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O Curador que Não Precisa Tocar

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O Curador que Não Precisa Tocar

Um mergulho em Esoteric Healing, o livro mais denso de Alice Bailey

A cena que a medicina não tem palavras para descrever

Era 2017 ou 2018, não me recordo com precisão. O que recordo é a perna.
 
Um menino de dois anos e meio. A parte inferior da perna esquerda, no lado exterior, completamente tomada pela dermatite atópica. Os pais o trouxeram para uma conversa na saída da escola, depois de ficarem sabendo do que eu fazia. Eu vi a perna naquele dia. Meses de tratamento médico, medicação em curso, e a condição persistia sem recuar.
 
Eles perguntaram se eu poderia fazer alguma coisa.
 
Eu expliquei o que era o Pranic Healing. Ainda estava no início dessa jornada, tinha entrado em 2016. Abri o computador ali mesmo, busquei o protocolo de Pranic Healing para dermatite atópica, encontrei, e propus um plano: um mês de trabalho, três sessões por semana, acompanhamento semanal da evolução energética da criança.
 
Eles aceitaram.
 
E eu fiz todo esse trabalho à distância.
 
Nunca toquei a criança. Nunca estive no mesmo ambiente que ela durante as sessões. Havia um protocolo, uma intenção, um campo energético que eu aprendi a acessar e a trabalhar. Uma criança em outro lugar que eu nunca via durante o processo.
 
Pedi que mantivessem todo o tratamento médico em curso. O Pranic Healing era suporte energético, não substituição.
 
Depois de um mês de protocolo, dei um tempo como estava previsto. Duas ou três semanas depois, os pais entraram em contato. A perna do menino não tinha mais nenhuma marca da dermatite atópica.
 
Eles ficaram surpresos. Eu também.
 
Meses de tratamento alopático não tinham movido o quadro. Um mês de trabalho energético à distância transformou completamente a condição da pele de uma criança de dois anos e meio. Sem toque. Sem contato. Sem nada que a medicina convencional pudesse apontar como mecanismo de ação.
 
Havia um campo que eu aprendi a ler e a trabalhar. E esse campo respondeu.
 
Anos depois, estudando Esoteric Healing de Alice Bailey, publicado em 1953, encontrei a descrição técnica do que havia acontecido naquela tarde. Bailey não chamava de Pranic Healing. Chamava de cura esotérica. Mas o princípio era o mesmo, articulado com uma precisão que me fez parar.
 
A curadora não toca o corpo físico porque o corpo físico não é o campo de ação real.
 
O campo de ação real está num nível que as mãos não alcançam.
 
E isso muda absolutamente tudo sobre o que significa curar.

A medicina trata efeitos com maestria. O problema é que a doença não começa onde ela a encontra.

Existe uma pergunta que a medicina moderna nunca fez.
 
Não porque os médicos sejam negligentes. Não porque a ciência seja insuficiente. Mas porque a pergunta está fora do perímetro do que a medicina se propõe a investigar.
 
A pergunta é esta: onde a doença começa antes de aparecer?
 
A medicina encontra a doença quando ela já chegou ao corpo físico. Nomeia, classifica, trata. Com uma competência que seria impossível não reconhecer. Com instrumentos cada vez mais precisos, com protocolos cada vez mais refinados, com resultados que salvam vidas todos os dias.
 
Mas o que a medicina trata é sempre o destino da doença. Não a sua origem.
 
Bailey afirma algo que inverte completamente essa perspectiva. O corpo físico denso não é um princípio. É um automatismo. É o último veículo numa cadeia de quatro, e o que nele aparece como sintoma já passou por três campos antes de chegar ali. O corpo físico é o lugar onde a doença se torna visível, mensurável, nomeável. Mas não é o lugar onde ela começa.
 
Ela começa no campo que está imediatamente acima do físico: o corpo etérico.
 
