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A Evolução de um Logos Solar

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A Evolução de um Logos Solar

O Corpo Maior em que Vivemos

Uma leitura contemplativa do diagrama “Evolution of a Solar Logos”, à luz de A Treatise on Cosmic Fire e de outras obras de Alice A. Bailey

Legenda da imagem: Diagrama baseado em “Evolution of a Solar Logos”, de A Treatise on Cosmic Fire, de Alice A. Bailey, na versão colorida publicada como A.U.M. Chart VIII.

Prólogo: a analogia precisa ser perfeita

Alguns diagramas ilustram uma ideia. Este mostra um lugar: o lugar onde vivemos.

À primeira vista, ele parece distante de qualquer vida humana. Há triângulos, círculos, sete faixas horizontais, nomes em sânscrito e em inglês, linhas que descem de Vidas cósmicas até um pequeno círculo na base da página. É fácil olhar para ele como se olha para um mapa astronômico: com admiração e sem envolvimento. Este artigo propõe outra forma de olhar. Porque, lido com atenção, o diagrama não fala de algo que está lá fora. Fala do corpo dentro do qual a nossa própria consciência está crescendo.

No Tratado sobre Fogo Cósmico, Alice Bailey descreve três níveis de uma mesma lei. O primeiro é o homem, o microcosmo, a Mônada em manifestação. O segundo é o Homem Celeste, o Logos planetário, o grupo em manifestação. O terceiro é o Grande Homem dos Céus, o macrocosmo, o Logos Solar, em cujo corpo, o sistema solar, se manifestam todos os grupos e todas as evoluções.

E ela faz uma exigência que serve de chave para tudo o que vem a seguir: a correspondência entre o cosmos, o sistema e os três mundos precisa ser trabalhada com cuidado, porque a analogia deve ser perfeita.

Essa exigência não é um detalhe de método. É a razão pela qual vale a pena estudar a evolução de um Logos Solar. Se a analogia é perfeita, então o que vale para o Sol vale, em escala menor, para o ser humano; e o que acontece no ser humano acontece, em escala maior, no Sol. Estudar um é iluminar o outro.

Bailey leva essa ideia até o ponto mais íntimo. No início do mesmo Tratado, ao descrever o fogo que anima as formas, ela fala do “pequeno sistema” em que a Mônada, o espírito humano, é o logos. Cada ser humano, em outras palavras, é o centro de um pequeno sistema solar próprio: a sua Mônada está para os seus corpos assim como o Logos está para os planetas.

Este artigo percorre o diagrama de cima para baixo, como uma única descida. Não se trata de colocar o ser humano ao lado do Sol, como dois mapas paralelos. Trata-se de ver o ser humano dentro do Sol, como uma célula dentro de um corpo. E de entender por que isso muda a forma como vivemos, servimos e curamos.

O percurso tem cinco partes. Primeiro, o mapa inteiro, com a surpresa que ele contém. Depois, a descida, das Vidas cósmicas até a personalidade humana. Em seguida, o corpo do Logos, onde o sistema solar realmente está. Depois, a parte mais pessoal: por que isso importa. E, por fim, o caminho de volta, humano e solar, que obedece a uma única lei.

Parte I. O Mapa

A surpresa das sete faixas

O diagrama é dividido em sete grandes faixas horizontais: os planos cósmicos Adi, Monádico, Átmico, Búdico, Mental, Astral e Físico. É a primeira imagem que o leitor precisa guardar, porque ela contém uma surpresa que reorganiza todo o resto.

No Tratado sobre Fogo Cósmico, Bailey explica que o plano mais baixo de todos, o físico cósmico, é o único que a mente finita do ser humano consegue compreender de algum modo. E acrescenta, numa frase que convém ler devagar: os sete planos maiores do nosso sistema solar são os sete subplanos desse plano físico cósmico.

