Pular para o conteúdo principal

Fleur du Cristal

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Kama-Manas: a Mente de Desejo Segundo Alice Bailey

Kama-Manas-a-Mente-de-Desejo-Segundo-Alice-Bailey

Kama-Manas: a Mente de Desejo Segundo Alice Bailey

Introdução

Entre o corpo emocional e o corpo mental, Bailey não traça uma linha limpa.

Ela descreve uma zona de mistura, onde o desejo pensa e o pensamento deseja, e dá a essa zona o nome sânscrito que a teosofia já usava: kama-manas.

Kama é desejo;

manas é mente.

O termo composto nomeia o lugar onde vive a maior parte da humanidade hoje, e Bailey volta a ele em quase todos os seus livros, da cosmologia de A Treatise on Cosmic Fire às instruções sobre a morte em Esoteric Healing. Este artigo reúne o que ela ensina sobre essa mente de desejo:

como ela se forma, por que Bailey a considera o corpo mais importante do homem nos três mundos, de que modo ela produz o glamour e como o aspirante passa, aos poucos, a viver a partir da mente.

Dois Corpos que Funcionam como Um

Numa nota de A Treatise on Cosmic Fire, Bailey define o termo com sobriedade:

kama-manas é “aquela mistura do elemento mental e do elemento de desejo que forma a personalidade ou a inteligência cerebral comum do homem.”

Em Esoteric Psychology, Volume I, a definição fica ainda mais simples:

“Essa expressão significa simplesmente uma mistura de desejo-sentimento-mente inferior, uma síntese curiosa que caracteriza o homem médio de hoje e conduz ao seu complicado problema.”

A tradução corrente nunca a satisfez inteiramente.

Em Esoteric Astrology, ela fala daquilo “que as antigas Escrituras hindus chamam de kama-manas, inadequadamente traduzido pelas palavras mente-desejo.”

E em Esoteric Healing é taxativa quanto à unidade do que parece duplo: os veículos mental e emocional “formam, na realidade, apenas um corpo; a ele os primeiros teosofistas deram (corretamente) o nome de ‘corpo kama-manásico’, ou o veículo de desejo-mente.”

Por que tratar como um só corpo aquilo que os diagramas separam em dois?

A resposta está numa passagem técnica sobre o equilíbrio das forças na personalidade.

O veículo astral, escreve Bailey, “é o ponto de unificação das energias; é o campo de batalha onde as dualidades se ajustam umas às outras e o equilíbrio é alcançado.

Esta é a ideia subjacente quando se usam as palavras corpo ‘kama-manásico’, porque durante dois terços da jornada do peregrino esse corpo serve a um duplo propósito.

É apenas durante o estágio posterior que o homem diferencia entre vontade e desejo, e entre seu corpo mental e seu corpo de desejo.”

Dois terços da jornada. Durante a maior parte da evolução humana, querer e pensar chegam juntos, e quem os vive ainda não distingue um do outro.

Como a Mente Acende o Desejo

Bailey descreve o mecanismo com precisão numa das instruções de Discipleship in the New Age, Vol. II. A sensibilidade emocional existe em todos os reinos da natureza, mas só no ser humano a mente começa a atuar sobre ela, e é desse encontro que nasce o desejo:

“Esta é a ideia subjacente à expressão encontrada com tanta frequência nos livros teosóficos, kama-manas, desejo-mente, pois todo sentimento-emoção inevitavelmente evoca desejo.

Se a emoção evocada pelo reconhecimento que a mente faz do sentimento (registrado no corpo astral) é prazerosa, então é evocado o desejo pela continuidade ou pela repetição da experiência.

Se não é prazerosa, mas dolorosa, então a reação é o desejo de que a experiência cesse e, portanto, de libertação dela.”

São dois movimentos que qualquer pessoa reconhece em si: segurar o que agrada, afastar o que dói. Bailey vê neles a primeira forma de um impulso que vai muito longe:

“Este é o desejo humano básico, que conduz ao desejo de libertação (no primeiro e mais antigo caso) do útero para a vida no plano físico, e daí até aquele grande desejo final, que é o de libertação para a vida em si.”

O comentário a Patanjali em The Light of the Soul estende o alcance desse mecanismo a tudo o que a personalidade faz:

“Toda atividade na natureza inferior é resultado de kama-manas, ou da mente tingida de sentimento, da vontade-desejo do homem inferior.”