E às vezes começa mais acima ainda, no corpo astral ou emocional, de onde desce ao etérico antes de alcançar o físico. Bailey é precisa sobre as proporções: noventa por cento das causas de doença física têm origem no astral e no etérico. Apenas cinco por cento no corpo mental. O corpo físico denso é responsável por uma fração mínima da sua própria condição.
 
Isso não é uma crítica à medicina. É uma questão de escopo.
 
A medicina trabalha com excelência dentro do seu campo de visão. O problema é que o campo de visão não inclui o campo onde a doença nasce. E porque não o inclui, ela chega sempre depois. Trata o que já se manifestou. Intervém no efeito. Busca resolver no último elo de uma cadeia sem tocar os primeiros.
 
O curador esotérico que Bailey descreve não entra em competição com a medicina. Bailey é explícita sobre isso ao longo de todo o livro: o trabalho esotérico é suplementar, nunca substituto. O médico trata o corpo físico com os instrumentos que tem, e isso é necessário e bom. O curador trabalha no campo que o médico não alcança.
 
E porque trabalha nesse campo, não precisa tocar o corpo que o médico trata.
 
O menino de dois anos e meio com dermatite atópica na perna estava sendo tratado pela medicina. A medicação estava em curso. O acompanhamento médico continuou durante todo o mês de trabalho energético. O que mudou foi o campo que estava por baixo da condição física que a medicina via e tratava. O Pranic Healing interveio onde a doença ainda era energia antes de ser pele inflamada.
 
O leitor que vier a ler o artigo seguinte desta série vai encontrar em profundidade onde a doença realmente nasce, no astral, no etérico, no mental. Este artigo mostra onde o curador intervém nesse sistema. E para isso é preciso entender o campo onde o trabalho realmente acontece.
 
Esse campo tem uma anatomia própria. E é mais preciso do que a medicina imagina.

O corpo que a medicina ainda não descobriu  e sem o qual não pode avançar

Quando Bailey descreve o corpo etérico, não está usando uma metáfora.
 
Está descrevendo um sistema com anatomia própria, com estrutura, com funções específicas, com pontos de entrada e saída de energia, com estados identificáveis e com consequências mensuráveis quando esses estados se desequilibram.
 
A medicina trabalha com o sistema nervoso, o sistema endócrino, o sistema circulatório, o sistema imunológico. Bailey descreve um sistema que precede todos eles e que os governa. Um sistema que a medicina ainda não reconhece oficialmente, mas sem o qual nenhum dos outros sistemas que ela conhece pode ser completamente compreendido.
 
Esse sistema é o corpo etérico.
 
É uma teia de linhas de força, de correntes de energia, que subjaz a todo o organismo físico e do qual o físico é literalmente a precipitação densa. Não existe uma única célula do corpo físico que não tenha sua contraparte etérica. Não existe um único órgão que não esteja sustentado e animado pela energia que flui através dos canais etéricos correspondentes.
 
E nessa teia há pontos de concentração de energia que Bailey chama de centros.
 
Sete centros maiores. Cada um localizado ao longo do eixo central do corpo. Cada um correspondendo diretamente a uma glândula do sistema endócrino. Cada um recebendo, processando e distribuindo um tipo específico de energia para os órgãos e sistemas da área do corpo onde está localizado. Vinte e um centros menores. Quarenta e nove ainda menores.
 
E depois os nadis.
 
Bailey descreve os nadis como a contraparte etérica de cada nervo do sistema nervoso físico. Se o sistema nervoso é o sistema de comunicação do corpo físico, os nadis são o sistema de comunicação do corpo etérico. Mas a relação entre os dois não é de igualdade — é de precedência. Os nadis não são o espelho do sistema nervoso. São o seu molde. Sua causa. Sua origem. O sistema nervoso físico é a precipitação densa de um sistema etérico que o antecede e o governa.
 
Bailey afirma algo que a medicina ainda não aceitou mas que terá que aceitar: a saúde dos nadis determina a saúde do sistema nervoso. E a saúde do sistema nervoso determina a saúde de praticamente tudo o mais.
 