Pare um instante nessa frase. Tudo o que chamamos de espiritual está dentro da faixa mais baixa do diagrama. O plano da alma está lá. O plano da intuição e da unidade está lá. O próprio plano da Mônada, a centelha divina de cada ser humano, está lá. Todo o nosso universo interior, com toda a sua vastidão, com todos os estados de consciência que as tradições espirituais descrevem, é o corpo físico de uma Vida maior.

Não se trata de diminuir a vida espiritual humana. Trata-se de mudar a sua escala. O que para nós é o alto, para o Logos Solar é o chão onde Ele pisa. E isso sugere algo que a analogia confirma: se o nosso corpo físico é o veículo mais externo da nossa vida, o sistema solar inteiro é o veículo mais externo da vida do Logos. Por trás dele há planos de consciência, desejo e mente que não conseguimos sequer imaginar, e que o diagrama indica com as seis faixas acima.

Sete dentro de sete

Bailey observa ainda que esse plano físico cósmico existe em matéria diferenciada em sete qualidades, grupos, graus ou vibrações. Cada plano contém sete subplanos, e cada faixa do diagrama é, por sua vez, um setenário. A lei do sete se repete em todas as escalas.

Em Psicologia Esotérica I, ela aplica a mesma lei ao ser humano. Feito à imagem de Deus, o homem é um ser sétuplo, capaz de sete estados de consciência, expressão de sete princípios que lhe permitem conhecer os sete planos em que vive, com ou sem consciência disso. Ele é sempre um setenário. O seu objetivo, diz Bailey, é tornar-se consciente de todos esses estados, expressar todas essas qualidades e funcionar livremente em todos esses planos.

O mapa, portanto, é duplo desde o início. Cada faixa do diagrama é, ao mesmo tempo, um plano do cosmos e um estado possível da consciência humana.

Parte II. A Descida

1. Acima do Logos Solar

No topo do diagrama, no plano Adi cósmico, está um triângulo com o nome Parabrahman: o Absoluto, o Mistério anterior a toda manifestação. Não há nada a dizer sobre ele que não o diminua, e o diagrama o representa pela forma mais simples possível, um triângulo sem conteúdo.

Logo abaixo, no plano monádico cósmico, sete grandes círculos coloridos, cada um contendo sete triângulos menores: sete Logoi cósmicos, cada um contendo sete Logoi solares. O nosso Sol é um desses triângulos pequenos.

Bailey fala dessas Vidas com reserva, mas fala. No Tratado sobre Fogo Cósmico, ela descreve a mente universal como uma Entidade autoconsciente cujo corpo contém o nosso Logos Solar e certos outros Logoi solares, cujo fogo, calor e radiação abraçam outros sistemas solares e os unificam com o nosso, de modo que um único corpo vital forma a manifestação desse grande Ser cósmico. E acrescenta que vórtices de força no plano etérico cósmico formam a estrutura etérica de sete sistemas solares.

O nosso Sol, portanto, não está só. É um centro dentro de uma Vida ainda maior, assim como o ser humano é uma célula dentro do seu Logos planetário. A mesma lei, uma oitava acima.

2. A Ursa Maior

No plano búdico cósmico, o diagrama mostra sete grandes triângulos coloridos, ligados aos sete Rishis da Ursa Maior. Deles descem linhas pontilhadas até os sete Logoi planetários, lá embaixo, no plano físico cósmico.

Em Astrologia Esotérica, Bailey diz que a energia do primeiro raio, a Vontade, vem do Protótipo divino na Ursa Maior, e se transforma na força e na atividade do Logos planetário do primeiro raio. A vontade que move o nosso sistema solar tem a sua fonte fora dele. As linhas do diagrama traduzem essa ideia em imagem: o propósito desce das estrelas até os planetas.

3. O corpo causal de um Logos Solar

No plano mental cósmico aparece um único triângulo azul-escuro: o corpo causal de um Logos Solar. É talvez o elemento mais tocante do diagrama, porque mostra que o Sol tem uma alma.

Assim como o ser humano tem um corpo causal, um lótus nos níveis egoicos do plano mental, o Logos Solar tem o seu corpo causal no plano mental cósmico. E assim como a alma humana guarda o fruto de muitas vidas, o corpo causal do Logos guarda o fruto da sua longa experiência. É a mesma lei, na escala de um Sol.

