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O Corpo Astral Segundo Alice Bailey: o Mar de Desejo e Seu Destino Final

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O Corpo Astral Segundo Alice Bailey: o Mar de Desejo e Seu Destino Final

Introdução

Os artigos desta biblioteca sobre o corpo físico e o corpo etérico já revelaram uma hierarquia surpreendente:

o corpo denso é apenas um autômato, e sua verdadeira forma é a teia etérica que o sustenta.

Este artigo completa essa tríade com o corpo mais volátil e, segundo Bailey, o mais dominante na vida da maioria das pessoas hoje:

o corpo astral, o mar de desejo, emoção e sensação em que, segundo ela, a maior parte da humanidade ainda está, sem saber, submersa.

É também, de todos os três, o único que a própria Bailey trata como tendo data de validade:

um corpo fadado, com o tempo, a se dissolver por inteiro.

Esta versão do artigo passou por uma mineração completa de toda a bibliografia de Bailey, acrescentando nove livros inteiramente novos ao que já havia sido reunido:

o fenômeno do glamour em profundidade técnica, o corpo astral das nações, as crises iniciáticas que o têm como teatro central, e uma dezena de casos reais de discípulos.

Parte I: Definição e Anatomia

Kama-Manas: uma Definição Tríplice

Bailey ancora a própria definição do corpo astral no comentário aos Yoga Sutras:

‘a natureza psíquica é kama-manas, mente-desejo, o corpo emocional ou astral, levemente tingido de mente, e é a vestimenta material que reveste todos os nossos desejos e sentimentos.’ 

Letters on Occult Meditation confirma essa mesma estrutura tríplice da personalidade:

‘um corpo mental, o manas inferior;

um corpo emocional, o corpo astral; e

um corpo físico, o denso e

o etérico.’

Bailey resume ainda, numa tabela direta:

‘kama, desejo, sentimento, corpo astral, plano astral.’

É uma composição que devolve precisão técnica a uma palavra usada com frequência solta demais:

o corpo astral não é simplesmente ‘as emoções’;

é uma substância real, tingida de mente, que veste cada desejo antes que ele se torne sentimento consciente.

O Átomo Permanente Astral: uma Geometria Própria

A Treatise on Cosmic Fire confirma algo que distingue estruturalmente o corpo astral do etérico, já tratado em artigo próprio desta biblioteca como desprovido de átomo permanente:

o corpo astral tem o seu.

‘O átomo permanente astral, neste sistema solar, é o receptor de um grande fluxo de força ou energia, e recebe mais estimulação e energização do que qualquer um dos outros.

‘ Bailey descreve ainda sua geometria interna:

‘o átomo permanente astral tem suas correntes internas de força organizadas de modo que as espirais se aproximam bastante da conformação de um coração, embora a ponta seja eliminada.’

E confirma que esse mesmo átomo recebe atenção direta dos próprios Instrutores ao longo do desenvolvimento de cada pessoa:

‘enquanto no primeiro período o átomo físico podia ser visto iluminado, agora, no segundo período, o átomo emocional se ilumina de forma semelhante, um sinal para os Instrutores de que o trabalho progride.’

Dois Raios Para o Mesmo Corpo

Bailey oferece duas tabelas distintas de correspondência entre raios e corpos, e em ambas o corpo astral aparece, com atribuições diferentes e complementares.

TabelaRaio Associado ao Corpo AstralQualidade
Raio de AspectoRaio IIAmor, Ideais
Raio de AtributoRaio VIDevoção
Ação Direta no Átomo PermanenteRaio Egoico (da alma)Distinto do Raio de Personalidade

É notável que tanto o Amor quanto a Devoção, duas das qualidades mais centralmente associadas ao coração em toda a tradição espiritual, sejam as duas atribuições de raio que Bailey associa ao mesmo corpo astral:

mesmo antes de qualquer purificação, o corpo do desejo já carrega, em sua própria estrutura energética, a semente da qualidade que, transmutada, se tornará amor real.

Sete Subdivisões e o Sentido do Tato

A Treatise on Cosmic Fire situa o plano astral dentro da mesma estrutura sétupla que rege o plano físico, com cinco subplanos de atividade humana e dois ‘abaixo do limiar’. Bailey associa ainda a esse plano um sentido específico:

‘tato ou sensação… este sentido é de importância preeminente neste, o segundo sistema solar, um sistema de consciência astral-búdica.’

Ela detalha uma escala de cinco faculdades sensoriais astrais em ordem evolutiva: clariaudiência, psicometria, clarividência, imaginação, e idealismo emocional, esta última sendo a mais elementar e comum.

Bailey confirma ainda, em múltiplas passagens, que a própria água é o símbolo constante desse plano:

‘este plano é o da natureza emocional-desejo, e seu símbolo é a água.’ 

Esoteric Astrology amplia essa mesma simbologia numa lista notável:

‘o conceito inteiro da matéria, universal e individualizada;

as águas da substância; o oceano da vida; o mundo do glamour astral e da reação;

o próprio plano astral;

a natureza do desejo e da emoção.’

É uma imagem que atravessa toda a obra de Bailey com consistência notável:

o corpo astral não é apenas comparado à água;

é, segundo essa leitura, literalmente composto da mesma substância fluida, reflexiva e sem forma própria que a água simboliza.

O Plexo Solar: o Órgão da Natureza Astral

Bailey oferece, comentando os Yoga Sutras, uma descrição extensa e tecnicamente rica do próprio órgão físico ligado ao corpo astral:

‘é o órgão da natureza astral, das emoções, humores, desejos e sentimentos, e por isso é o mais ativo de todos.

É através dele que as funções corporais inferiores são despertadas, o desejo de comer, de beber, de procriar…

é o centro onde se realiza o grande trabalho de transmutar todos os desejos inferiores e animais nos superiores.

Através dele, literalmente, devem passar as forças da natureza inferior.’

Ela acrescenta uma implicação prática direta:

‘quando o aspirante consegue compreender o papel que o desejo exerce em sua vida, quando percebe que é seu corpo emocional ou astral que produz a maior parte do problema em sua natureza inferior, e quando consegue captar o lado técnico do processo que a energia do desejo segue, então o trabalho do plexo solar é compreendido, e ele pode começar o grande trabalho duplo de transferência e transmutação.’

Parte II: As Origens Raciais e o Estágio Atual da Humanidade

A Época Atlante: Quando o Astral Dominou a Raça

Bailey confirma, em pelo menos cinco fontes distintas desta biblioteca, que o próprio corpo astral teve seu apogeu histórico numa época específica da evolução humana, a Atlante. 