Isso muda o que significa tratar o sistema nervoso.
 
Os centros existem em estados diferentes de desenvolvimento. Bailey descreve cinco: fechado, abrindo, ativo em duas direções, radiante e plenamente fundido. O estado em que cada centro se encontra num ser humano específico depende do seu ponto evolutivo, do seu Raio, da sua história de encarnações. E o estado dos centros determina diretamente quais doenças aquele ser pode desenvolver, em que área do corpo, com que intensidade e com que perspectiva de cura.
 
O curador que conhece esse sistema tem um mapa que o médico não tem.
 
Sabe onde está o centro que governa a área doente. Sabe em que estado provável esse centro se encontra. Sabe que tipo de energia é necessário, em que direção, com que intensidade. E sabe que qualquer intervenção no corpo físico, por mais competente que seja, não toca esse sistema.
 
Não é uma distinção de valor entre médico e curador. É uma distinção de campo. O médico trata o efeito com toda a sua competência. O curador trabalha na causa com todo o seu alinhamento. Bailey insiste que os dois precisam trabalhar juntos. Que a cura esotérica nunca substitui a medicina, suplementa.
 
E o campo onde o curador trabalha não requer toque.
 
Requer algo mais difícil do que toque. Requer a capacidade de perceber e de intervir num campo que os olhos físicos não veem e as mãos físicas não tocam, mas que é tão real e tão estruturado quanto o sistema nervoso que ele precede e governa.
 
O mapa está traçado. Agora é preciso entender o que acontece quando se percorre esse mapa do ponto errado.

Tratar a glândula sem trabalhar o centro é tratar a sombra sem mover o objeto

A endocrinologia é uma das conquistas mais sofisticadas da medicina moderna.
 
Décadas de pesquisa. Mapeamento minucioso das glândulas, dos hormônios que secretam, dos efeitos que esses hormônios produzem em cada sistema do organismo. A capacidade de medir, de intervir, de regular. Uma ciência que transformou o tratamento de condições que antes eram intratáveis.
 
E ainda assim, do ponto de vista de Bailey, a endocrinologia está trabalhando no elo errado da cadeia.
 
A cadeia que Bailey descreve começa muito antes das glândulas. Começa no Raio da alma, a qualidade de energia cósmica que anima aquele ser específico. O Raio da alma determina qual centro do corpo etérico é o mais ativo. Esse centro governa e vitaliza diretamente a glândula que lhe corresponde no sistema físico. A glândula secreta os hormônios que afetam a composição do sangue. O sangue afetado condiciona os órgãos. Os órgãos expressam a doença.
 
Cinco elos numa cadeia. A endocrinologia intervém no quarto.
 
Com toda a sua sofisticação, com todos os seus instrumentos, a endocrinologia produz efeitos. Regula o que pode regular. Mas sem tocar os três primeiros elos, o problema continua a ser alimentado pela raiz. A glândula volta a desequilibrar porque o centro que a governa continua no mesmo estado.
 
O curador esotérico trabalha no segundo elo. Às vezes no primeiro.
 
Mas há uma figura na história da humanidade que não precisava de nenhum tipo de intervenção porque todos os seus centros estavam perfeitamente alinhados com todas as sete energias planetárias.
 
Bailey afirma isso explicitamente no Capítulo IX de Esoteric Healing: o Cristo, sendo o mais verdadeiro expoente do segundo Raio já manifestado na Terra, foi o maior curador de todos os filhos de Deus. Não por intervenção divina arbitrária. Porque o sistema que os outros tentam curar estava, nele, em perfeito funcionamento. Todos os sete centros ativos. Todas as glândulas correspondentes em estado ideal. O sistema endócrino como expressão de um sistema espiritual completo.
 
O que os evangelhos registram como curas é o funcionamento pleno de um sistema que todos os outros seres humanos ainda estão desenvolvendo.
 