4. O plano astral cósmico

A faixa do plano astral cósmico parece vazia no diagrama. Não é.

Bailey escreve que o pensador no plano astral, o plano do desejo e da necessidade, está para o corpo físico assim como o Logos no plano astral cósmico está para o seu sistema. E lembra que todos esses corpos, o de um homem, o de um Logos planetário e o de um Logos Solar, são produto de um desejo que se origina nos planos da mente abstrata.

O sistema solar existe porque uma Vida desejou manifestar-se. Toda a criação que conhecemos nasce de um anseio. E o ser humano, que também encarna por desejo, repete em pequena escala o gesto do Sol.

5. Dentro do plano físico cósmico

Chegamos à faixa mais baixa, e o diagrama se abre num grande círculo vermelho. Aqui estão os sete planos que conhecemos, cada um com o seu nome cósmico:

  • o plano Adi ou Logoico, primeiro éter cósmico;
  • o plano Monádico, segundo éter cósmico;
  • o plano Átmico, terceiro éter cósmico;
  • o plano Búdico, quarto éter cósmico;
  • o plano Mental, o gasoso cósmico;
  • o plano Astral, o líquido cósmico;
  • o plano Físico, o denso.

Os quatro planos superiores do nosso sistema são éteres. Do ponto de vista do Logos, eles são para Ele o que o corpo etérico é para nós: o corpo vital, a trama de energia que sustenta a forma.

No primeiro éter, o diagrama coloca os Três Logoi. Eles correspondem aos três aspectos que dão nome às três partes do próprio Tratado sobre Fogo Cósmico: o fogo elétrico do Espírito, o fogo solar da mente e o fogo por fricção da matéria. São o Pai, o Filho e o Espírito Santo. E o ser humano os reflete na sua própria constituição: a Mônada, a alma e a personalidade.

Bailey dá a essa correspondência um detalhe preciso. O fogo por fricção, diz ela, é no ser humano o fogo que anima a forma, que se mostra nos éteres e sustenta a personalidade em manifestação, permitindo que a unidade espiritual toque o plano da matéria mais densa. E o fogo ou centelha da mente é, no ser humano, a correspondência do fogo solar: é ele que constitui a unidade pensante e autoconsciente, a alma.

No segundo éter, o diagrama coloca os sete Logoi planetários, e entre eles uma pequena Mônada humana. Voltaremos a essa imagem, porque ela contém o segredo de todo o diagrama.

6. Os sete raios: a psique do Logos

Entre o Logos Solar e os seus planetas há uma estrutura que o diagrama sugere pelas cores: os sete raios. Cada Logos cósmico, cada Rishi da Ursa Maior e cada Logos planetário tem uma cor, e as cores se repetem de cima a baixo.

Em Psicologia Esotérica I, Bailey descreve os sete raios como a soma total da Consciência divina e da Mente universal. Eles podem ser vistos, diz ela, como sete entidades inteligentes por meio das quais o Plano se realiza. Simbolicamente, constituem o cérebro do divino Homem Celeste: correspondem aos ventrículos do cérebro, aos sete centros dentro do cérebro, aos sete centros de força e às sete glândulas maiores que determinam a qualidade do corpo físico. São os sete Sopros, que animam todas as formas criadas por Eles para cumprir o Plano.

Bailey acrescenta que essas sete Vidas estão plenamente conscientes do propósito e do Plano; estão, em suas palavras, sempre em profunda meditação. São a soma total de todas as almas do sistema solar. E todo ser humano, diz ela, é trazido à manifestação pelo impulso de algum raio, que colore a sua forma, indica o seu caminho e o leva, na terceira iniciação, a sentir e a cooperar com o propósito do seu raio.

