A Lei do Renascimento Segundo Alice Bailey
Introdução
De todas as leis que Alice Bailey nomeia, a Lei do Renascimento é a que ela mais deseja ver reconhecida pelo público.
Em The Externalisation of the Hierarchy, ela a coloca no topo:
“a grande Lei do Renascimento é a lei controladora e principal em todos os processos da manifestação.
Governa a expressão exotérica de um Logos solar ou de um ser humano, e o objetivo deste processo constantemente recorrente é levar uma forma cada vez mais perfeita ao serviço crescente da alma.”
Ao mesmo tempo, ela é severa com o modo como a lei tem sido ensinada.
Insiste que se sabe pouco dos seus detalhes, critica a ênfase nas vidas passadas e prefere, quando fala a psicólogos, outro nome para ela:
a Lei da Oportunidade.
Este texto apresenta o que Bailey afirma sobre a lei, o que ela recusa, a relação da lei com o Karma e o modo como, segundo ela, o homem se liberta dela.
O mapa completo de todas as leis está em “As Leis Segundo Alice Bailey: a Arquitetura da Lei”.
Uma Lei do Cosmos
A lei não vale só para o homem.
Em A Treatise on Cosmic Fire, Bailey diz que “a manifestação é periódica e que a Lei do Renascimento é o método que a evolução adota ao lidar com um homem, um Logos planetário e um Logos solar”.
Em Esoteric Astrology: “A reencarnação está implícita no universo manifestado e é um tema básico e fundamental subjacente à pulsação sistêmica.”
E em The Reappearance of the Christ, ela a chama de “o principal corolário da Lei da Evolução”.
No plano humano, a lei também tem um nome técnico em Cosmic Fire.
As três leis sistêmicas que regem a personalidade nos três mundos, as de Fixação, Amor e Sacrifício e Morte, “podem ser resumidas no termo bem conhecido ‘A Lei do Renascimento e da Morte nos três mundos'”.
Essas leis estão em “As Sete Leis do Sistema Solar Segundo Alice Bailey”.
O Que se Pode Afirmar
O ensino mais organizado de Bailey sobre a lei está em The Reappearance of the Christ, no capítulo sobre o que o Cristo ensinará ao voltar.
Ela começa por um diagnóstico duro.
A lei “nunca foi compreendida nem devidamente entendida no Ocidente e, no Oriente, onde é reconhecida como um princípio regente da vida, não se mostrou útil, porque teve um efeito soporífero e foi um empecilho ao progresso”.
O estudante oriental a vê como garantia de tempo de sobra, e isso anula o esforço.
O cristão comum a confunde com a transmigração das almas, a passagem de seres humanos para corpos de animais, o que Bailey nega: a vida passa do mineral ao vegetal, do vegetal ao animal, do animal ao humano, “e fica sujeita à Lei do Renascimento e não à lei da Transmigração”.
Nem os ocultistas escapam da crítica.
A apresentação do tema pelos expositores ocultistas e teosóficos foi, segundo ela, “deplorável”.
“Praticamente todos os grupos e escritos ocultistas puseram tolamente a ênfase nas encarnações passadas e na sua recuperação;
esta recuperação é incapaz de qualquer verificação razoável:
qualquer um pode dizer e alegar o que quiser.”
O ensino dado até aqui, conclui, “fez mais mal do que bem”.
Só um fator permanece de valor:
a lei hoje é discutida por muitos e aceita por milhares.
“A Lei existe; dos detalhes do seu funcionamento ainda nada sabemos.”
Feita essa limpeza, Bailey enumera o que se pode dizer “com exatidão” e que “não admite contradição”:
| Item | O que Bailey afirma |
|---|---|
| 1 | “A Lei do Renascimento é uma grande lei natural no nosso planeta.” |
| 2 | “É um processo, instituído e levado adiante sob a Lei da Evolução.” |
| 3 | “Está estreitamente relacionada com a Lei de Causa e Efeito, e é condicionada por ela.” |
| 4 | É um desenvolvimento progressivo, do materialismo mais grosseiro à perfeição espiritual |
| 5 | Explica, com a Lei de Causa e Efeito, as diferenças entre os homens, as circunstâncias e as atitudes diante da vida |
| 6 | “É a expressão do aspecto vontade da alma e não o resultado de alguma decisão da forma” |
| 7 | Entra em atividade no plano da alma; a encarnação é motivada e dirigida do nível da alma, no plano mental |
| 8 | “As almas encarnam em grupos, ciclicamente, sob a lei” |
| 9 | O desdobramento é condicionado sobretudo pelo princípio mental: “como um homem pensa no seu coração, assim ele é” |
| 10 | Sob a lei, o homem desenvolve a mente, depois a mente controla as emoções e, por fim, revela a alma |
| 11 | Nesse ponto, ele começa a trilhar o Caminho de Retorno |
| 12 | Quando aprende “a nada pedir para o eu separado”, renuncia ao desejo de vida nos três mundos “e fica livre da Lei do Renascimento” |
| 13 | Torna-se então consciente do grupo, do seu grupo de almas e da alma em todas as formas |
“Além desta generalização”, escreve Bailey, “nenhuma pessoa inteligente tentará ir.”