E Bailey inclui uma afirmação que é ao mesmo tempo a mais humilde e a mais ousada de todo o livro: como Ele é, assim podemos ser.
 
Não como aspiração religiosa. Como descrição de um processo. O desenvolvimento espiritual genuíno e sustentado produz progressivamente o alinhamento entre centros e energias planetárias que no Cristo estava completo. O resultado fisiológico desse alinhamento é um sistema endócrino que a endocrinologia sonharia estudar.
 
O curador que trabalha com os centros não está fazendo algo místico. Está trabalhando nos elos superiores da cadeia que a endocrinologia ainda não alcançou.
 
Está movendo o objeto, não apenas ajustando a sombra.

Não é o Raio que cura. É o amor dentro do Raio.

Existe uma tentação natural quando se aprende sobre os Raios.
 
A tentação de transformar o Raio em instrumento. De dizer: sou do segundo Raio, portanto usarei energia de segundo Raio para curar. De tornar o Raio uma técnica, algo que se aplica como se aplica um protocolo.
 
Bailey interrompe essa tendência com uma afirmação que está no coração do Capítulo IX.
 
Independentemente do Raio do curador, independentemente do Raio do paciente, independentemente da combinação de energias presente em qualquer situação de cura, o curador deve sempre trabalhar através do segundo subraio do seu Raio. O subraio do amor-sabedoria. E deve trabalhar através do aspecto amor, não do aspecto sabedoria.
 
Isso não é uma sugestão. É uma lei do trabalho de cura.
 
A razão que Bailey oferece é técnica, não sentimental. O amor tem uma capacidade que nenhum outro aspecto de energia possui: a capacidade de tudo incluir. Quando a energia do amor flui através de um curador alinhado com a sua alma, ela encontra automaticamente o que é necessário em cada situação. Não força. Não impõe. Ajusta-se com uma inteligência que vai além do que qualquer técnica pode alcançar.
 
A sabedoria pode errar o alvo. A vontade pode destruir. Bailey afirma isso com uma clareza que poucos textos espirituais ousam. A vontade sem amor, aplicada ao campo do paciente, pode causar dano real. Pode abrir o que não devia ser aberto. Pode estimular o que não devia ser estimulado.
 
Apenas o amor, como princípio de energia e não como emoção, é sempre seguro.
 
Bailey não está falando de empatia. Não está pedindo que o curador sinta compaixão pelo paciente, embora a compaixão seja necessária como qualidade humana. Está descrevendo uma qualidade de energia que flui através do curador quando ele está alinhado com a sua alma e não com a sua personalidade.
 
A personalidade quer curar. Quer ver resultado. Quer a confirmação de que funcionou.
 
A alma transmite. Não quer nada para si. E é exatamente essa ausência de vontade pessoal que torna o amor da alma o único instrumento verdadeiramente seguro nas mãos do curador.
 
E então Bailey completa com uma das afirmações mais libertadoras do livro: a cura genuína resulta sempre de três fatores.
 
O destino do paciente, determinado pelo karma e pela alma. O esforço da própria alma do paciente, que é o agente de cura mais poderoso que existe. E a contribuição do curador, que quando bem-sucedida produziu a confiança e o campo necessários para que a alma do paciente realizasse o que sempre soube que precisava realizar.
 
O curador não cura.
 
Cria as condições para que a cura seja possível. E a condição mais fundamental não é a técnica, não é o conhecimento dos centros, não é o domínio dos Raios. É o amor, limpo de vontade pessoal, limpo de necessidade de resultado, limpo de tudo que não seja a energia da alma fluindo sem obstáculos através de uma personalidade que aprendeu a sair do caminho.

O curador de luz e o curador das trevas usam a mesma técnica

Esta é provavelmente a afirmação mais perturbadora de todo o Capítulo IX de Esoteric Healing.
 
Bailey afirma que a Loja Negra cura. Que seus membros usam técnicas similares às do curador esotérico. E que nos planos físicos seus curadores são frequentemente mais eficazes do que os da Loja Branca.
 