No mesmo livro, ela diz que os Senhores dos raios criaram corpos de expressão, e assim surgiram os sete planetas. Mas as energias dessas sete Vidas não ficam presas aos seus planetas: percorrem todo o sistema solar, assim como as forças vitais, os desejos e as energias mentais de um ser humano percorrem todo o seu corpo, pondo os órgãos em atividade e permitindo que ele cumpra a sua intenção.

A analogia é dela, e é exata: o sistema solar é um corpo, os planetas funcionam nele como órgãos, e os raios são as correntes de vida que circulam por ele.

Bailey pede, porém, prudência. Ela lembra que existem dez planetas de expressão e apenas sete Vidas dos raios consideradas construtoras do sistema, e que a relação exata entre um raio e um planeta é um grande mistério, só revelado nas iniciações superiores. Por isso, diz ela, não se deve buscar agora a informação completa.

7. A descida humana

Dentro do grande círculo do plano físico cósmico, o diagrama traça a descida de uma única Mônada humana, do segundo éter até o corpo físico. É aqui que o diagrama deixa de falar do cosmos e começa a falar de cada um de nós.

A Mônada

Ela está no plano monádico, ao lado dos Logoi planetários, como se pertencesse ao mesmo nível. Em Psicologia Esotérica I, Bailey diz que o raio monádico de todo ser humano é sempre um dos três raios de aspecto: os filhos dos homens são mônadas de poder, de amor ou de inteligência. E acrescenta que todas as almas que estão nos quatro raios de atributo devem, depois da terceira iniciação, fundir-se com os três raios maiores. No mesmo livro, ela lembra que todas as mônadas humanas, trazidas à manifestação pela vontade e pelo desejo de algum Senhor de raio, fazem parte do corpo de manifestação desse Senhor.

A Tríade Espiritual

A Mônada se expressa pela Tríade Espiritual, que o diagrama representa como um triângulo aberto nos planos átmico e búdico. Em Os Raios e as Iniciações, Bailey descreve os seus três aspectos: o átmico, o mais alto, a que damos o nome inadequado de “vontade divina”; o búdico, o segundo; e a mente superior, o mais baixo. A Tríade se relaciona com a Mônada, diz ela, de modo muito parecido com o modo como a personalidade tríplice se relaciona com a alma.

O lótus egoico

No plano mental está a alma, o lótus de doze pétalas. Em Tratado sobre Fogo Cósmico, Bailey organiza as pétalas em três círculos: as pétalas do conhecimento, as pétalas do amor e as pétalas da vontade ou do sacrifício.

Esse lótus não foi construído pelo ser humano sozinho. Bailey diz que a individualização, o momento em que o ser humano se torna alma, acontece pela vinda dos Senhores da Chama, e que esse é o método principal em todo o nosso sistema solar. Os Anjos solares, os Agnishvattas, constroem as pétalas com a sua própria substância, uma substância energizada pelo princípio do “eu sou”. A alma humana nasce de um sacrifício.

O desabrochar do lótus também não é um trabalho solitário. Bailey descreve a abertura das pétalas como um processo de cooperação que envolve a própria Hierarquia. Ela menciona a cooperação do Mahachohan, do Chohan do grupo egoico da pessoa e do próprio Ego. E, ao falar das pétalas do sacrifício, baseadas no propósito inteligente e no amor puro, diz que a força desse grupo envolve o Manu e o Bodhisattva, o Ego plenamente desperto e o seu Mestre, e que, depois da segunda iniciação, o próprio Senhor do Mundo entra como fator: o poder mundial, expressando-se plenamente como amor.

Numa tabela do mesmo Tratado, Bailey liga as pétalas do amor ao Ego, o Anjo solar, e as pétalas do sacrifício à Mônada, o Pai no Céu. Quando todas estão ativas, diz ela, uma energia ainda mais alta pode ser sentida: a do centro no corpo do Logos planetário, que usa como ponto focal a Joia no Lótus. O lótus humano, no seu ápice, torna-se um ponto de contato com o corpo do Homem Celeste.