Até a memória obedece a ele. Entre os tipos de lembrança que o comentário enumera estão as “imagens kama-manásicas (ou de desejo-mente inferior) de desejos passados e de sua gratificação”, e o exemplo escolhido é deliberadamente desconcertante:

“Isso permanece igualmente verdadeiro para a memória de um homem guloso, por exemplo, e sua imagem latente de um jantar satisfatório, e para a memória do santo ortodoxo, baseada em sua construção de imagens de um céu alegre.”

O jantar e o paraíso, na mesma frase. A matéria do desejo é a mesma; muda apenas o objeto.

A Névoa ao Redor de Cada Aura

Quase tudo o que a humanidade pensa, segundo Bailey, ainda é pensado nessa substância mista.

“A energia exercida pelos homens é, em sua maior parte, kama-manásica, ou desejo associado à mente inferior, com uma preponderância, como era de esperar, da força do desejo.”

Em outra passagem de A Treatise on Cosmic Fire, ela descreve as formas-pensamento em circulação como “agregações de matéria, construídas em forma com o auxílio de kama-manas (ou do desejo levemente tingido de mente, produzindo assim uma mistura de matéria astral e mental, sobretudo astral)”.

O resultado tem uma imagem visível para quem enxerga os planos sutis.

Um dos dois desenvolvimentos que Bailey anuncia para a raça é “a dissipação gradual das massas indefinidas de matéria kama-manásica que cercam praticamente cada unidade da família humana, produzindo uma condição de turvação e névoa dentro e ao redor de cada aura.

Gradualmente isso se dissipará, e os homens serão vistos cercados de formas-pensamento nítidas, caracterizadas por uma vibração distintiva”.

Há um paradoxo nisso, e A Treatise on White Magic o enfrenta.

Formas de desejo são fluidas e mudam de contorno; por isso mesmo fazem menos estrago do que fariam se fossem nítidas.

“Seu efeito é sentido em grande parte pelo criador dessas formas kama-manásicas, e não por seus associados ao redor.

No momento em que o fator mente entra e se torna dominante, nesse momento o homem se torna perigoso ou útil, conforme o caso.”

Kama-manas também tem um dom. Bailey situa ali a origem da imaginação:

“A imaginação é kama-manásica em sua origem, não sendo nem puro desejo nem pura mente, e é um produto puramente humano, superado pela intuição nos homens perfeitos e nas Inteligências superiores da Natureza.”

Em The Rays and the Initiations, ela acompanha o destino dessa faculdade, que vai “se tornando progressivamente uma faculdade criativa mais elevada à medida que o desejo se desloca para estados cada vez mais altos e conduz a realizações cada vez mais altas.”

O Corpo Mais Importante do Sistema Solar

Entre as tarefas do discípulo, Initiation, Human and Solar inclui uma que surpreende quem esperava ver a mente no centro:

“Ele tem também de estudar o corpo kama-manásico (corpo de desejo-mente).

Isso é de real interesse, pois ele é, em muitos sentidos, o corpo mais importante do sistema solar, no que diz respeito ao ser humano nos três mundos.”

A razão aparece em A Treatise on Cosmic Fire, e ela muda o modo de olhar para o desejo.

Ao descrever o período intermediário da evolução humana, Bailey escreve:

“Este é o período kama-manásico, e como esse corpo é a única esfera completa no homem inferior tríplice, é o corpo inerentemente mais poderoso, pois ele encarna (como o sistema solar) o aspecto coração, ou a natureza amorosa embrionária, que é o objetivo da evolução macrocósmica e microcósmica desenvolver.”

O desejo, nessa leitura, é amor ainda em embrião.

É por isso que o corpo kama-manásico pesa tanto: ele carrega, em forma primitiva, a qualidade que o sistema solar inteiro existe para desenvolver.

Bailey chega a sugerir que os ciclos vividos nesse nível ainda serão estudados com o mesmo cuidado que hoje se dá aos físicos:

“Quando se compreender que o corpo físico não é um princípio, mas que o princípio kama-manásico (ou princípio de desejo-mente) é um dos mais vitais para o homem, então o período ou ciclo em que um homem atua no quinto subplano do astral (o plano fundamentalmente kama-manásico) assumirá seu devido lugar.”

A Fonte do Glamour

O mesmo poder que faz desse corpo o mais importante faz dele o mais enganoso. Em Glamour, a World Problem, Bailey distingue três níveis de distorção e põe kama-manas exatamente no do meio:

“O Problema do Glamour surge quando a ilusão mental é intensificada pelo desejo.

Aquilo que o teosofista chama de ‘kama-manas’ produz o glamour. É ilusão no plano astral.”

Daí vem uma das afirmações mais radicais de toda a sua obra.