Mais eficazes. No plano físico. Com técnicas similares.
 
O que separa os dois não é a eficácia imediata. Não é a habilidade técnica. Não é o resultado que o paciente experimenta a curto prazo. O que separa os dois é a orientação da alma e o elo da cadeia onde cada um intervém.
 
Os curadores da Loja Negra trabalham com os Raios da personalidade. Intervêm no plano físico porque é lá que operam. São potentes nesse nível exatamente porque a personalidade é o território que conhecem e que dominam.
 
Os curadores da Loja Branca trabalham com os Raios da alma. Intervêm em elos superiores da cadeia. E porque trabalham em níveis mais sutis, os resultados no plano físico chegam de forma menos imediata, menos dramática, às vezes menos visível no curto prazo.
 
Todo praticante de cura energética encontra essa questão mais cedo ou mais tarde: quando o resultado aparece rápido e dramático, isso é prova de alinhamento com a alma, ou é sinal de trabalho no nível da personalidade, que é naturalmente mais potente no plano físico? A resposta não é simples. E Bailey não a simplifica.
 
Mas Bailey inclui algo que transforma completamente o peso desta revelação: a proteção natural.
 
Os curadores das trevas são completamente incapazes de trabalhar com pacientes espiritualmente orientados. E igualmente incapazes de trabalhar através de curadores espiritualmente orientados. A alma voltada para a luz cria um campo que as forças que operam apenas no nível da personalidade simplesmente não conseguem penetrar.
 
Isso não é uma promessa mística de proteção divina. É um fato técnico.
 
O amor de que falamos na seção anterior não era apenas o princípio da cura. Era também o escudo do curador.
 
E aqui as duas técnicas fundamentais que Bailey descreve tornam-se mais claras na sua distinção.
 
A primeira Bailey chama de cura magnética. O curador usa a sua própria força vital, a vitalidade do seu campo etérico, para estimular e fortalecer o etérico do paciente. É a técnica mais comum, a mais acessível, e a mais suscetível ao erro de nível, porque a força vital da personalidade é fácil de mobilizar sem que a alma esteja presente. Quando a força vital do curador decresce, a cura decresce. O curador magnético energiza o paciente com o que tem. E o que tem é limitado.
 
A segunda Bailey chama de cura radiatória. O curador trabalha como canal da energia da alma. Não usa a sua própria força, transmite o que atravessa quando está alinhado. Não se esgota porque não está dando o que é seu. Está sendo o ponto de passagem de algo que vem de um nível que não depende da sua vitalidade pessoal. Bailey aponta esta como a técnica do futuro da cura esotérica.
 
A diferença não é de habilidade. É de identidade.
 
O curador magnético age a partir da personalidade, mesmo que com boa intenção. O curador radiatório age a partir da alma, mesmo que com resultados inicialmente menos dramáticos. E é precisamente por isso que o segundo é seguro onde o primeiro pode inadvertidamente errar.
 
E aqui a construção de caráter que o artigo que sucede este na série descreveu como a principal forma de evolução espiritual encontra sua aplicação mais direta: é exatamente o processo de adequação progressiva da personalidade à alma que vai transformando o curador magnético em curador radiatório. Não é um salto de habilidade. É um resultado de desenvolvimento.

O que o curador faz antes de curar e por que isso é mais importante do que a cura

Há uma cena que Bailey descreve e que inverte completamente o que a maioria das pessoas imagina quando pensa num curador energético.
 
Não é a cena do curador em ação. É a cena do curador antes de agir.
 
Bailey afirma que o curador genuíno, antes de qualquer ato de cura, deve dedicar um mínimo de cinco horas de preparação. Não cinco horas de meditação contínua. Cinco horas de estudo silencioso e cuidadoso. Estudo do paciente, da natureza da doença, da sua localização no corpo físico, do centro etérico envolvido, da gravidade da condição, da condição psicológica do paciente, e dos Raios do paciente quando possível, porque condicionam completamente a abordagem.
 
Cinco horas de preparação antes de sentar em silêncio a alguns metros de alguém e não tocar ninguém.
 
Esse detalhe sozinho diz mais sobre o que é a cura esotérica do que qualquer descrição de técnica. Não é inspiração repentina. Não é dom inato que se expressa sem esforço. É uma combinação de conhecimento, alinhamento e presença que precisa ser deliberadamente construída antes que qualquer energia seja movida.
 
E a técnica que Bailey descreve é ela própria uma construção deliberada.
 
O curador forma dois triângulos de energia antes de qualquer ato de cura.
 
O primeiro triângulo, o triângulo primário, é formado no campo do próprio curador. A alma do curador conecta-se com o veículo mais apropriado dentre os seus corpos inferiores, escolhido por estar na linha de energia 2-4-6, o subraio do amor. Esse veículo conecta-se então com o centro correspondente no corpo etérico do curador, preferencialmente o centro do coração.
 
O segundo triângulo, o triângulo secundário, é formado dentro do próprio corpo etérico do curador. O centro da cabeça, que é o ponto de recepção. O centro ajna, que é o ponto de distribuição direcionada. E o centro que corresponde ao Raio da alma do curador, que é o ponto de qualificação da energia.
 
Esses dois triângulos precisam ser conectados num ato que Bailey chama de ato de deliberação. E sobre esse ato Bailey diz algo ao mesmo tempo honesto e desconcertante: é parte da técnica que ela está retendo. Não porque queira criar mistério. Porque nas mãos de quem ainda não está preparado, poderia causar dano.
 
O leitor não recebe a fórmula completa. Recebe a estrutura.
 
E a estrutura já é suficiente para compreender algo essencial: o trabalho do curador acontece inteiramente antes do que chamamos de cura. Os dois triângulos, formados e conectados antes da intervenção, são a cura. O que vem depois é a expressão de algo que já foi construído no campo do curador.
 
Bailey então apresenta a Regra VI, que é a instrução operacional mais direta de todo o livro.
 
O diagnóstico cuidadoso da doença, baseado nos sintomas externos, deve ser completado primeiro. Uma vez identificado o órgão ou área afetada, o centro no corpo etérico mais próximo a esse órgão recebe a atenção do curador. E o tratamento aplicado nesse centro é feito sem que os métodos médicos ou cirúrgicos comuns sejam abandonados.
 
Suplementar. Nunca substituto.
 
Isso não é modéstia editorial. É Bailey. É a instrução do próprio sistema que estamos descrevendo. E ela define com precisão o que a cura esotérica é e o que não é.

O que Bailey descreveu em 1953, o Mestre Choa Kok Sui sistematizou como protocolo

O Pranic Healing não nasceu no vácuo.
 
O Mestre Choa Kok Sui era, desde jovem, um estudioso voraz das tradições esotéricas. Mergulhou em múltiplas fontes, tanto ocidentais quanto orientais, construindo ao longo de décadas uma compreensão ampla e profunda dos princípios que governam a energia, a consciência e a cura. Entre essas fontes estava a tradição esotérica ocidental — e dentro dela, os ensinamentos de Alice Bailey ocupavam um lugar de referência.
 
Não foi um estudo superficial. Foi um estudo de base.
 
E quando o Mestre Choa sistematizou o Pranic Healing, esse corpo de conhecimento estava incorporado no trabalho. Não como citação direta ou como reprodução de um sistema específico, mas como parte do substrato do qual emergiu um protocolo rigoroso, testado, verificável e ensinável.
 
O que é notável é como os princípios que Bailey articulou em 1953 aparecem traduzidos em prática concreta no sistema que o Mestre Choa desenvolveu.
 
O escaneamento antes de qualquer energização: o reconhecimento de que o campo etérico precisa ser lido antes de ser tocado. Bailey descreve isso como o pré-requisito de qualquer ato de cura, conhecer a condição do centro antes de direcionar qualquer energia a ele.
 