Esoteric Healing afirma diretamente:

‘o corpo astral do homem, sendo o último a se desenvolver, o físico e o etérico sendo os dois primeiros em ordem de tempo, ainda é o mais vivo e potente.

Atingiu seu ápice de desenvolvimento nos últimos dias atlantes.’ 

Esoteric Psychology, Volume II, confirma: ‘a consciência lemuriana, física;

a consciência atlante, astral, emocional, sensual;

a consciência caucasiana ou ariana, mental ou intelectual’, e acrescenta:

‘essa influência astral tem raízes na civilização atlante passada, que precedeu a nossa.

Naquela era, o corpo astral era objeto de atenção.’

The Consciousness of the Atom confirma essa mesma sequência:

‘na terceira raça-raiz, a lemuriana, o aspecto físico do homem foi levado a um alto estágio de perfeição.

Depois, na grande raça que precedeu a nossa, a atlante, que pereceu no dilúvio, a natureza emocional do homem foi desenvolvida.’

E The Light of the Soul acrescenta, comentando os Yoga Sutras:

‘o discípulo lemuriano aprendeu a controlar o corpo físico… através da hatha yoga, com aspiração ao controle emocional.

O discípulo atlante aprendeu a controlar o corpo emocional… através da bhakti yoga, com aspiração ao controle mental.’ 

Telepathy and the Etheric Vehicle confirma ainda que a maioria da humanidade atual permanece, nesse sentido específico, presa a essa mesma época:

‘a massa dos homens ainda é atlante ou astral em sua natureza.’

The Rays and the Initiations acrescenta um detalhe sensorial preciso sobre como essa consciência atlante realmente operava, distinto de qualquer descrição já reunida:

‘o estado de percepção era astral, e os seres humanos eram, como raça, clariaudientes e clarividentes, embora de nenhum modo capazes de interpretar aquilo que contatavam;

não eram capazes de distinguir fenômenos astrais da vida física ordinária… eles simplesmente viviam e sentiam.’

É uma imagem que humaniza o próprio estágio atlante:

não uma humanidade mergulhada em trevas, mas uma humanidade que via e ouvia o plano astral com a mesma naturalidade com que hoje se vê e ouve o plano físico, sem ainda ter desenvolvido o aparato mental capaz de separar as duas experiências.

Polarização Astral: Onde a Maior Parte da Humanidade Está Hoje

Bailey descreve, com uma honestidade notável, o próprio estágio evolutivo em que a maioria das pessoas vivas hoje se encontra:

‘as massas hoje estão inteira, mas inconscientemente, polarizadas naquele plano astral… hoje a maior parte dos seres humanos está polarizada nos níveis inferiores do plano astral, mas consciente no corpo físico… isso produz a maravilha e a dificuldade do momento presente.’

Ela situa ainda o próprio movimento evolutivo geral como uma transição gradual dessa polarização astral para uma polarização mental:

‘à medida que a raça avança rumo a uma polarização mental que será tão poderosa quanto a atual polarização astral da qual está emergindo.’

É uma confirmação valiosa para qualquer prática de leitura energética: reconhecer que a maioria das pessoas, mesmo as mais bem-intencionadas, ainda opera primariamente a partir do próprio corpo astral, não é um julgamento;

é, segundo Bailey, simplesmente uma descrição precisa do estágio evolutivo coletivo em que a humanidade se encontra.

O Plano Astral É Real? Uma Afirmação Radical

The Reappearance of the Christ traz uma afirmação que reformula tudo o que se costuma assumir sobre o plano astral:

‘a palavra glamour, a característica central do plano astral, nunca foi empregada corretamente…

o chamado plano astral é simplesmente o nome dado à soma total das reações sencientes, da capacidade de sentir, e da substância emocional que o próprio homem criou com tanto poder e projetou com tanto sucesso que hoje ele é a vítima daquilo que ele mesmo fez.

Oitenta por cento do que se ensina sobre o plano astral é, em si mesmo, parte da própria grande ilusão.’ 

Glamour: A World Problem leva essa mesma ideia a um extremo técnico ainda mais preciso:

‘não existe luz peculiar ou específica no próprio corpo astral, pois ele é apenas um agregado de formas, criado por cada indivíduo, por nações e por raças, e estas, em seu conjunto, constituem o plano astral e não possuem luz inerente como outras formas possuem.

Não foram criadas como forma de expressão para alguma vida dinâmica pelo Logos planetário, e este é o verdadeiro sentido do que já disse antes:

o plano astral, na realidade, não existe.

É a criação fantasmagórica do desejo humano ao longo das eras, e sua falsa luz é um reflexo da luz da matéria ou da mente.’

É uma das afirmações mais radicais de toda a obra de Bailey:

o plano astral não é um lugar objetivo que o ser humano simplesmente visita ou habita, como o plano físico;

é, segundo essa leitura, inteiramente constituído pela própria substância do desejo humano acumulado ao longo de eras, sem realidade independente de quem o criou.

Compreender isso não diminui a experiência real do sofrimento ou da emoção;

mas devolve ao próprio ser humano uma responsabilidade que nenhuma outra leitura confere:

o plano astral, em sentido literal, é aquilo que a humanidade, coletivamente, já construiu e continua a construir todos os dias.

Parte III: O Fenômeno do Glamour

O Que É Glamour

Glamour: A World Problem oferece a definição tecnicamente mais precisa de todo o fenômeno:

‘o glamour é astral em caráter, e é muito mais potente neste momento do que a ilusão, dada a enorme maioria de pessoas que funcionam astralmente o tempo todo.’

Bailey escolhe uma imagem física exata para descrevê-lo:

‘o glamour tem sido comparado a uma névoa ou neblina na qual o aspirante vagueia e que distorce tudo o que ele vê e contata, impedindo-o de jamais ver a vida verdadeira ou claramente, ou as condições que o rodeiam como elas essencialmente são…

ele caminha sempre numa névoa e não vê nada como realmente existe.

Ele é enganado pela aparência e se esquece daquilo que a aparência vela.’

Ela distingue ainda, com precisão tecnológica, o glamour de um simples pensamento-forma:

‘esta névoa, este glamour que envolve a humanidade neste momento, deve ser reconhecida como algo definido e substancial, e deve ser tratada como tal…

pensamentos-forma são dinâmicos, penetrantes, de contorno nítido e definido.

Glamours são sufocantes, vagos, envolventes.

Neles, a pessoa fica imersa como no oceano ou num mar de neblina.

Com pensamentos-forma, a pessoa é confrontada ou enfrentada, mas não imersa.’

E localiza a origem dessa potência numa antiguidade quase geológica:

‘o glamour astral é uma forma de energia, e uma energia de grande potência, devido a três fatores: é de um ritmo tão antigo, sendo inerente à própria substância astral, que é muitíssimo difícil para um ser humano tornar-se consciente dele ou compreendê-lo;

é o resultado da atividade secular do desejo humano.’

Os Cinco Tipos de Glamour

Bailey nomeia cinco glamours distintos que mantêm a humanidade em cativeiro:

‘os glamours que mantêm a humanidade em cativeiro são:

o glamour da materialidade;

o glamour do sentimento;

o glamour da devoção;

o glamour dos pares de opostos;

os glamours do Caminho.’

Ela detalha os dois primeiros com exemplos precisos:

‘o glamour da materialidade é a causa de toda a aflição mundial presente, pois o que chamamos de problema econômico é simplesmente o resultado deste glamour específico.’ E, sobre o segundo:

‘o glamour do sentimento mantém as pessoas boas do mundo em cativeiro, numa densa névoa de reações emocionais…

o amor, para muitas pessoas, para a maioria na verdade, não é realmente amor, mas uma mistura do desejo de amar e do desejo de ser amado, mais uma disposição a fazer qualquer coisa para demonstrar e evocar esse sentimento.’

Um detalhe particularmente útil para qualquer pessoa já avançada no próprio caminho:

‘a autopiedade é um dos principais glamours do homem avançado e sensível.

São as pessoas avançadas que mais contribuem para o glamour mundial.’

Bailey lista ainda, entre os glamours característicos de discípulos de Segundo Raio, os mais relevantes para qualquer trabalho de cura ou serviço:

‘o glamour do amor de ser amado.

O glamour da popularidade.

O glamour da sabedoria pessoal…

o glamour da autopiedade,

um glamour básico deste raio.

O glamour do complexo de Messias, no mundo da religião e da necessidade mundial.’

Glamour Individual, de Grupo e Mundial

Bailey descreve as camadas sucessivas em que qualquer pessoa está envolvida:

‘cada ser humano está parado dentro de um mundo envolvente de glamour que é o resultado de: seu próprio passado, com seu pensamento equivocado, desejos egoístas, e interpretação errônea dos propósitos da vida…

o glamour nacional, que é a soma total da vida de desejo, mais as ilusões, de qualquer nação…

o glamour racial, usando a palavra raça para significar a raça humana.’

Ela confirma ainda que esse fenômeno se intensifica em qualquer grupo:

‘as auras unidas dos membros do grupo sempre determinam a condição do grupo, sua atividade, utilidade, problema e glamour.

Daí emerge a responsabilidade individual de grupo, e a utilidade individual…

seus glamours pessoais unidos fornecem a porta aberta pela qual o glamour de grupo pode entrar.’

E, numa das análises geopolíticas mais diretas de toda sua obra:

‘a Alemanha focalizou em si mesma o glamour mundial, o mais potente e expressivo dos três aspectos do glamour.

O Japão manifesta a força da maya, a forma mais crua de força material.

A Itália, individualista e mentalmente polarizada, é a expressão da ilusão mundial.’

Como o Glamour se Dissipa

Bailey oferece tanto o princípio geral quanto uma fórmula prática concreta.

O princípio: ‘o glamour só pode ser dissipado pelo fluxo de luz clara e direcionada;

isso é verdadeiro tanto para a vida do indivíduo quanto para a humanidade como um todo… quando a luz entra, o glamour se dissipa.

A iluminação domina, e a visão da realidade pode ser vista.’

A fórmula prática, uma técnica de três etapas:

‘o poder da luz impede o aparecimento do glamour (nomeando-o).

O poder da luz nega a qualidade do glamour, impedindo-o de me afetar.

O poder da luz destrói a vida por detrás do glamour.’

E uma advertência honesta sobre o tempo que esse trabalho exige:

‘eu ressaltaria que o glamour nunca é dissipado imediatamente.

É de origem demasiado antiga.

Mas o uso persistente desta fórmula debilitará o glamour, e lenta e inevitavelmente ele desaparecerá, e o homem caminhará livre daquele obstáculo específico.’

O Papel do Discípulo em Dissipar o Glamour Mundial

Bailey situa o trabalho pessoal de qualquer discípulo dentro de um propósito muito maior:

‘como pode o glamour mundial ser dissipado, exceto por aqueles que o reconhecem pelo que é, e que já lutaram com ele em sua vida diária?…

através da atividade de tais grupos, o glamour mundial será dissipado, mas antes de tudo o aspirante precisa aprender a lidar com o glamour individual e de grupo.’

E projeta esse trabalho para o futuro:

‘o poder do esforço unido no plano físico é hoje reconhecido em larga escala…

o poder do pensamento unificado ainda é pouco compreendido, e o poder inerente à luz de muitas mentes, tornando-as instrumentos eficazes em assuntos mundiais, penetrando e dissipando o glamour e provando-se criativo no plano físico, será parte dos novos modos de trabalho empregados na nova era.’

Os Riscos Reais: do Plexo Solar à Magia Negra

Bailey nomeia um risco técnico específico de qualquer trabalho de grupo nesse campo:

‘será evidente para você que existem elementos de perigo neste trabalho.

A menos que os membros do grupo sejam extremamente vigilantes e cultivem o hábito da observação cuidadosa, podem sofrer de superestimulação do plexo solar.’

E, no extremo mais grave dessa mesma escala de risco, ela oferece uma das análises mais diretas já registradas em toda sua obra sobre o próprio mecanismo da magia negra:

‘é este poder que eventualmente produz um mago negro.

Ele desenvolveu a capacidade de recorrer à energia-luz da própria matéria e de focalizá-la de modo tão poderoso e eficaz que ela se torna uma grande força destrutiva.

É isto que deu a Hitler e aos seis homens maus associados a ele seu poder de destruir no plano material.’

É uma afirmação que Bailey registra como exemplo histórico concreto, não como metáfora:

o mesmo mecanismo de foco e potência que, bem direcionado, dissipa o glamour, pode, mal direcionado, produzir o oposto exato.

Parte IV: Glamour em Escala Mundial e Nacional

O Glamour Mundial e a Missão do Buda

Um dos achados mais impressionantes de toda esta pesquisa vem de The Externalisation of the Hierarchy, que identifica diretamente o próprio plano astral, em escala mundial, como o campo de trabalho de um dos maiores Avatares já reconhecidos pela tradição:

‘dentro do mundo do glamour, o mundo do plano astral e das emoções, apareceu um ponto de luz.

O Senhor da Luz, o Buda, empreendeu focalizar em Si mesmo a iluminação que tornaria eventualmente possível a dissipação do glamour.

