos da vida.

O sushumna, ou canal central, pode então ser lentamente utilizado.

Isso é paralelo ao período em que há o livre fluxo da força da alma através do canal central, nos nadis.

Eventualmente esse canal central entra em plena atividade.

Tudo isso pode ser visto pelo olho clarividente do Mestre.’

Mais uma vez, nenhuma correspondência de Raio é atribuída a Ida, Pingala ou Sushumna nessa passagem.

Vale registrar ainda um achado relacionado, mas distinto:

Esoteric Psychology, Volume I, reproduz uma tabulação da Doutrina Secreta de Blavatsky que associa a ‘Luz de Kundalini’ ao Primeiro Raio, Vontade ou Poder.

É uma correspondência real, mas isolada, para o próprio Kundalini como fenômeno único, não uma tríade que distribua Raios I, II e III entre Ida, Pingala e Sushumna. Esoteric Astrology não contém nenhum dos três termos.

A Espiral Depende do Raio do Estudante, Não de um Raio Fixo por Nadi

Letters on Occult Meditation acrescenta um ângulo técnico preciso: a trajetória do fogo de Kundalini depende do raio individual de quem pratica, não de uma tabela fixa de correspondências por canal.

‘Esse fogo pode agir sobre o fogo latente na base da coluna, chamado Kundalini, e pode fazer com que circule cedo demais.

Isso produzirá ruptura e destruição, em vez de vivificação e estimulação dos centros superiores.

Há um espiralamento geométrico próprio que esse fogo deve seguir, dependente do raio do estudante e da nota de vibração de seus centros superiores.’

O Mecanismo Completo Já Está no Fogo Serpentino

Quem busca o funcionamento técnico completo do despertar de Kundalini, os três triângulos de força, a construção consciente do canal etérico, a progressão geométrica que distingue o despertar seguro do perigoso, encontrará isso detalhado no artigo desta biblioteca sobre o Fogo Serpentino, que já reúne essa doutrina diretamente de A Treatise on Cosmic Fire.

O centro na base do crânio chamado ‘Alta Maior’ existe, de fato, com esse nome, e a fenda etérica entre ele e a coluna também:

‘este centro está situado na base do crânio, e há uma pequena fenda entre esse centro e o ponto em que os fogos da matéria emergem do canal espinhal.

Parte do trabalho que o homem que está desenvolvendo o poder do pensamento precisa fazer é construir um canal temporário em matéria etérica, para ligar essa fenda.’

Bailey descreve um canal etérico construído conscientemente, trabalho deliberado e gradual, não um salto instantâneo entre os dois pontos.

Os Riscos Reais do Despertar Forçado

A Treatise on Cosmic Fire documenta riscos reais e sérios do despertar forçado:

‘ele corre o risco de obsessão, insanidade, morte física, ou de doença grave em alguma parte do corpo, e também corre o risco de um desenvolvimento excessivo do impulso sexual através do direcionamento desigual da força para cima, ou forçando sua radiação a centros indesejáveis.’

E, numa frase que por si só já comunica a gravidade:

‘quem direciona seus esforços ao controle dos fogos da matéria está, com perigosa certeza, brincando com um fogo que pode literalmente destruí-lo.’

Insanidade, obsessão por entidades estranhas, morte física, doença grave e hiperestimulação sexual são os riscos que a própria Bailey documenta, e já são suficientemente graves por si mesmos para justificar toda a cautela que ela recomenda.

A Lei Real: a Energia Segue o Pensamento

O princípio de que o método correto de desenvolvimento passa pela mente, não pela força física, está confirmado repetidamente em Esoteric Healing:

‘sobre a lei oculta de que a energia segue o pensamento’, e, noutra passagem, ‘a lei sempre se mantém válida:

a energia segue o pensamento’, e ainda:

‘a energia segue o pensamento, e esse foco mental sobre os centros inevitavelmente produzirá’ efeito.

É a mesma lei que explica por que a concentração direta e insistente num centro específico é, segundo Bailey, um risco, não uma técnica segura de desenvolvimento: onde a mente se fixa, a energia converge, e sua convergência forçada é exatamente o que produz os riscos já descritos.

Conclusão

Ida, Pingala e Sushumna são nomeados por Alice Bailey em A Treatise on White Magic, com uma caracterização mais sóbria e mais crítica do que a imagem de um fio lunar e um fio solar em equilíbrio heroico:

Ida é descrito como fraco e disperso, Pingala como egoísta e ambicioso, e apenas Sushumna, o canal equilibrado, permite a expressão genuína da alma. Sushumna não aparece em nenhum outro livro da biblioteca local, e nenhum Raio é atribuído a nenhum dos três canais em lugar nenhum.

O verdadeiro método de despertar Kundalini, segundo a própria Bailey, não é concentração em centros, mas o magnetismo da alma entronizada na cabeça, e a trajetória real desse fogo depende do raio individual de quem pratica, não de uma tabela fixa por canal.

O mecanismo técnico completo do despertar, os três triângulos, o centro Alta Maior, a fenda etérica e sua ponte, já está registrado com rigor no artigo desta biblioteca sobre o Fogo Serpentino.

O que este artigo acrescenta é mais estreito e, por isso mesmo, mais confiável:

a nomenclatura real dos três canais e sua função verdadeira segundo a própria Bailey.

Fontes diretas: A Treatise on White Magic (‘Soul Light and Body Light’, a definição e caracterização de Ida, Pingala e Sushumna; ‘Astral Energy and Fear’, a fusão de Ida e Pingala e a imagem do Gólgota); A Treatise on Cosmic Fire (Divisão D, ‘Kundalini and the Spine’, o centro Alta Maior e a fenda etérica, já citados no artigo desta biblioteca sobre o Fogo Serpentino; Divisão C, ‘The Etheric Body and Prana’, Parte 3, os riscos reais e documentados do despertar forçado); Esoteric Healing (múltiplos capítulos, a lei de que a energia segue o pensamento); Telepathy and the Etheric Vehicle, Seção Dois (os nadis como a própria energia, a relação nadis-antahkarana); The Soul and Its Mechanism, Capítulos VI e VII (Ida e Pingala citados de outros autores, o despertar de Kundalini pelo magnetismo da alma, o paralelo com a Assunção da Virgem); Letters on Occult Meditation, Carta V (‘Dangers to Be Avoided in Meditation’, a espiral de Kundalini dependente do raio do estudante); Esoteric Psychology, Volume II (‘4. Diseases and Problems of Disciples and Mystics’, a sequência completa de ativação de Ida, Pingala e Sushumna) e Volume I (‘References to the Secret Doctrine’, a Luz de Kundalini associada ao Primeiro Raio, isoladamente).

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