E resume o valor prático da lei:
ela “encarna o conhecimento prático de que os homens precisam hoje para conduzir corretamente as suas vidas religiosa, política, econômica, comunitária e privada”.
Por Que se Renasce
Bailey dá respostas em vários níveis.
Em The Light of the Soul, comentando o sutra segundo o qual a compreensão da lei do renascimento vem quando a abstenção da avareza é perfeita, ela escreve:
“Este sutra dá em termos inequívocos o grande ensinamento de que é o desejo por alguma forma que traz o espírito à encarnação.
Quando a ausência de desejo está presente, os três mundos já não podem reter o iogue.
Forjamos as nossas próprias correntes na fornalha do desejo.”
No mesmo livro, mais adiante:
enquanto a ilusão exercer algum poder, “a Lei do Renascimento trará a consciência voltada para fora à manifestação no plano da materialidade”.
Em Esoteric Astrology, Bailey observa que, até agora, só duas regras foram propostas sobre o retorno da alma:
se a perfeição não foi alcançada, a alma deve voltar e continuar o processo na Terra;
e o impulso que a leva a isso é alguma forma de desejo insatisfeito.
Ela considera as duas apenas parcialmente verdadeiras e prevê, quando o Plano for mais conhecido, “uma mudança completa na apresentação do ensinamento sobre a Lei do Renascimento”.
Em Esoteric Psychology, Vol. II, a resposta vai mais fundo.
O instinto de sacrifício, que se vê na filantropia e no senso de responsabilidade pelos outros, “é a tendência instintiva que governa ela mesma a Lei do Renascimento.
É a expressão de um fator ainda maior no processo criador.
É o principal impulso determinante que impeliu a própria Alma de Deus a entrar na vida da forma.”
No mesmo livro, Bailey descreve a outra ponta: no Caminho da Purificação, a exigência de libertação da busca de satisfação exterior se torna mais forte e clara, e quando o homem entra no Caminho do Discipulado, “a Lei da Repulsa pode, pela primeira vez, começar a controlar as suas reações”.
Essa lei está em “As Sete Leis da Alma Segundo Alice Bailey”.
Em A Treatise on White Magic, ela condensa o processo em três palavras:
“Potências produzem precipitação.
Nestas três palavras está toda a história.”
Elas explicam tudo o que existe, “e estão por trás da lei do renascimento”.
Renascimento e Causa e Efeito
Bailey quase nunca fala da Lei do Renascimento sem a Lei de Causa e Efeito.
Em The Reappearance of the Christ e em Problems of Humanity, ela as apresenta juntas como as duas grandes leis naturais implicadas na imortalidade da alma:
“A imortalidade da alma humana e a capacidade inata do homem espiritual interior de alcançar a sua própria salvação sob a Lei do Renascimento, em resposta à Lei de Causa e Efeito, são os fatores subjacentes que governam toda a conduta humana e toda a aspiração humana.
Estas duas leis nenhum homem pode evitar.”
As igrejas erraram nos dois extremos.
As do Ocidente “recusaram-se oficialmente a reconhecer a Lei do Renascimento e assim entraram num impasse teológico”.
As do Oriente enfatizaram demais essas leis, de modo que uma atitude “negativa e conformada” diante da vida, “baseada na oportunidade continuamente renovada”, controla os povos. Bailey observa que São Paulo, ao mandar “operar a própria salvação”, endossa implicitamente a lei, porque isso não é possível numa única vida.
Entre as duas leis, porém, ela estabelece uma hierarquia prática.
Em The Externalisation of the Hierarchy:
“A Lei de Causa e Efeito é de importância muito maior que a Lei do Renascimento, porque exige ação da parte do aspirante, e essa ação inevitavelmente condiciona o futuro.
Não há nada que ele possa fazer quanto à Lei do Renascimento senão submeter-se a ela e ser grato porque a oportunidade continua a se apresentar.”
O Karma tem tratamento próprio em “Karma Segundo Alice Bailey”.
A Lei da Oportunidade
Em Esoteric Psychology, Vol. II, falando aos psicólogos do futuro, Bailey propõe um nome novo:
“uma compreensão real da Lei do Renascimento, ou da Lei da Oportunidade (como eu preferiria chamá-la), será de utilidade definida”.