Dentro do mundo da ilusão, o mundo do plano mental, apareceu o Cristo…

o Buda fez o primeiro esforço planetário para dissipar o glamour mundial;

o Cristo fez o primeiro esforço planetário para dissipar a ilusão.’

The Reappearance of the Christ confirma e amplia essa mesma divisão de trabalho, acrescentando uma leitura inesperada sobre a própria tentação do Cristo:

‘parte das três grandes tentações do Cristo no deserto se baseou nos três aspectos do glamour mundial: as ilusões que a mente cria, o glamour do plano emocional de experiência, e o labirinto das circunstâncias terrenas.’

E resume o próprio efeito histórico cumulativo dessas duas missões:

‘o glamour mundial será dissipado e a ilusão mundial será dispersa.

Dentro do mundo do glamour, o mundo do plano astral e das emoções, apareceu, séculos atrás, um ponto de luz…

a humanidade desiludida e desglamourizada, se posso usar tal termo, aguarda a revelação que se aproxima.’

O Corpo Astral das Nações

The Destiny of the Nations acrescenta um ângulo inteiramente novo a esta biblioteca:

o próprio corpo astral, em escala coletiva, pode ser atribuído a nações específicas, com consequências geopolíticas diretas.

Bailey compara duas potências europeias:

‘a França tem uma personalidade integrada, enquanto a Alemanha não;

a França é mental, enquanto a Alemanha é predominantemente astral;

a França é, portanto, essencialmente mais potente, e sua personalidade de Leão pode controlar com força em detrimento da futura compreensão mundial, ou sua alma pode controlar em favor dos propósitos da Hierarquia.’

Ela liga ainda esse padrão a um raio específico, historicamente associado ao plano astral:

‘você tem a história da atividade do sexto raio e de sua relação, durante os últimos séculos, com seu principal campo de expressão, o plano astral.’

Bailey nomeia ainda, com a mesma franqueza, o glamour específico de duas outras potências.

Sobre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos:

‘o problema do idealismo cambiante é grande, como já disse, e a tentação é se esconder detrás do glamour de lutar por um ideal, em vez de reagir à necessidade mundial, e deixar de reagir ao raio da alma, que é o segundo raio de amor.’

E sobre a Índia:

‘a Índia esconde a luz, e essa luz, quando liberada sobre o mundo e revelada à humanidade, trará harmonia ao aspecto forma;

as coisas serão então vistas claramente como são, e libertas do glamour e da ilusão;

essa luz harmonizadora é extremamente necessária à própria Índia.’

Ela acrescenta ainda uma observação sobre o próprio mecanismo coletivo desse glamour, aplicável a qualquer conflito ideológico mundial:

‘os planos, que corporificam esses dois ideais e objetivos diferentes, são levados para baixo, ao plano astral, e assim para o mundo do desejo…

há muito caos no plano do desejo, e o mundo de Arjuna hoje está sentado em perplexidade entre as duas forças ou campos opostos.’

O Corpo Astral em Escala Planetária

Bailey estende toda essa doutrina para além do indivíduo e da nação, descrevendo uma estrutura astral coletiva em escala de humanidade inteira:

‘os corpos astrais ou emocionais dos seres humanos, que constituem o corpo astral da humanidade como um todo, estão hoje num estado de caos, e são varridos por antigos desejos, antigas e profundas atitudes egoístas, e por antigos ódios.’

Ela situa ainda o próprio plano astral entre os três planos de ênfase através dos quais a Grande Invocação, já tratada em artigo próprio desta biblioteca, opera:

‘o plano lógico ou primeiro plano;

o plano búdico, ou intuicional;

o plano astral ou emocional.’ 

Esoteric Astrology confirma ainda a existência de um plano astral cósmico, distinto do plano astral meramente solar:

‘as quatro Hierarquias Criativas que já alcançaram a libertação encontram-se agora focalizadas no plano astral cósmico;

daí sua potência mesmo fora de manifestação.’

Parte V: Riscos e Doença

Riscos Reais: Obsessão e o Perigo de Forçar o Psiquismo

Letters on Occult Meditation oferece um levantamento clínico específico sobre os riscos astrais da prática espiritual apressada.

Sobre a obsessão:

‘outra causa se deve a razões emocionais.

Existe uma falta de coordenação entre o emocional e o físico, e quando o homem funciona no corpo emocional, como à noite, o momento de reentrada é acompanhado de dificuldade, e existe oportunidade para que outros seres entrem no veículo físico, impedindo sua ocupação pelo verdadeiro Ego.

Esta é a forma mais comum de obsessão, e afeta aqueles com corpos físicos poderosos e fortes vibrações astrais, mas com corpos mentais fracos.’

Sobre o perigo de forçar o desenvolvimento psíquico, Bailey é direta:

‘a tentação de forçar a questão, de prolongar a meditação, de experimentar certos métodos que prometem intensificação da faculdade psíquica, é forte demais.

Eles imprudentemente forçam as coisas, e um desastre terrível resulta… na meditação é literalmente possível brincar com fogo.’

Ela acrescenta uma advertência sobre o tempo necessário de reconstrução:

‘quando um homem começa a seguir o caminho da meditação oculta, leva quase catorze anos para reconstruir os corpos sutis, e incidentalmente o físico.

Durante todo esse período não é seguro mexer com o desconhecido, pois apenas o corpo físico muito forte e refinado, o corpo emocional controlado, estável e equilibrado, e o corpo mental devidamente estriado podem entrar nos planos mais sutis.’

Doença Mediada Pelo Astral: Nervos e as Doenças de Irritação

Esoteric Healing confirma que o corpo astral, não apenas o etérico ou o físico, é frequentemente o fator determinante de muitas doenças:

‘o corpo astral é, para a maioria da humanidade, o principal fator determinante a ser considerado.

É uma causa marcante de má saúde.’

Ela nomeia ainda uma categoria específica de doença, quase nunca discutida com esse grau de precisão:

‘as doenças de irritação… a irritação é uma queixa psicológica básica, e tem suas raízes na intensificação do corpo astral, que definitivamente produz efeitos anormais sobre o sistema nervoso.

É uma doença de interesse próprio, de autossuficiência e de autossatisfação.’

Bailey detalha por que essas condições são particularmente perigosas:

‘reduzem a vitalidade da pessoa a tal ponto que ela se torna suscetível à doença…

são tão altamente infecciosas do ponto de vista astral que diminuem, de maneira peculiar, a atmosfera astral…

porque as condições astrais de medo, preocupação e irritação são hoje tão disseminadas que poderiam ser consideradas epidêmicas, em sentido planetário.’

Parte VI: O Caminho da Iniciação

Purificação: Refinando o Corpo Emocional

Letters on Occult Meditation dedica uma seção inteira especificamente ao refinamento do corpo astral.