Em Discipulado na Nova Era I, Bailey liga as pétalas do conhecimento à garganta, as do amor ao coração e as do sacrifício à cabeça. E acrescenta uma advertência que vale para todo este estudo: esses detalhes têm interesse técnico, são puramente acadêmicos, e não passam de símbolos verbais de um processo evolutivo inevitável.

A personalidade

Por fim, a vida desce aos três veículos da personalidade: o mental concreto, o emocional e o físico. O diagrama os representa por dois círculos menores, na base.

É aqui que a descida se completa, e também onde começa a dificuldade. Em O Glamour, Bailey descreve o que acontece quando a alma, nas primeiras etapas da experiência, se identifica com as formas que usa: ela cai na rede da ilusão, porque se identifica com os seus veículos e deixa de se identificar consigo mesma. E quando o corpo emocional e o mental estão ambos ativos, diz ela, o próprio ser humano se torna um fabricante de glamour.

Mas ela acrescenta, logo depois, a frase que dá sentido a toda a descida: cada alma encarnada que consegue libertar a sua consciência do mundo da ilusão e do glamour está servindo a raça, e ajudando a libertar a humanidade dessa antiga servidão. A descida não é uma queda sem sentido. É o caminho pelo qual a alma aprende e, aprendendo, liberta os outros.

Parte III. O Corpo do Logos

1. Onde o sistema solar realmente está

Aqui Bailey faz uma afirmação que reorganiza o diagrama inteiro.

Assim como, no ser humano, o corpo denso, em seus três graus, sólido, líquido e gasoso, não é considerado um princípio, no sentido cósmico os níveis físico, astral e mental do nosso sistema são considerados inexistentes. O sistema solar, diz ela, tem a sua localização no quarto éter.

Em outras palavras: o verdadeiro corpo do Logos Solar não é feito da matéria que vemos, nem das emoções que sentimos, nem dos pensamentos que formamos. É feito de éter cósmico. O que chamamos de mundo físico, emocional e mental é, para Ele, o que o corpo denso é para nós: o nível mais externo, não o essencial.

Isso inverte a nossa perspectiva habitual. Tendemos a achar que o mundo sólido é o mais real, e que as dimensões sutis são abstrações. Do ponto de vista do Logos, é o contrário. O sólido, o líquido e o gasoso cósmicos, os nossos planos físico, astral e mental, são apenas o revestimento. A vida real do Sol está nos éteres.

2. Os planetas como corpos dos Homens Celestes

Os sete planetas sagrados, diz Bailey, são compostos da matéria desse quarto éter, e os sete Homens Celestes, cujos corpos eles são, funcionam normalmente no quarto plano do sistema, o búdico, o quarto éter cósmico.

E é nesse mesmo quarto éter cósmico, acrescenta ela, que estão os centros etéricos do Logos.

A imagem está completa. Assim como o ser humano tem centros de força no seu corpo etérico, o Logos Solar tem os seus centros no quarto éter cósmico. E os planetas sagrados, compostos dessa mesma matéria e animados pelos Homens Celestes, funcionam como centros no corpo do Sol.

Bailey acrescenta um detalhe que completa a analogia do corpo: em todos os três corpos, o humano, o planetário e o do Logos, existe um grande órgão que recebe o prana, a energia vital. A anatomia do Sol e a anatomia do ser humano seguem o mesmo desenho.

3. As duas quedas

Bailey acrescenta um detalhe que dá peso a tudo isso. Do ponto de vista do Logos, os Anjos solares no plano mental, o quinto subplano do plano físico cósmico, estão em encarnação física, e é a isso que se aplica o que se chama de “segunda queda”. A primeira queda, diz ela, se refere à tomada de uma forma de matéria etérica cósmica, como no caso dos Homens Celestes, que ela chama de protótipos das almas humanas. Os corpos que Eles usam são, do nosso ponto de vista, “sem forma”: são corpos vitais, animados pelo prana cósmico.

Entre o Logos e o ser humano há, portanto, uma cadeia de descidas. Os Homens Celestes que assumem corpos de éter cósmico. Os Anjos solares que descem ao plano mental para acender a alma humana, dando a própria substância. A Mônada que se reflete na alma, e a alma que se reflete na personalidade.