E diz por quê: “Acima de tudo, ela trará à atitude tanto do psicólogo quanto do caso problemático a ideia de esperança, o pensamento da realização e da conquista final.”
Quando a lei for compreendida “nas suas verdadeiras implicações e não interpretada nos termos da sua apresentação infantil atual”, o homem assumirá a responsabilidade de viver “com um reconhecimento diário do passado, uma compreensão do propósito do presente e com o olhar no futuro”, e isso, acrescenta ela, diminuirá a tendência crescente ao suicídio.
A lei explica também o que a psicologia sozinha não consegue explicar.
“O dilema do psicólogo hoje se deve em grande parte ao fato de que a lei do renascimento ainda não é reconhecida cientificamente.”
Ele se vê diante das desigualdades de equipamento físico sem a causa que as explica.
Bailey formula a consequência assim: enquanto o homem não for integrado no tempo, assim como no seu ambiente, e enquanto a Lei do Renascimento não for admitida como a hipótese mais provável, “não haverá verdadeira sabedoria.
O conhecimento vem à medida que o indivíduo se integra no seu ambiente.
A sabedoria vem à medida que ele se coordena nos processos do tempo.”
Na educação, a mesma lei mudaria a perspectiva.
Em Education in the New Age, Bailey prevê “a admissão do fato da Lei do Renascimento como um processo natural e regente”, e acrescenta que, embora a recuperação de vidas passadas não tenha interesse, o reconhecimento das características trazidas de antes terá.
As Quatro Leis da Salvação da Raça
Em Esoteric Psychology, Vol. I, ao tratar dos problemas do sexo e do casamento, Bailey apresenta quatro leis cujo reconhecimento, diz ela, “salvará a raça”.
A primeira é a Lei do Renascimento.
“Todas as almas encarnam e reencarnam sob a Lei do Renascimento.
Por isso, cada vida não é apenas uma recapitulação da experiência de vida, mas uma retomada de antigas obrigações, uma recuperação de velhas relações, uma oportunidade para pagar dívidas antigas, uma chance de fazer restituição e progresso.”
Quando essa lei for admitida, “todos os homens trilharão com mais cuidado o caminho da vida”, sabendo que colherão o que plantaram “aqui e agora, e não num céu ou inferno místico e mítico”.
A segunda é a Lei do Amor, enunciada pelo Cristo no mandamento de amar o próximo como a si mesmo. Bailey a resume numa frase prática:
“Que um homem viva de tal modo que a sua vida seja inofensiva.”
E acrescenta:
“Isto não é inofensividade negativa, mas uma atividade difícil e positiva.”
As duas primeiras leis, admite ela, “soam como lugares-comuns. Mas os lugares-comuns são as verdades universais e reconhecidas”.
A terceira é a Lei da Vida de Grupo, que nasce das outras duas e está tratada em “As Leis do Grupo e do Ashram Segundo Alice Bailey”.
A quarta é a lei da terra, a lei do país em que a alma encarnou.
Bailey sabe que essas leis humanas são inadequadas, mas defende que sejam cumpridas:
“elas protegem, em certa medida, os pequenos e os fracos”.
O servidor da raça coopera com as leis do seu país “trabalhando ao mesmo tempo pela remoção das injustiças que elas possam produzir”.
E conclui: “No reconhecimento destas quatro leis, do Renascimento, do Amor, do grupo e da Terra, veremos a salvação da raça.”
Câncer, a Porta da Encarnação
Em Esoteric Astrology, a lei tem o seu signo.
Câncer é “a porta que está escancarada, larga e fácil de atravessar e, no entanto, conduz ao lugar da morte e àquela longa prisão que precede a revolta final”.
Nele “está oculto todo o problema da Lei do Renascimento”.
Enquanto gira pela roda comum do zodíaco, o homem entra continuamente na vida por Câncer, “a constelação sob a qual a Lei do Renascimento é aplicada e administrada”.
Só na roda invertida ele aprende a atravessar, com igual consciência, a porta de Capricórnio, e essas cinco passagens conscientes são chamadas de as cinco iniciações maiores.
A astrologia esotérica está em “Introdução à Astrologia Esotérica de Alice Bailey”.
A Lei no Mundo
Bailey recorre à lei para ler acontecimentos coletivos.
Em A Treatise on White Magic, ela escreve que “a Lei do Renascimento contém oculto o segredo da crise atual”:
grupos de egos se reúnem para resolver karma antigo, e cabe a todos transmutar os velhos erros.
Em Glamour: A World Problem, a lei explica o movimento das culturas: “a maré da vida move-se do Oriente para o Ocidente, como o sol”, e os que em séculos passados soaram a nota do misticismo oriental soam agora a nota do ocultismo ocidental.