Bailey descreve primeiro sua natureza problemática:

‘o corpo emocional é simplesmente um grande refletor.

Toma cor e movimento de seu ambiente. Recebe a marca de cada desejo passageiro.

Contata cada capricho e fantasia em seu ambiente;

cada corrente o põe em movimento; cada som o faz vibrar, a menos que o aspirante iniba esse estado de coisas e o treine para receber e registrar apenas as impressões que vêm do nível intuicional, através do Eu Superior.’

Ela descreve o objetivo final desse refinamento com uma lista de qualidades notavelmente poética:

‘quieto, sereno, imperturbável, calmo, em repouso, límpido e claro, de qualidade espelhada, de superfície uniforme, um refletor límpido, um que transmite com precisão os desejos, as aspirações do Ego, e não da personalidade.’

Bailey oferece ainda uma instrução prática concreta:

‘cada aspirante deve descobrir por si mesmo onde cede mais facilmente a vibrações violentas, como medo, preocupação, desejo pessoal de qualquer tipo, amor pessoal por qualquer coisa ou pessoa, desânimo, sensibilidade excessiva à opinião pública;

então ele deve superar essa vibração, impondo-lhe um novo ritmo.’

E confirma que essa disciplina específica tem um marco iniciático próprio:

‘isso será eventualmente consumado na segunda grande iniciação, que marca a perfeição do controle do corpo das emoções.

Quatro pequenas iniciações encontram sua culminação na iniciação propriamente dita.

Estas são as iniciações no plano emocional, chamadas respectivamente as iniciações da terra, do fogo, da água e do ar, culminando na segunda iniciação.’

Poise Perfeito: a Maestria Astral do Curador

Bailey nomeia, entre as próprias regras de cura energética já tratadas noutro artigo desta biblioteca, o controle do corpo astral como requisito formal para qualquer curador sério:

‘poise perfeito indica controle completo do corpo astral, de modo que as convulsões emocionais são superadas, ou pelo menos grandemente minimizadas, na vida do discípulo… alcançado ao eliminar os puxões, os impulsos e as atrações da natureza astral ou emocional, e também pela prática da Indiferença Divina.’

Ela liga ainda essa maestria a um marco iniciático preciso:

‘o iniciado se libertou, após a segunda iniciação, das complexidades do controle emocional e astral.

O glamour não pode mais dominá-lo.

Ele pode permanecer firme apesar de tudo o que possa fazer ou sentir.’

As Duas Primeiras Iniciações Como Crises do Astral

Initiation, Human and Solar detalha, com uma precisão que nenhum outro livro desta biblioteca oferece, por que exatamente as duas primeiras iniciações giram em torno do corpo astral. Sobre a primeira:

‘na primeira iniciação, a do nascimento do Cristo, o centro cardíaco costuma ser o vivificado, com o objetivo de controlar mais efetivamente o veículo astral, e de prestar maior serviço à humanidade.

Depois desta iniciação, o iniciado é instruído principalmente nos fatos do plano astral; ele precisa estabilizar seu veículo emocional e aprender a trabalhar no plano astral com a mesma facilidade e desenvoltura com que trabalha no plano físico;

ele é posto em contato com os devas astrais; aprende a controlar os elementais astrais… Muitas vidas podem intervir entre a primeira e a segunda iniciação.’

Sobre a segunda:

‘a segunda iniciação constitui a crise no controle do corpo astral.

Assim como, na primeira iniciação, o controle do denso físico foi demonstrado, aqui o controle do astral é demonstrado de modo similar.

O sacrifício e a morte do desejo têm sido a meta do esforço.

O próprio desejo foi dominado pelo Ego, e só se almeja aquilo que é para o bem do todo, e na linha da vontade do Ego e do Mestre.

O elemental astral é controlado, o corpo emocional se torna puro e límpido, e a natureza inferior está rapidamente morrendo.’

E nomeia o próprio mistério revelado nesse ponto:

‘na segunda iniciação, o segredo do mar lhe é revelado, e através dessa revelação dois assuntos de profundo interesse se tornam claros à sua visão interior:

o mistério da luz astral;

e a lei do carma.’

Bailey descreve ainda, com precisão tecnológica, aquilo que o corpo astral deve aprender a captar nesse processo:

‘pelo processo árduo e estrênuo de controlar o corpo astral, de modo que ele se torne responsivo a três vibrações:

a que vem do Ego;

a que vem do Mestre;

e as que vêm de seus irmãos em todo lugar ao redor dele.’

E alerta sobre um risco real de desvio nesse caminho:

‘tantos estudantes se desviam nesses assuntos, e cultivam ou uma atitude mental que resulta na completa atrofia de toda a natureza física normal, ou se entregam a uma orgia de licença sob o pretexto específico de estimular os centros, assim fomentando o desenvolvimento astral.’

A Dissolução Final no Rule Eight

The Rays and the Initiations confirma, com a formulação mais técnica e definitiva de toda a bibliografia, o próprio destino final do corpo astral:

‘nos três mundos, a correspondência a este desaparecimento da forma do segundo aspecto divino, a alma, é a dissolução do corpo astral, o segundo aspecto da personalidade. Então a personalidade permanece livre de seu controle.’

E situa esse corpo, junto com o corpo causal, numa categoria ontológica precisa:

‘o corpo astral e o corpo causal ou da alma são, na linguagem do esoterismo, suplementares à realidade.

Tiveram uma realidade temporária durante o processo evolutivo, mas, tendo servido a seu propósito e tendo dotado o homem de certos ativos necessários, consciência, sentimento, sensibilidade, a capacidade de estabelecer e registrar contato, eles desaparecem, e o iniciado permanece, possuidor de poder sobre a forma e de uma consciência plenamente despertada.’

Parte VII: Retratos de Discípulos

Um Discípulo no Mar de Glamour

Discipleship in the New Age preserva uma sequência de cartas a um discípulo identificado apenas como C.D.P., cujo tema central, ao longo de quase uma década, é precisamente a relação entre o corpo mental e o corpo astral.

O instrutor observa, em 1933: ‘a integração entre seu corpo mental e seu corpo emocional ou astral tem sido muito pobre.

Ultimamente, você mudou essa condição, e sua mente e seu corpo astral estão agora integrados.

Reflita sobre o que isso significa, meu irmão.

Significa que seu corpo astral, que caminha no véu da ilusão, não será mais o fator dominante e decisivo em sua experiência, como tem sido até agora, mas que sua natureza mental passará cada vez mais a controlar.’

Anos depois, ele descreve a própria condição do discípulo com uma imagem memorável:

‘você não tem um glamour particular, pois vive num perfeito mar de glamour.

Daí a dificuldade de seu problema, pois se você tivesse, por exemplo, um glamour principal, seria, para alguém de sua devoção e capacidade mental, uma coisa relativamente fácil de derrubar.

Mas você se cercou de miríades de glamoures de nenhuma grande importância, que, em seu conjunto, tendem a fazê-lo caminhar continuamente numa névoa.’

Outros Discípulos, Outros Raios Astrais

Discipleship in the New Age, Volume II, preserva cartas a outros discípulos cujo trabalho astral específico ilumina facetas diferentes do mesmo problema.

A um discípulo identificado como F.C.D., o instrutor nomeia uma técnica disciplinar precisa:

‘falo de um isolamento astral, e não de uma recusa a encontrar e contatar a humanidade sofredora no plano físico.

Refiro-me a uma atitude assumida e mantida pela alma e pela mente em relação ao corpo astral, que lhe permite expressar aquela indiferença divina ao sentimento e ao sofrimento pessoal.’

A D.I.J., ele localiza a origem precisa de uma falha recorrente:

‘meu irmão, o raio de seu corpo astral é o primeiro;

a falha, debilidade ou pecado do corpo astral é a ilusão. Em seu caso, é a ilusão do orgulho, orgulho social, e dela você deve se livrar.’

A H.S.D., o aviso é mais grave:

‘seu corpo astral é de natureza do primeiro raio, e por isso o domínio potente que o glamour exerceu sobre você, um glamour herdado de três vidas anteriores… você se dispôs a lidar com o glamour;

na última vida, correu um grande risco de se desviar para o caminho da magia negra.’

A R.S.W., Bailey observa um progresso real ainda que parcial:

‘uma pessoa que foi controlada, astral e psiquicamente, pelo glamour do desejo egoísta e de objetivos materiais, terá dado um passo real adiante quando escapar para o glamour da devoção a um professor.’

E ao mesmo discípulo, uma descrição do próprio momento histórico do plano astral:

‘o plano astral está hoje num grande estado de tumulto… este tumulto é causado por uma crescente descida da energia do Cristo, do plano búdico para o plano astral, uma acumulação necessária de forças espirituais, de intensidade suficiente para criar um reservatório dessa energia do qual a Hierarquia poderá se valer conforme avança rumo à externalização.’

A P.G.C., o instrutor nomeia a disciplina correta como uma via de acesso direto:

‘você já percebeu que a obediência oculta, corretamente compreendida e aplicada, é a rota real através do plano astral, particularmente em relação ao glamour e às tendências de sexto raio, até o próprio coração da Hierarquia?’

E a D.H.B.: ‘este reconhecimento instintivo de uma falha, de uma qualidade, de uma tendência e, eventualmente, de uma revelação, é um dos primeiros passos que o discípulo dá rumo à transcendência do plano astral… a dissipação do glamour traz revelação.’

Parte VIII: Mecanismo, Infância e Transcendência da Emoção

O Corpo Astral Como Mecanismo da Alma

The Soul and Its Mechanism, o livro mais antigo e de orientação psicológica desta biblioteca, oferece um ângulo de vocabulário distinto, tratando o corpo astral como mecanismo, não apenas como corpo:

‘o homem exemplifica três.

Ele tem seu corpo físico, seu mecanismo emocional e seu corpo-mente, e consequentemente funciona em três planos, ou está desperto em três:

o físico, o emocional e o mental.’

Ela confirma a mesma lógica de autômato já registrada no artigo desta biblioteca sobre o corpo físico, agora estendida à emoção:

‘um reconhecimento do fato de que, assim como o corpo físico é um autômato, responsivo e controlado pelos desejos e pela natureza emocional, do mesmo modo esses estados emocionais de consciência, que vão do amor pela comida ao amor por Deus, podem ser controlados pela mente racional.’

E nomeia a técnica exata desse controle:

‘atenção ou concentração.

Isto é viver de modo unidirecional, e envolve também trazer a mente à atividade no lugar das emoções.

Assim, o homem emocional e físico são controlados pela mente focalizada.’

Da Emoção à Intuição: o Risco de Forçar

From Intellect to Intuition, que em nenhum momento usa a palavra ‘astral’, prefere falar de ‘natureza emocional’ ou ‘corpo do desejo e do sentimento’, tratando-os como sinônimos esotéricos exatos:

‘na natureza emocional, ou, na linguagem do esoterista, no corpo do desejo ou do sentimento, registramos a alegria, a felicidade, e a experiência do êxtase.’

Bailey descreve o duplo efeito, paradoxal, que o processo de iluminação produz sobre essa mesma natureza:

‘o efeito do processo iluminativo sobre a natureza emocional assume duas formas, e, por paradoxal que pareça, duas formas exatamente opostas.

Em alguns tipos, produzirá o aquietamento da natureza, de modo que todas as ansiedades e preocupações mundanas cessam, e o místico entra na paz que excede todo entendimento.’

E, sobre a verdadeira iluminação: ‘a verdadeira iluminação está relacionada ao intelecto, e deveria estar, em seu aspecto mais puro, inteiramente divorciada do sentimento.’

Ela nomeia ainda um risco físico concreto, ligado diretamente ao plexo solar:

‘nos tipos emocionais, o problema é sentido primeiro na região do plexo solar.

O estudante se vê propenso à irritação, à ansiedade e à preocupação;

também, particularmente no caso das mulheres, pode-se encontrar uma disposição a chorar com facilidade…

há uma relação estreita entre a natureza emocional e o estômago, como se evidencia pela frequência de vômitos em momentos de choque, susto ou emoção intensa.’

E conclui com uma advertência direta sobre o próprio risco de estimular essa natureza prematuramente:

‘como a maioria das pessoas funciona primariamente através das energias reunidas abaixo do diafragma, as energias sexuais e emocionais, sua estimulação é extremamente perigosa.

Diante disso, por que correr riscos?’

A Infância e a Educação do Corpo Astral

Education in the New Age acrescenta uma dimensão ausente de todo o resto desta pesquisa:

o próprio corpo astral da criança, e como ele deveria ser formado.

‘Se o corpo astral, emocional, é o centro da vida da personalidade, então o objetivo do processo educacional imposto ao sujeito será tornar a natureza mental o fator dominante, e o corpo astral se tornará então aquele que é impressionado por, e sensível a, condições ambientais, mas que está sob o controle da mente.’

Ela nomeia ainda a faixa etária exata em que essa prioridade se inverte:

‘antes de tudo, ao ensinar crianças até os quatorze anos de idade, é necessário ter em mente que elas estão emocionalmente focalizadas.

Precisam sentir, e sentir corretamente a beleza, a força e a sabedoria.