A limpeza antes da energização: a remoção do prana doente antes de introduzir energia nova. A intuição de que adicionar energia a um campo congestionado sem primeiro limpar o que está perturbando pode agravar a condição em vez de aliviá-la. Bailey descreve esse princípio ao longo dos capítulos sobre o corpo etérico: o congestionamento é tão danoso quanto a depleção.
 
A não-imposição direta das mãos sobre o corpo físico do paciente: o reconhecimento de que o campo etérico é alcançado sem que o curador precise tocar o físico. O campo de ação real está naquele espaço invisível mas palpável que o Pranic Healing aprende a perceber e que Bailey descreve como a teia de linhas de força que subjaz ao físico.
 
O protocolo de preparação do curador: o estado de ser que precede o ato. Bailey pede cinco horas de estudo e alinhamento. O Pranic Healing pede purificação, intenção, oração. São formulações diferentes do mesmo entendimento — o que o curador é quando começa importa mais do que o que faz enquanto trabalha.
 
A convergência entre os dois sistemas não é acidental. Parte de um mesmo corpo de conhecimento que o Mestre Choa investigou, aprofundou e traduziu em protocolo prático acessível a qualquer pessoa disposta a aprender.
 
Bailey descreveu a estrutura. O Mestre Choa construiu a escada.
 
E há uma fronteira que esse entendimento inevitavelmente alcança.
 
O curador que compreende que a cura é uma colaboração com a alma do paciente chega a uma pergunta que a medicina nunca foi capaz de formular: quando a alma do paciente não escolhe curar, quando o campo fecha, quando a transição é o que está acontecendo, o que significa curar? O que faz o curador quando a alma decide partir?
 
Essa é a pergunta que o artigo anterior desta série responde.

Curar não é fazer. É ser.

Voltemos à sala.
 
Um paciente deitado. Um curador sentado a alguns metros. Silêncio. Nenhum instrumento. Nenhum toque. Nenhuma palavra.
 
Agora sabemos o que está acontecendo nessa sala.
 
O curador passou horas estudando a condição do paciente antes de sentar. Formou dois triângulos de energia no seu próprio campo. Alinhou-se com a sua alma, não com a sua vontade de curar, não com a sua necessidade de resultado, mas com a energia da alma que flui através de uma personalidade que aprendeu a sair do caminho. Está transmitindo através do subraio do amor, porque o amor é o único aspecto de energia que se ajusta automaticamente ao que é necessário sem forçar, sem impor, sem decidir por si mesmo o que o outro precisa.
 
Não está tocando o corpo físico porque o corpo físico não é o campo de ação.
 
Está trabalhando nos elos superiores de uma cadeia que a medicina alcança apenas pelo quarto. Está intervindo onde a doença ainda é energia, antes de ser sintoma, antes de ser diagnóstico, antes de ser nome.
 
E a perna de uma criança de dois anos e meio, em outro lugar, sem nenhuma conexão física com este curador, responde.
 
Porque o campo responde.
 
O curador que faz esse trabalho não é um ser especial com dons que outros não têm. É um ser que aprendeu a estar no lugar certo, no nível certo, com o instrumento certo. Não as mãos. A alma. Não a vontade de curar. O amor que flui quando a vontade de curar foi largada.
 
Bailey descreve isso em 1953. O Mestre Choa Kok Sui sistematiza décadas depois. A criança de dois anos e meio é a prova mais simples e mais concreta de que algo real está sendo descrito.
 
O curador não precisa tocar porque o campo onde a cura acontece está além do toque.
 
E quando o curador compreende isso, o silêncio naquela sala não é ausência de ação.
 
É onde toda a ação já aconteceu.
 
Este é o terceiro artigo de uma série de quatro sobre Esoteric Healing, de Alice Bailey. O artigo anterior explora A Arte de Morrer. O artigo que sucede este revela O Ser Humano que Bailey Revelou. E o primeiro desta série mergulha na Raiz Invisível da Doença.

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