Em The Rays and the Initiations, ela fala dos que reagem mal a uma nova energia por ainda não estarem prontos:
“A Lei do Renascimento cuidará desta reação, e na próxima encarnação essas mesmas pessoas entrarão num corpo físico com melhor equipamento.”
E em Esoteric Healing, a respeito de criminosos e gângsteres, vítimas da ignorância e de maus-tratos na infância:
“a Lei do Renascimento os levará, por fim, ao caminho do bem”.
A Libertação da Lei
A lei tem um fim para cada homem.
Bailey o situa no ponto doze da sua lista: quando, pela mente desenvolvida, pela sabedoria, pelo serviço prático e pela compreensão, o homem aprende “a nada pedir para o eu separado”, ele renuncia ao desejo de vida nos três mundos e se liberta da lei.
Em A Treatise on White Magic, ela distingue os que estão “ainda presos pela Lei do Renascimento” aos três mundos dos que passaram pela grande Libertação e “atravessaram ocultamente a ponte”.
E em The Light of the Soul, a mesma condição aparece na forma de um sutra: quando a ausência de desejo está presente, “os três mundos já não podem reter o iogue”.
Conclusão
Bailey insiste em pouca coisa sobre a Lei do Renascimento, e por isso o que afirma tem peso: a lei existe, é natural, vem da vontade da alma, atua em grupos e ciclos e termina quando o homem já não deseja nada para o eu separado.
Quanto aos detalhes que costumam atrair as pessoas, como datas, intervalos e vidas passadas, ela diz que ninguém sabe nada ao certo.
Ela prefere, por isso, chamá-la de Lei da Oportunidade.
Para quem ainda está sob ela, o conselho de Bailey é simples:
“submeter-se a ela e ser grato porque a oportunidade continua a se apresentar”.
Fontes Diretas
- The Reappearance of the Christ, “Chapter Five, The Teachings of the Christ, Part 1” (o corolário da Lei da Evolução, o Oriente e o Ocidente, a transmigração, a apresentação deplorável, as vidas passadas, os treze pontos, o conhecimento prático) e “Chapter Six, The New World Religion” (as duas leis que nenhum homem pode evitar, as igrejas);
- The Externalisation of the Hierarchy, “Section Two, The General World Picture, Part 2” (a lei controladora e principal em todos os processos da manifestação) e “The Return of the Christ, Part 5” (a Lei de Causa e Efeito de importância maior, submeter-se e ser grato);
- A Treatise on Cosmic Fire, “Introductory Questions, Part 1” (a manifestação periódica e o renascimento do homem, do Logos planetário e do Logos solar) e “I. Thought Forms, Part 2” (a Lei do Renascimento e da Morte nos três mundos);
- Esoteric Astrology, “3. Spiritual Effects of the Zodiacal Constellations, Part 4” (Câncer e Capricórnio) e “Part 10” (a reencarnação implícita no universo, a porta de Câncer, as duas regras, a mudança na apresentação do ensinamento);
- The Light of the Soul, “Book II, Part 3” (o sutra da avareza e o desejo de forma) e “Book IV, Part 1” (a ilusão e a consciência voltada para fora);
- Esoteric Psychology, Vol. I, “3. The Animal Kingdom, Part 3” (as quatro leis, o Renascimento, o Amor e a inofensividade, a lei da terra);
- Esoteric Psychology, Vol. II, “3. Some Problems of Psychology, Part 2” (a Lei da Oportunidade, a esperança, o suicídio), “I. The Appropriation of the Bodies, Part 3” (o dilema do psicólogo, a integração no tempo, conhecimento e sabedoria), “II. The Seven Laws of Soul or Group Life, Part 1” (o instinto de sacrifício governa a Lei do Renascimento) e “Part 3” (a exigência da alma e a Lei da Repulsa);
- A Treatise on White Magic, “The Quaternaries to be Recognised” (potências produzem precipitação), “Principles and Personalities” (o segredo da crise atual) e “The Soul and its Thought-Forms, Part 1” (os presos pela Lei do Renascimento e os que atravessaram a ponte);
- Problems of Humanity, “Chapter V, The Problem of the Churches, Part 1” (as igrejas e São Paulo);
- Education in the New Age, “Chapter III, The Next Step in the Mental Development of Humanity, Part 1” (a admissão da lei na educação);
- Glamour: A World Problem, “Section Three, The Ending of Glamour, Part 1” (a maré do Oriente para o Ocidente);
- The Rays and the Initiations, “Section Two, The Aspirant and the Major Initiations, Part 4” (o melhor equipamento na próxima encarnação);
- Esoteric Healing, “Chapter VIII, The Laws and Rules Enumerated and Applied, Part 6” (criminosos e o caminho do bem).