Não se deve esperar que racionalizem antes dessa idade, mesmo que demonstrem indícios de ter esse poder.’

Bailey descreve ainda a estrutura energética exata que conecta o corpo astral da criança ao restante de seu desenvolvimento:

‘do físico e do vital, considerados como unidade, ao veículo astral ou emocional.

Este fio emana, ou está ancorado, no plexo solar, e é levado para cima pela aspiração até se ancorar nas pétalas de amor do lótus egoico.’

E estende essa mesma lógica ao corpo astral da humanidade como um todo:

‘isto abriu um canal para que as pétalas de amor possam vitalizar o corpo astral da humanidade, levando à cooperação geral e ao amor de grupo.

O coração da humanidade está agora aberto à vitalização, daí os movimentos filantrópicos, de boa vontade e de bem-estar de hoje.’

Parte IX: Projeção, Morte e Destino Final

Projeção Astral e a Mecânica do Sono

A Treatise on White Magic oferece uma das explicações mais diretas e mais práticas já reunidas nesta biblioteca sobre o funcionamento consciente no plano astral durante o sono:

‘as pessoas tendem a esquecer que, toda noite, nas horas de sono, morremos para o plano físico e estamos vivos e funcionando em outro lugar.

Esquecem que já alcançaram facilidade em deixar o corpo físico…

o processo do sono diário e o processo da morte ocasional são idênticos, com a única diferença de que, no sono, o fio magnético ou corrente de energia ao longo do qual a força vital flui é preservado intacto, e constitui o caminho de retorno ao corpo.’

Bailey oferece ainda uma técnica prática concreta:

‘aprenda, ao adormecer, a retirar a consciência para a cabeça.

Isso deve ser praticado como um exercício definido ao adormecer.

Não se deve permitir simplesmente cair no sono, mas deve-se esforçar para preservar a consciência intacta até que haja uma passagem consciente para o plano astral.’

Ela descreve ainda os fenômenos comuns dessa transição:

‘muitas pessoas acordam com um sobressalto quase doloroso justamente quando adormeceram…

outras podem ouvir um estalo intensamente alto na região da cabeça…

outras verão luz ao adormecer, ou nuvens de cor, ou faixas e estandartes violeta.’

A Segunda Morte: Três Tipos de Eliminação

Esoteric Healing dedica um capítulo inteiro, chamado ‘A Arte da Eliminação’, ao próprio destino do corpo astral depois da morte física, um processo que ela nomeia diretamente como a segunda morte.

‘O campo de experiência é, em última análise, duplo, do ângulo da morte, e daí a expressão a segunda morte…

Fase Um: a morte do corpo físico-etérico…

Fase Dois: a rejeição dos veículos mental-emocional.

Estes formam, na realidade, apenas um corpo, ao qual os primeiros teosofistas corretamente deram o nome de corpo kama-manásico, ou o veículo de desejo-mente.’

Ela distingue três tipos de pessoas e seus três processos distintos de eliminação astral:

‘o kâmico elimina seu corpo astral por meio de atrito…

o kama-manásico elimina o corpo astral por meio de seu crescente desejo pela vida mental.

Ele se retira gradual e constantemente para o corpo mental, e o corpo astral, esotericamente, se desprende e finalmente desaparece…

o manásico dissolve qualquer sedimento astral que possa estar manchando seu corpo mental translúcido, fazendo isso através da invocação de luz crescente da alma.’

Bailey descreve o próprio mecanismo do atrito com clareza:

‘o corpo kâmico morre porque, não havendo chamado da substância física que evoca o desejo, não há nada com que alimentar esse veículo.’

E acrescenta, sobre a experiência de quem já morre consciente desse processo:

‘para o aspirante, a morte é uma entrada imediata numa esfera de serviço e de expressão à qual ele já está bem acostumado…

em suas horas de sono, ele já desenvolveu um campo de serviço ativo e de aprendizado.

Agora ele simplesmente funciona nele por vinte e quatro horas inteiras.’

A Hierarquia e o Psiquismo: Médiuns e Mediadores

Bailey distingue, com cuidado, duas formas de sensibilidade psíquica relacionadas ao corpo astral, uma delas considerada um estágio a ser superado, a outra um desenvolvimento desejável:

‘psiquismo superior, psiquismo inferior… positivo, negativo… inteligentemente aplicado, automático… mediação, mediunidade.’

Ela descreve ainda a mudança que considera necessária:

‘a mediunidade em transe, como é chamada, deve inevitavelmente ser substituída pela mediação oferecida por aquele homem ou mulher que é clarividente ou clariaudiente no plano astral, e que, portanto, em plena consciência desperta e com o cérebro físico alerta e ativo, pode se oferecer como intermediário entre os homens em corpos do plano físico… e aqueles que, tendo descartado seus corpos, estão isolados da comunicação física.’

Ela nomeia ainda um Mestre específico dedicado a esse trabalho:

‘o Mestre Hilarion está ativamente ocupado no campo da América, estimulando a percepção intuitiva de seu povo.

Ele tem sob observação todos os verdadeiros psíquicos…

controla e transmuta os grandes movimentos ativos que se esforçam para retirar o véu do mundo do invisível.’

Destino Final: um Corpo Fadado a Desaparecer

Chega-se, por fim, à afirmação mais extraordinária de toda esta pesquisa, aquela que distingue de forma mais radical o corpo astral dos outros dois já tratados nesta biblioteca:

ao contrário do corpo físico e do corpo etérico, que Bailey descreve como veículos a serem refinados e aperfeiçoados, o corpo astral é descrito como algo destinado, com o tempo, a desaparecer por completo. 

Telepathy and the Etheric Vehicle confirma:

‘o corpo astral estava condenado, em algumas gerações, relativamente falando, a desaparecer, e para H.P.B. em particular já era inexistente, devido ao ponto avançado de evolução alcançado por essa discípula.’

Ela detalha ainda o marco técnico exato dessa superação para qualquer discípulo:

‘ele aprende, enquanto pratica o alinhamento, a ultrapassar dois aspectos de si mesmo que até então foram de importância primordial:

o veículo astral e o corpo da alma ou corpo causal.

O corpo astral é assim ultrapassado antes da quarta iniciação, e o corpo da alma antes da quinta.’ 

The Rays and the Initiations, já citado na Parte VI a respeito do Rule Eight, confirma exatamente esse mesmo marco a partir de outro ângulo:

a dissolução do corpo astral como o correspondente, nos três mundos, ao próprio desaparecimento da forma da alma.

Esoteric Psychology confirma que essa superação não é um simples desaparecimento vazio, mas uma transmutação em algo mais elevado:

‘o sexto raio do corpo astral relaciona o homem ao seu raio monádico, e finalmente constituirá sua abordagem astral-búdica à vida, e será empregado quando ele tomar a quarta iniciação.’

É a mesma dualidade já reconhecida no artigo desta biblioteca sobre o vidente e o visto:

a sensibilidade astral, a capacidade de sentir e reagir que hoje parece tão central à experiência humana comum, não é descartada como inútil;

é, segundo essa leitura, o material bruto a partir do qual a intuição búdica, a faculdade ainda mais elevada, eventualmente se refina.

Parte X: Implicações Práticas

O Que Isso Muda na Prática Cotidiana de Leitura Energética

Reunir todo esse material devolve um mapa muito mais completo a qualquer pessoa que já trabalhe com sensibilidade energética:

reconhecer que a maioria dos clientes, e provavelmente o próprio terapeuta em maior ou menor grau, ainda está polarizada astralmente, não é motivo de julgamento, mas de compreensão precisa de onde a maior parte do trabalho real precisa acontecer.

Os riscos reais de obsessão e de desenvolvimento psíquico forçado merecem o mesmo respeito que os riscos físicos já tratados noutro artigo;

a disciplina de refinar o próprio corpo emocional até que se torne um espelho límpido, não um mar agitado, é, segundo Bailey, um trabalho técnico preciso, não apenas uma aspiração vaga de ‘estabilidade emocional’.

A fórmula de três etapas para a dissipação do glamour, nomear, negar a qualidade, destruir a vida por detrás, oferece algo raro nesta biblioteca:

uma técnica prática, concreta e repetível, aplicável tanto ao próprio glamour pessoal quanto, por extensão consciente, ao reconhecimento do glamour coletivo que qualquer cliente ou situação possa estar expressando.

E talvez o mais importante: o próprio corpo astral, por mais central que pareça hoje, não é permanente; é, segundo essa leitura, um estágio evolutivo específico, já superado por alguns, e fadado, com o tempo, a ser transmutado por todos.

Conclusão

O corpo astral, segundo Alice Bailey, é o mar de kama-manas, desejo tingido de mente, que a maioria da humanidade hoje habita como sua sede primária de consciência, herança de um estágio evolutivo específico, a época atlante, ainda não plenamente superado.

Tem sua própria composição, seu átomo permanente, seus dois raios, e um fenômeno próprio e tecnicamente definido, o glamour, que opera em escala individual, de grupo, nacional e mundial, com uma fórmula de dissipação precisa e riscos reais que vão da superestimulação do plexo solar à magia negra.

É o teatro central das duas primeiras iniciações maiores, cujas crises e mistérios dezenas de discípulos reais já atravessaram, cada um a partir do próprio raio astral.

Em escala planetária, constitui um corpo astral coletivo da própria humanidade e das próprias nações, cujo glamour foi endereçado, segundo Bailey, pela missão histórica do Buda.

E, diferente de seus dois companheiros já tratados nesta biblioteca, tem um destino final incomum entre os três:

não aperfeiçoamento indefinido, mas superação e transmutação final em intuição búdica, um corpo que, para os mais avançados da própria tradição, já deixou, segundo essa leitura, de existir.

Fontes diretas: The Light of the Soul, Livro I (‘The Problem of Union’, a definição de kama-manas), Livro II (‘The Steps to Union’, os discípulos lemuriano e atlante) e Livro III (‘Union Achieved and Its Results’, o plexo solar como órgão da natureza astral); Letters on Occult Meditation, Foreword (a definição tríplice), Carta III (‘Points Considered When Assigning Meditation’, o segundo período e o átomo emocional), Carta V (‘Dangers to be Avoided in Meditation’, a obsessão e os catorze anos de reconstrução) e Carta X (‘The Purification of the Vehicles’, o refinamento do corpo emocional e as quatro iniciações menores); A Treatise on Cosmic Fire (‘II. The Nature of the Permanent Atoms’ e ‘Division B – The Personality Ray and Fire by Friction’, o átomo permanente astral e seu raio, ‘Division E – Motion on the Physical and Astral Planes’, a subdivisão sétupla e o sentido do tato); A Treatise on White Magic (‘Salvation from Death’, a projeção astral e a mecânica do sono); Esoteric Psychology, Volume I (‘The Rays of Aspect and of Attribute’, ‘The Racial Rays’, ‘The Rays in Cyclic Manifestation’) e Volume II (a época atlante, a polarização astral, a fusão astral-búdica); Esoteric Healing, Capítulo I (o corpo astral como fator determinante, as doenças de irritação), Capítulo VI (‘The Art of Elimination’, a segunda morte) e Capítulo VIII (o poise perfeito); Discipleship in the New Age, Volume I (as cartas a C.D.P.) e Volume II, Seção Quatro (as cartas a F.C.D., D.I.J., H.S.D., R.S.W., P.G.C. e D.H.B.); The Consciousness of the Atom, Lecture VI (as raças-raízes); Esoteric Astrology (‘The Creative Hierarchies’ e ‘Spiritual Effects of the Zodiacal Constellations’, o plano astral cósmico e o simbolismo da água); The Externalisation of the Hierarchy (‘The General World Picture’, ‘Forces Behind the Evolutionary Progress of the Race’ e ‘Stages in the Externalisation of the Hierarchy’, o glamour mundial, a missão do Buda, o psiquismo superior e inferior, o Mestre Hilarion); Telepathy and the Etheric Vehicle (a condenação evolutiva do corpo astral, sua superação antes da quarta iniciação); Glamour: A World Problem, Seções Um a Três (a natureza e os tipos de glamour, a fórmula de dissipação, os riscos do plexo solar e da magia negra); The Rays and the Initiations (Rule Four, Rule Eight e Preliminary Remarks, os dezoito fogos, a dissolução final do corpo astral) e Section One (a consciência atlante, o corpo astral como mecanismo de transformação); Initiation, Human and Solar, Capítulos IV, IX, XVI e XIX (as duas primeiras iniciações como crises do astral, o mistério da luz astral, os riscos do desenvolvimento forçado); The Reappearance of the Christ, Capítulo Cinco (a natureza do plano astral, as tentações do Cristo, a missão do Buda); The Destiny of the Nations (o corpo astral das nações, o sexto raio e o plano astral, o glamour da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos e da Índia); Education in the New Age, Capítulos I e II (a educação do corpo astral da criança, o antahkarana, o corpo astral da humanidade); The Soul and Its Mechanism, Capítulo VII (o corpo astral como mecanismo da alma); From Intellect to Intuition, Capítulos Sete e Dez (a transcendência da natureza emocional, os riscos da estimulação prematura).

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