Em The Rays and the Initiations, ela escreve:

“Eu lhes disse em escritos anteriores que, basicamente, o plano astral é inexistente como parte do Plano divino; ele é fundamentalmente o produto do glamour, de kama-manas, um glamour que a própria humanidade criou e no qual viveu praticamente por inteiro desde os primeiros dias atlantes.”

Em Esoteric Healing, a mesma ideia ganha a forma de um diagnóstico:

“do ponto de vista do plano mental, o corpo astral é ‘uma ficção da imaginação’;

não é um princípio.

O uso maciço da imaginação a serviço do desejo construiu, no entanto, um mundo ilusório e cheio de glamour, o mundo do plano astral.”

Isso explica uma advertência que Bailey faz aos estudantes em Discipleship in the New Age, Vol. I:

“Os Mestres não trabalham no plano astral.

Certas escolas de ocultismo ensinam que Eles o fazem, mas não é o caso.

Para Eles (tendo superado o glamour e a ilusão) o plano astral é inexistente;

é apenas um conceito ilusório do tipo kama-manásico de mente, a mente do aspirante médio.”

Onde a Humanidade Está

Bailey situa o desenvolvimento de kama-manas num período histórico preciso.

Foi nos tempos atlantes, sob a influência do segundo raio, que “o instinto começou a fundir-se com o intelecto, e foi desenvolvido aquele aspecto da natureza do homem que é chamado (nos livros teosóficos) de kama-manas.”

Em Esoteric Psychology, Volume II, ela descreve o estágio em que a consciência “está se tornando mais astral-mental, ou kama-manásica” e conclui:

“Isso corresponde ao período da adolescência e ao estado de consciência chamado atlante.

É a condição das massas no momento presente.”

Mesmo quem já se dedica ao caminho espiritual raramente sai dessa faixa.

Sobre os discípulos que tentam deslocar o foco para o plano mental, Esoteric Healing observa:

“eles vivem predominantemente numa região que chamamos de kama-manásica, que significa ao mesmo tempo astral e mental.

É um nível intermediário de consciência.”

E a abordagem da iniciação, explica Discipleship in the New Age, Vol. II, “tem sido até agora kama-manásica, o que implica uma mistura de aspiração elevada, de atenção e focalização da mente inferior, e de atenção às disciplinas puramente físicas.”

A época atual tem uma dificuldade específica, e Bailey a descreve com a imagem do fogo e da água:

“esta era é kama-manásica, e não simplesmente kâmica ou estritamente astral. […] O fogo da mente hoje tem de ser levado em conta em conjunto com a água do desejo, e é por causa disso que grande parte do problema da humanidade se desenvolve.

É por causa disso que a segunda iniciação se tornou uma das mais difíceis que o discípulo moderno tem de tomar.”

Os que passam por ela são chamados, em The Rays and the Initiations, de iniciados “kama-manásicos”, assim como os da primeira iniciação são iniciados “físico-etéricos”.

Do Kama-Manásico ao Manásico

Uma das Estrofes antigas citadas em A Treatise on Cosmic Fire descreve o ponto de partida sem rodeios:

“Na Sala da Ignorância, kama-manas governa.

O homem, oprimido por muito desejo mal colocado, busca o objeto da atenção de seu coração nos salões sombrios da maya mais densa.

Ele o encontra ali, mas morre antes de colher todo o fruto tão desejado.

A serpente o pica, e a alegria desejada foge de suas mãos.”

A sala seguinte já tem outro governo:

“Na Sala do Aprendizado o intelecto governa e procura guiar.

Um desejo de tipo mais elevado, o fruto de manas e de seu uso, suplanta o impulso kâmico inferior.”

A passagem de uma sala à outra é lenta, e Bailey a descreve como um aprendizado.

Em The Rays and the Initiations:

“Assim a lição do impulso kama-manásico é lentamente dominada e (no processo de aprendizado) o desejo, estimulado pela mente e implementado pela personalidade, perde seu domínio sobre o aspirante.”

O comentário a Patanjali chama essa saída de “libertação do lodo” e explica que a expressão “refere-se àquela natureza mista de kama-manas, desejo e mente inferior, que causa o problema singular da humanidade.”

Esoteric Healing dá nome aos três estágios dessa travessia ao tratar do que acontece depois da morte:

há as pessoas “kâmicas”, as “kama-manásicas” e as “manásicas”, e cada uma se desfaz de seus corpos sutis de um modo diferente, como o artigo sobre o corpo astral desta biblioteca descreve em detalhe. O retrato da pessoa manásica é breve e luminoso:

ela “possui um veículo mental translúcido, com uma densidade de luz proporcional à sua libertação do desejo e da emoção.”