A evolução não começa conosco. Começa com Vidas que desceram para que pudéssemos subir.

Parte IV. Por que isso importa para você

Até aqui, o diagrama pode parecer apenas grandioso e distante. É neste ponto que ele se torna pessoal.

1. Uma célula num corpo maior

Bailey escreve que, quando o ser humano alcança a consciência do plano búdico, ele eleva a sua consciência à do Homem Celeste em cujo corpo é uma célula.

Leia de novo: uma célula. Cada ser humano é uma célula viva no corpo de um Logos planetário, que por sua vez é um centro no corpo do Logos Solar. A nossa evolução individual não é um projeto privado. É a vida de uma célula que desperta, e, ao despertar, contribui para a saúde e a consciência do corpo inteiro.

E ela vai além. Quando, pela evolução e pela iniciação, o ser humano alcança a consciência da Tríade Espiritual, passa a funcionar conscientemente no corpo etérico do seu Logos planetário. O plano búdico, que para nós é o plano da intuição e da unidade, é exatamente o plano onde os Homens Celestes vivem normalmente e onde estão os centros do Logos Solar.

Quando um ser humano desperta para a intuição verdadeira, ele não está apenas ganhando uma faculdade. Está começando a perceber o corpo maior do qual sempre fez parte.

2. O céu que é transcendido

Bailey dá um exemplo concreto dessa mudança de nível. O “devachan” dos livros ocultos, o estado de repouso e de alegria que a tradição descreve entre uma encarnação e outra, está ligado, diz ela, à consciência do corpo planetário do Logos e ao subplano gasoso do plano físico cósmico, ou seja, ao plano mental. Por isso, é transcendido no momento em que o ser humano começa a funcionar nos éteres cósmicos, como o quarto éter cósmico, o plano búdico.

Aquilo que muitas tradições chamam de céu é, na escala do Logos, apenas o nível gasoso do seu corpo físico. O verdadeiro despertar começa acima dele.

E, mesmo assim, esse estado tem uma função bela. No devachan, diz Bailey, o ser humano se ocupa das formas-pensamento que construiu, e ali molda e lapida as pedras que serão usadas na construção do Templo de Salomão. Entre uma vida e outra, cada um trabalha, sem saber, numa construção maior do que ele.

3. Quatro coisas que mudam

Olhar para a própria vida a partir desse diagrama muda pelo menos quatro coisas.

Muda a escala do sofrimento. A dor individual continua real, e não deve ser minimizada. Mas deixa de ser isolada. Ela acontece dentro de uma Vida maior, que também evolui, também enfrenta resistências e também caminha para a sua própria libertação.

Muda o sentido do serviço. Servir não é um gesto moral acrescentado à vida espiritual. É a função natural de uma célula que reconhece o corpo a que pertence. Uma célula saudável não serve ao corpo por obrigação: serve porque é o que ela é.

Muda o sentido da cura. Se o verdadeiro corpo, do ser humano e do Logos, é etérico, então trabalhar com o corpo etérico não é trabalhar na periferia da vida. É trabalhar no nível onde ela realmente se organiza. A cura energética, compreendida assim, não é uma técnica alternativa: é uma forma de cooperar com a anatomia real da vida.

Muda o sentido da mente. A mente humana, com toda a sua capacidade de análise e criação, não é uma conquista isolada da espécie. É um fogo acendido pelos Anjos solares, que deram a própria substância para que as almas nascessem. Usar a mente com orgulho é esquecer a sua origem. Usá-la com reverência é honrá-la.

Parte V. A Retomada: dois caminhos, uma lei

1. O caminho humano

O caminho de volta do ser humano tem uma ponte: o antahkarana. Em O Glamour, Bailey o descreve como a ponte em matéria mental que um dia ligará a Mônada e a personalidade. Até que essa ponte esteja construída, diz ela, a alma serve como veículo da impressão monádica.

No mesmo livro, ela descreve as cinco iniciações como cinco resoluções de uma dualidade:

  1. Na primeira, o discípulo resolveu as dualidades do plano físico e sabe impor a energia etérica, a mais alta das duas, à energia física.
  2. Na segunda, sabe escolher entre os pares de opostos e seguir com decisão pelo caminho do meio.
  3. Na terceira, usa a intuição para perceber corretamente a verdade, e tem o primeiro vislumbre real do Morador do Umbral e do Anjo da Presença.
  4. Na quarta, produz a unidade completa entre o aspecto superior e o inferior da alma, e vê o Morador do Umbral fundir-se no Anjo da Presença.
  5. Na quinta, e aqui, diz ela, as palavras falham, vê o Morador, o Anjo e a Presença fundidos numa síntese divina.

Em Os Raios e as Iniciações, Bailey acrescenta que na quarta iniciação o corpo causal, o veículo da alma no seu próprio plano, é destruído. O lótus que os Anjos solares construíram com a própria substância cumpriu a sua função, e a vida segue diretamente da Mônada.

Em Iniciação Humana e Solar, ela descreve o que a iniciação revela. A iniciação conduz ao monte de onde se tem uma visão: do eterno Agora, onde passado, presente e futuro existem como um; do cortejo das raças; da esfera dourada que mantém em uníssono todas as evoluções do sistema, dévica, humana, animal, vegetal, mineral e elemental, através da qual a vida pulsante pode ser vista batendo em ritmo regular; e da forma-pensamento do Logos no plano arquetípico. É uma visão, diz Bailey, que cresce de iniciação em iniciação, até abranger todo o sistema solar.

O caminho humano desemboca, portanto, exatamente no objeto deste artigo. Quem avança na iniciação passa a ver, com cada vez mais clareza, o corpo do Logos Solar.

E Bailey mede esse avanço em três escalas ao mesmo tempo. Um Mestre, diz ela, é aquele que recebeu a sétima iniciação planetária, a quinta iniciação solar e a primeira iniciação siriana ou cósmica. Cada passo do ser humano é, simultaneamente, um passo no planeta, no sistema solar e no cosmos. E ela acrescenta que cada iniciação produz uma unificação mais completa entre a personalidade e o Ego e, em níveis ainda mais altos, com a Mônada. O homem se une à Mônada na quinta iniciação, por meio do Senhor do Mundo; e se torna um com o Logos por meio de Alguém sobre Quem nada se pode dizer.

Há ainda um detalhe que liga diretamente o Sol à iniciação humana. Em Iniciação Humana e Solar, Bailey fala do Cetro de Iniciação usado pelo Senhor do Mundo, o Único Iniciador. Ele foi trazido de Vênus pelo Senhor do Mundo, e, uma vez em cada período mundial, é recarregado pela ação direta do próprio Logos do sistema solar. A iniciação humana, portanto, não é apenas um acontecimento planetário. Por meio desse Cetro, ela é tocada pela energia do Logos Solar.

2. O caminho solar

O Logos Solar também tem um caminho de volta, e Bailey o descreve na mesma linguagem.

Nos níveis etéricos, diz ela, o Logos repete, como uma grande totalidade, as experiências dos seus pequenos reflexos no plano físico. Coordena o seu corpo astral cósmico e alcança a continuidade de consciência quando domina os três éteres cósmicos.

É exatamente o que o ser humano faz em escala menor: coordenar os seus corpos, alcançar a continuidade de consciência entre eles, dominar os níveis sutis da sua própria constituição. O Sol está fazendo, na sua escala, o mesmo trabalho que o discípulo faz na sua.

E quando o Logos tiver expandido a sua consciência em níveis cósmicos, diz Bailey, poderá transcender a teia etérica logoica e escapar para além do anel-que-não-se-passa da sua manifestação objetiva. O Sol também tem uma libertação à sua frente.

3. A mesma lei, em três oitavas

Bailey pede que se trabalhe a analogia com precisão. Assim como o ser humano, para funcionar conscientemente no seu corpo etérico individual, precisa atravessar o que se chama de teia etérica, os fogos da iniciação produzem algo análogo no corpo etérico planetário e, por fim, no corpo etérico cósmico.

O ser humano atravessa a sua teia etérica. O Logos planetário atravessa a sua. O Logos Solar atravessa a dele. É a mesma lei, em três oitavas.

Em Iniciação Humana e Solar, Bailey dá a essa lei a sua imagem mais luminosa. Todo o sistema solar, diz ela, se expressa em termos de luz, e o processo de iniciação pode ser visto como aquele em que os diferentes pontos de luz, as centelhas humanas, são estimulados, têm a sua radiação e a sua temperatura aumentadas, e o raio da sua influência ampliado.

Cada ser humano que avança é um ponto de luz que brilha mais dentro de um corpo que é, ele mesmo, feito de luz. A analogia, como Bailey exigia, é perfeita.

Para contemplar

As perguntas a seguir não são de Bailey. São um convite para levar este estudo da leitura para a vida.

  • Se o que chamo de “espiritual” é, na escala do Logos, apenas o plano físico cósmico, o que muda na forma como encaro a minha própria busca?
  • Em que situações da minha vida ajo como uma célula que conhece o corpo a que pertence, e em quais ajo como se estivesse só?
  • A mente que uso todos os dias foi, segundo Bailey, acesa por um sacrifício. Como seria usá-la com essa lembrança?
  • Onde estou, hoje, preso a uma forma que já cumpriu a sua função, como o lótus que precisa ser destruído na quarta iniciação?
  • Se cada ponto de luz que brilha mais ajuda o corpo inteiro, qual é o pequeno gesto de luz que posso fazer hoje?

Conclusão: as duas mãos

O diagrama começa no Absoluto e termina num pequeno círculo no plano físico. Entre um e outro, uma descida imensa. E, no meio dela, uma Mônada humana, colocada entre os Logoi planetários como se pertencesse ao mesmo nível. De certo modo, pertence.

Em Psicologia Esotérica I, Bailey cita uma frase que resume este estudo: “Como Ele é, assim somos nós neste mundo”. Mas acrescenta, com honestidade, que isso ainda é apenas potencial. O objetivo da evolução, diz ela, é tornar real o potencial e expresso o que está latente. E o trabalho do esoterista é exatamente este: trazer à luz a qualidade oculta.

No mesmo livro, ela descreve o ser humano com uma imagem que poderia servir de legenda para todo o diagrama: um filho de Deus encarnado na forma, com uma mão segurando firme a rocha da matéria e a outra mergulhada num mar de amor. E cita uma antiga escritura. Quando a mão direita do homem da matéria agarra a flor da vida para si mesmo, a mão esquerda fica vazia. Quando a mão direita agarra o lótus dourado da alma, a esquerda desce em busca da flor da vida, mas não para fins egoístas. E quando a mão direita segura firme o lótus dourado e a esquerda segura a flor da vida, o homem descobre que é a planta de sete folhas que floresce na terra e floresce diante do Trono de Deus.

Essa é a lição do diagrama. Não é preciso escolher entre a matéria e o espírito, entre a vida humana e a vida cósmica, entre a célula e o corpo. A mesma vida desce do Absoluto até a forma para que a forma possa florescer na terra e, ao mesmo tempo, diante do Trono.

Olhar para a evolução de um Logos Solar não é fugir da vida humana para o cosmos. É o contrário. É descobrir que cada passo da nossa vida interior, cada escolha entre os opostos, cada despertar da intuição, cada gesto de serviço, acontece dentro de um corpo vivo maior, e o ajuda a despertar também.

Somos células de um Homem Celeste, dentro de um Sol que ainda está aprendendo a ser plenamente consciente. E aprendemos juntos.

Todas as referências a Alice A. Bailey neste artigo foram verificadas nos livros disponibilizados pela Lucis Trust em lucistrust.org/online_books.

➡️ Leia também: Os Sete Raios e o Mistério do Logos Solar

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