O que se faz, na vida diária, enquanto essa luz não chega?

Numa instrução pessoal a um discípulo, Bailey sugere um caminho menos dramático do que se poderia esperar:

“A preocupação com embelezar e espiritualizar os afazeres do dia não lhe deixará tempo para nenhuma reação ao glamour;

sua mente e seu desejo (sua natureza kama-manásica) estarão, com propósito definido, orientados para o plano físico”.

E o ponto de chegada aparece em Glamour, a World Problem:

“Quando a ilusão e o glamour foram ambos superados, o corpo astral desaparece da consciência humana.

Não resta desejo algum para o eu separado.

Kama-manas desaparece, e o homem passa então a ser considerado como constituído essencialmente de alma-mente-cérebro, dentro da natureza corporal.”

Conclusão

Kama-manas é o nome que Bailey dá à condição humana comum: sentir, perceber o que se sente e querer que continue ou que pare.

Essa mistura produz a névoa ao redor da aura e o glamour que a humanidade tomou por um plano inteiro de existência.

Ainda assim, Bailey a chama de o corpo mais poderoso da personalidade, porque é nele que o amor existe em forma de embrião.

A travessia que ela descreve acontece por aprendizado:

a mente passa a enxergar o desejo com clareza, e a luz da alma vai ocupando, aos poucos, o lugar onde antes havia névoa.

Fontes Diretas

A Treatise on Cosmic Fire, “Division C, Seven Esoteric Stanzas, Part 4” (a definição de kama-manas em nota), “V. Motion and the Form-Building Impulse, Part 1” (o corpo kama-manásico como campo de batalha e seu duplo propósito por dois terços da jornada), “1. The Creation of Thought Forms” (a energia humana kama-manásica e a névoa ao redor de cada aura), “Introductory Remarks” (as formas-pensamento construídas com o auxílio de kama-manas), “1. The Will Aspect and Creation” (a imaginação como faculdade kama-manásica), “3. The Solar Angels, the Agnishvattas, Part 5” (o período kama-manásico e o aspecto coração), “3. The Solar Angels, the Agnishvattas, Part 7” (as Salas da Ignorância e do Aprendizado) e “Introductory Questions, Part 4” (o princípio kama-manásico como um dos mais vitais); Esoteric Psychology, Volume I, “4. The Racial Rays” (a definição como mistura de desejo-sentimento-mente inferior e sua origem atlante); Esoteric Psychology, Volume II, “I. The Growth of Soul Influence, Part 1” (a consciência astral-mental como condição das massas); Esoteric Astrology, “3. Spiritual Effects of the Zodiacal Constellations, Part 5” (a tradução inadequada por mente-desejo); Esoteric Healing, “Part Two, The Basic Requirements for Healing, Part 2” (o corpo único de desejo-mente e o corpo astral como ficção da imaginação), “Chapter IV, Some Questions Answered, Part 1” (o nível intermediário de consciência) e “Chapter VI, The Art of Elimination” (as pessoas kâmicas, kama-manásicas e manásicas); Discipleship in the New Age, Vol. I, “Section Three, The Six Stages of Discipleship, Part 3” (os Mestres e o plano astral); Discipleship in the New Age, Vol. II, “Section Four, Personal Instructions to Disciples, Part 8” (o mecanismo pelo qual a mente evoca o desejo), “Section Four, Personal Instructions to Disciples, Part 13” (a orientação dos afazeres diários) e “Section Three, Teachings on Initiation, Part 2” (a abordagem kama-manásica da iniciação); A Treatise on White Magic, “Analysis of the Three Sentences, Part 1” (o efeito das formas kama-manásicas sobre seu criador); The Light of the Soul, “Book I, The Problem of Union, Part 1” (toda atividade da natureza inferior e as imagens kama-manásicas da memória) e “Book III, Union Achieved and its Results, Part 4” (a libertação do lodo); Glamour, a World Problem, “Certain Preliminary Clarifications” (kama-manas como produtor do glamour) e “Section One, The Nature of Glamour, Part 2” (o desaparecimento de kama-manas); The Rays and the Initiations, “Section One, The Aspirant and the Mysteries of Initiation, Part 5” (o plano astral como produto de kama-manas e a imaginação criativa), “Section Two, The Aspirant and the Major Initiations, Part 1” (os iniciados kama-manásicos), “Section Two, The Aspirant and the Major Initiations, Part 5” (o fogo da mente e a água do desejo) e “Rule Thirteen, Part 1” (a lição do impulso kama-manásico).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *