Karma Segundo Alice Bailey: Muito Além de uma Única Lei
Introdução
A palavra karma, hoje popularizada a ponto de virar sinônimo genérico de ‘o que vai, volta’, descreve na obra de Alice Bailey um sistema vasto, hierárquico e tecnicamente estruturado, que vai do destino de um Logos Solar inteiro à carta pessoal escrita a um único discípulo.
Este artigo organiza esse sistema em catorze partes, da definição formal da lei até sua resolução final através do amor e do serviço consciente.
Definição Formal
Letters on Occult Meditation oferece, no próprio glossário do livro, a definição técnica mais direta:
‘karma: ação física.
Metafisicamente, a lei da retribuição;
a lei de causa e efeito, ou causação ética.
Existe o karma do mérito e o karma do demérito.
É o poder que controla todas as coisas, o resultado da ação moral, ou o efeito moral de um ato cometido para a obtenção de algo que gratifica um desejo pessoal.’
Initiation, Human and Solar confirma, em termos quase idênticos, no próprio glossário desse livro:
‘karma é a lei da retribuição; a lei de causa e efeito, ou causação ética.’
Education in the New Age revela que essa lei não começa no indivíduo, mas na própria substância cósmica:
‘aquela substância viva e vibrante da qual os mundos são feitos e que, herdada como é de um sistema solar anterior, é colorida por eventos passados, e já está, como se disse, tingida de karma.’
Problems of Humanity confirma que essa mesma lei é o que Paulo, no Novo Testamento, chamou de semear e colher:
‘tudo o que o homem semear, isso também colherá, é a verdade que precisa ser reenfatizada.
Nessas palavras, São Paulo formula para nós o antigo e verdadeiro ensinamento da Lei de Causa e Efeito, chamada no Oriente de Lei do Karma.’
Os Senhores do Karma
A Treatise on Cosmic Fire revela uma hierarquia inteira de agentes que administram a lei, os Senhores Lipika ou Senhores do Karma, organizados em grupos sucessivos:
‘três Senhores extra-sistêmicos ou cósmicos do Karma, que trabalham a partir de um centro em Sirius através de três representantes…
três Senhores Lipika que são os agentes cármicos trabalhando através dos três aspectos…
nove Lipikas que são a soma total dos agentes da Lei trabalhando através do que a Cabala chama as nove Sephiroth…
sete agentes presidentes do karma para cada um dos sete esquemas.’
Abaixo desses, a mesma obra lista agentes menores encarregados do karma de uma cadeia, de um globo, de um round, de um reino, de uma raça, de uma nação, de uma família.
Initiation, Human and Solar nomeia os quatro agentes mais diretamente ligados à humanidade:
‘um grupo de quatro Seres que são os representantes no planeta dos quatro Maharajás, ou os quatro Senhores do Karma no sistema solar, que estão especificamente ocupados, no momento presente, com a evolução do reino humano.
Estes quatro estão ligados a:
a distribuição do karma, ou destino humano, conforme afeta indivíduos e, através dos indivíduos, os grupos;
o cuidado e a tabulação dos registros akáshicos;
a participação em conselhos solares.’
A mesma obra detalha ainda as cinco escalas que esses Senhores e seus grupos de iniciados e devas ajustam:
‘karma mundial, karma racial, karma nacional, karma de grupo, karma individual.’
The Externalisation of the Hierarchy revela o significado simbólico escondido nos próprios nomes desses Senhores:
‘os nomes dos Senhores do Karma significam, simbólica e intimamente, Relacionamento, Iluminação, Dor e Retorno.’
E confirma sua atividade intensificada no momento presente:
‘os Senhores do Karma estão incomumente ativos; a Lei de Causa e Efeito está trazendo à superfície os resultados de atividades passadas, o pensamento subjetivo e os impulsos secretos, exigindo penalidade e a limpeza planejada do quadro da história humana.’
Letters on Occult Meditation acrescenta que esses Senhores trabalham em estreita parceria com o Manu, o governante do primeiro raio:
‘está intimamente ligado aos Senhores do Karma, e é através do departamento do Manu que a Lei de Causa e Efeito é exercida.
Os quatro Senhores do Karma trabalham em estreita colaboração com o Manu, pois Eles impõem a Lei, e Ele manipula as formas dos homens, dos continentes, das raças e das nações, para que essa lei possa ser devidamente cumprida.’
E oferece uma definição notavelmente compacta do próprio mal:
‘o mal nada mais é que o sedimento do karma inacabado, e tem sua raiz na ignorância.’
Esoteric Astrology confirma, por fim, que Saturno é o próprio planeta associado a esses Senhores:
‘Saturno é o Senhor do Karma, o impositor da retribuição, aquele que exige o pagamento integral de todas as dívidas.’
A Origem Cósmica do Karma: Sirius
A Treatise on Cosmic Fire revela que o próprio karma deste sistema solar não é autóctone, mas recebido de causas externas a ele, originadas no sistema de Sirius:
‘há também uma lei intermediária, que é a lei sintética do sistema de Sirius.
Esta lei é chamada pelo termo genérico Lei do Karma, e na verdade prediz o efeito que o sistema Siriano tem sobre nosso sistema solar…
causas muito definidas são sentidas em nosso sistema através de causas originadas em Sirius.
Essas causas, quando experimentadas como efeitos, são chamadas por nós de Lei do Karma.’
E conclui: ‘os Senhores Lipika de nosso sistema, os Senhores sistêmicos do Karma, estão sob o governo de um Senhor correspondente maior, em Sirius.’
A Treatise on White Magic confirma que até o próprio Logos Solar tem karma a resgatar, através do mesmo mecanismo da encarnação que rege qualquer ser humano:
‘cooperando no plano do Logos solar em relação ao Seu…
Karma, um ponto frequentemente esquecido.
Este Karma Seu precisa ser trabalhado através do método da encarnação e do resultado subsequente da energia encarnada sobre a substância da forma.’
Esoteric Astrology confirma ainda a existência de karma entre Logos Solares distintos:
‘isso está oculto no karma do Logos solar, e diz respeito à Sua relação com outro Logos solar, e à interação de força entre Eles num grande mahakalpa.’
Uma Taxonomia Cósmica: do Logos Solar à Família
A Treatise on Cosmic Fire oferece uma classificação de tipos de karma inteiramente distinta das categorias já conhecidas desta biblioteca, organizada por escala, do cósmico ao individual:
‘Karma Cósmico, imposto ao Logos solar de fora do sistema.
Karma Sistêmico, o trabalho, pelo Logos, de efeitos postos em movimento em Kalpas anteriores. Karma Planetário, o karma individual de um Homem Celestial…
O karma de uma cadeia…
Karma de Globo…
Karma de Plano…
O karma dos reinos da natureza, tal como os conhecemos em nosso planeta:
o reino mineral, o reino vegetal, o reino animal…
O Karma da Hierarquia Humana em seus sete grupos, e dos Mônadas individuais…
pode ser dividido em: karma mundial, os sete raios-raiz;
karma racial;
karma de sub-raça;
karma nacional;
karma familiar;
karma individual.’
Bailey confirma a complexidade irredutível desse entrelaçamento:
‘todos esses diferentes tipos de karma estão misturados e interligados de uma maneira inconcebível e inextricável para o homem;
mesmo os adeptos não conseguem desvendar o mistério além dos grupos afiliados a eles.’
Quem Responde à Lei: a Autoconsciência Como Pré-Requisito
A mesma obra estabelece um critério técnico preciso sobre quem, de fato, está sujeito ao karma:
‘deve-se lembrar aqui que apenas Senhores cósmicos e solares formulam pensamentos.
Os Senhores lunares e todas as inteligências menores não o fazem.
Portanto, apenas os dois grupos acima mencionados estão sob a lei cármica. Somente eles são autoconscientes, e portanto responsáveis.
Onde não há autoconsciência, não há responsabilidade.
Por isso os animais não são considerados responsáveis, e embora sofram no plano físico e em seus veículos físicos, nos planos mais sutis estão livres do karma, pois não têm memória nem antecipação;
faltam-lhes a faculdade correlacionadora e, como a centelha da mente está ausente, são mantidos livres da lei da retribuição, exceto no que diz respeito ao corpo físico.’
A mesma fonte descreve ainda três estágios sucessivos pelos quais a lei cármica atua sobre qualquer ser humano, um para cada mundo:
‘nos estágios iniciais, quando o homem é pouco mais que um animal, a atividade vibratória dos átomos de seus três envoltórios governa todas as suas ações…
no segundo estágio, a lei do karma volta sua atenção para a elaboração do desejo e sua transmutação em aspiração superior…
no terceiro estágio, a lei do karma trabalha através da natureza mental do homem, e desperta nele o reconhecimento da lei…
Quando a vontade e o propósito do Ego são percebidos pelo homem em sua consciência desperta no cérebro físico, a lei do karma nos três mundos está se neutralizando, e o homem está à beira da libertação.’
A Classificação de Vyasa: as Quatro Cores do Karma
The Light of the Soul, comentário de Bailey aos Yoga Sutras de Patanjali, preserva a classificação mais antiga e mais detalhada de todas as fontes pesquisadas, atribuída ao comentarista Vyasa:
‘karma é de quatro tipos. Aquele tipo de atividade que é maligna, perversa e depravada.
É chamado de negro. Esse tipo de ação é produto da ignorância mais profunda, da materialidade mais densa, ou da escolha deliberada…
Aquele tipo de atividade que não é nem totalmente boa nem totalmente má, chamada de negro-branco.
Diz respeito à atividade cármica do homem comum, governado pelos pares de opostos…
Aquele tipo de atividade chamado branco.
É o tipo de pensamento vivo e trabalho praticado pelo aspirante e pelo discípulo…
O tipo final de karma é descrito como nem negro nem branco.
Nenhum karma de qualquer tipo é gerado;
agindo como age a partir do desapego, não desejando nada para si mesmo, seu karma é nulo, e seus atos não produzem efeitos sobre ele mesmo.’
A mesma obra confirma ainda a tríade sânscrita clássica, aqui nomeada em inglês simples:
‘karma é de três tipos.
Karma Latente: aquelas sementes e causas ainda não desenvolvidas e inativas, que precisam amadurecer em alguma parte da vida presente ou de vidas subsequentes.
Karma Ativo: aquelas sementes ou causas em processo de frutificação, para as quais a vida presente se destina a fornecer o solo necessário.
Karma Novo: aquelas sementes ou causas que estão sendo produzidas nesta vida, e que inevitavelmente governarão as circunstâncias de alguma vida futura.’
E detalha o papel do próprio Mestre diante da camada mais difícil:
‘as sementes do karma latente são mais difíceis de trabalhar para o neófito, e é aqui que seu Mestre pode ajudar, manipulando suas circunstâncias…
para que esse tipo de karma possa se resolver e terminar mais rapidamente.’
Como a Ação Deixa de Gerar Karma: Karma Yoga e o Desapego
The Light of the Soul ensina o próprio mecanismo pelo qual a ação consciente deixa de produzir karma novo:
‘o aspirante sabe que todo ato da vida presente deve produzir um efeito, a menos que seja feito de tal maneira que o efeito seja imediato e se complete dentro da vida presente, ou que o ato não envolva karma algum, por ter sido feito a partir de um motivo altruísta e com desapego completo.
Ele então produz o efeito desejado de acordo com a lei, mas este não carrega consequências para si mesmo.’
Glamour: A World Problem confirma a existência dessa mesma disciplina sob seu nome técnico:
‘esta técnica está relacionada ao Karma Yoga em sua forma mais prática, e ao uso da matéria com completa impessoalidade.
A meta dessa técnica é a primeira iniciação.’
Letters on Occult Meditation oferece a formulação mais direta de todas:
‘os resultados nunca nos dizem respeito.
Obediência estrita à lei, e aderência firme às regras estabelecidas, com habilidade na ação, são a parte do discípulo sábio.
Os efeitos então são certos, mas não carregam karma algum consigo.’
Karma e Meditação: Um dos Seis Fatores Oficiais
Letters on Occult Meditation revela que o karma não é tratado como informação periférica no treinamento oculto, mas como um dos seis critérios oficiais que o próprio Instrutor usa para decidir que meditação atribuir a cada discípulo:
‘o Raio do Ego ou eu superior.
O Raio da Personalidade ou eu inferior.
A condição cármica do homem tríplice.
A condição do Corpo Causal.
A necessidade do período e a disponibilidade do homem.
Os grupos, internos e externos, aos quais ele está afiliado.’
A mesma obra dedica uma carta inteira,
‘Perigos a Serem Evitados na Meditação’,
à segunda de três categorias de perigo, os ‘Perigos Decorrentes do Karma’, detalhando que o karma da família é assumido por duas razões:
‘para trabalhar o karma e pagar suas dívidas;
a segunda, para receber o tipo de veículo físico de que o Ego necessita para expressão adequada.’
E confirma que o próprio propósito da meditação é acelerar esse pagamento:
‘a meditação deveria aumentar a capacidade do homem de quitar suas dívidas cármicas, dando-lhe visão clara, julgamento sábio e compreensão do trabalho do momento imediato.’
A mesma fonte estabelece, por fim, um requisito formal e explícito de admissão em qualquer escola séria de meditação do futuro:
‘o aluno precisa estar livre de karma obrigatório, e ser capaz de seguir o curso sem negligenciar seus outros deveres e laços familiares.’
Karma e Glamour: Quando a Lei Perpetua a Névoa
Glamour: A World Problem revela que o karma acumulado de glamour antigo tem um efeito magnético e perpetuador:
‘ele é atraído, como por um ímã, a força do glamour antigo acumulado com seus efeitos cármicos, de volta ao próprio meio do glamour que buscava evitar.’
A mesma obra narra um caso concreto, preservado pelo próprio instrutor, sobre o ‘direito cármico’ que determina quem permanece num grupo de discípulos:
‘cada vez, a pessoa que deixou o grupo estava nele por direito cármico e antiga relação comigo ou com os membros do grupo, e havia, portanto, ganhado a oportunidade de participar dessa atividade…
é valioso para os discípulos compreender que a relação cármica não pode ser ignorada, e que a oportunidade de grupo precisa ser oferecida, mesmo que isso atrase o funcionamento no serviço de grupo.’
Karma e a Hierarquia: a Muralha, a Não-Interferência e os Absorvedores
A Treatise on White Magic revela que a própria Hierarquia Espiritual funciona como escudo diante do karma planetário:
‘os Grandes Seres, que permanecem como uma muralha entre a humanidade e o Karma planetário, estão, nos dizem, extremamente pressionados neste momento.’
A mesma obra estabelece ainda um princípio ético direto sobre o trabalho oculto com o karma alheio:
‘não é permitido interferir no karma pessoal de ninguém, assim como não é permitido proteger alguém das consequências de sua própria ação.
Isso implica, portanto, a recusa de interferir nos assuntos de qualquer pessoa, no que diz respeito à vida da personalidade.’
E confirma que investigar o karma do aspirante é um dos três critérios que o próprio Mestre usa antes de aceitar um discípulo:
‘o Mestre procura a luz na cabeça; investiga o karma do aspirante; e nota seu serviço no mundo.’
The Externalisation of the Hierarchy acrescenta que discípulos avançados aprendem, voluntariamente, a absorver karma que não é apenas seu:
‘eles estão, por esse processo, aprendendo o trabalho de salvamento mundial, e se tornando gradualmente aptos para o posto de salvador mundial, e para serem absorvedores de karma maligno…
os aspirantes e discípulos estão conscientes desse karma e de seus resultados em seus três veículos simultaneamente.’
E revela ainda que certos vínculos cármicos específicos ligam diretamente discípulos ao próprio Cristo:
‘todos os que O conheceram em encarnações anteriores no antigo Oriente, todos os que Ele curou ou ensinou, todos os que O contataram ou de qualquer forma incorreram karma com Ele ou com o Mestre Jesus, terão a oportunidade de cooperar neste momento.’
Karma Nacional e Mundial: Além de um Único Povo
The Destiny of the Nations oferece a formulação mais direta de todas as fontes pesquisadas sobre karma de nações e raças:
‘isso diz respeito ao destino, futuro, e ao karma, passado, da própria humanidade, à medida que ela se diferencia em nacionalidades, vivendo, num certo período de tempo, em determinados territórios.’ Problems of Humanity confirma que nenhuma nação está isenta de karma coletivo após a Segunda Guerra Mundial:
‘nenhuma das nações, incluindo a nossa própria, tem as mãos limpas, e todas são culpadas de cobiça e roubo, de separatividade, de orgulho e preconceito.’
E acrescenta uma ponte direta entre karma e infância: ‘as crianças do mundo pagaram, e estão pagando, o preço do nosso erro.’
The Externalisation of the Hierarchy revela que a própria Segunda Guerra Mundial tem uma causa cármica rastreável até um conflito antigo:
‘as causas cármicas que, no que diz respeito à humanidade presente, podem ser rastreadas até um antigo conflito na velha Atlântida.’
E oferece a síntese mais esperançosa de toda a pesquisa sobre karma coletivo:
‘quanto ao Karma, o que o homem fez, ele pode desfazer. Isso frequentemente se esquece.
O Karma não é uma regra rígida e fixa. É mutável, de acordo com a atitude e o desejo do homem…
o Karma não é tudo o que é ruim e maligno.
Os homens o fazem assim através de suas próprias tolices.’
Esoteric Astrology confirma essa mesma recusa ao fatalismo coletivo:
‘é igualmente essencial que as leis para a transmutação do karma em bem presente e ativo sejam claramente compreendidas.’
Karma e os Reinos Subumanos: Antes da Humanidade
Telepathy and the Etheric Vehicle revela que o karma não começa com o ser humano, mas é gerado já pelos reinos mineral e animal, antes mesmo do aparecimento da humanidade:
‘é o karma e o destino do quarto reino ser o agente impressor do terceiro;
o problema é complicado, porém, pelo fato de que o reino animal antecede o humano, e havia, portanto, gerado uma medida de karma, tanto bom quanto mau, antes do surgimento da humanidade.’
A mesma obra nomeia o fator que torna esse karma transmissível entre reinos através da própria rede telepática planetária:
‘o principal fator que impede uma sequência completamente livre de impressão desde Shamballa até o reino mineral, através de todos os outros reinos, é o fator do livre-arbítrio, resultando em responsabilidade cármica.’
E revela, por fim, uma correspondência técnica ainda não explorada:
‘há também uma relação direta entre os quatro aspectos do karma, a Lei de Causa e Efeito, e os quatro éteres físicos, bem como os quatro éteres cósmicos;
essa relação constituirá, mais tarde, a base de uma nova ciência oculta.’
Karma na Vida do Discípulo: Retratos Reais
Discipleship in the New Age preserva dezenas de cartas pessoais em que o instrutor nomeia o karma específico de um discípulo nomeado apenas por suas iniciais, preservando seu anonimato.
A um discípulo identificado como D.H.B., o instrutor nomeia, em 1936, ‘o karma doméstico’ como fonte de um sofrimento mais fundo que o de qualquer outro membro do grupo;
anos depois, no Volume II, confirma que esse mesmo karma já foi, em grande parte, resgatado.
A um discípulo identificado como R.V.B., o instrutor revela que o abandono de responsabilidades teve origem num ‘erro cometido duas vidas atrás’, e que o discípulo permanecerá preso a esse karma até trabalhá-lo por completo.
A um discípulo identificado como S.S.P., o instrutor revela que a própria escolha de incluí-lo no trabalho se deve, em parte, a ‘razões cármicas, um karma que tocou o meu em vários pontos.’
A um discípulo identificado como D.L.R., ele confirma que cada novo vínculo inaugura, simultaneamente, ‘novas e frescas linhas de karma e de dharma.’
A um discípulo identificado como R.S.W., o instrutor distingue tecnicamente duas espécies de karma, aquele que já está se desenrolando e aquele recém-iniciado por escolha livre, e prescreve um estudo pessoal de seis meses sobre a própria Lei do Karma:
‘peço que você faça, neste inverno, um estudo da Lei do Karma. Leia os livros sobre o assunto, mas não leve suas deduções demasiado a sério.’
A um discípulo identificado como L.F.U., o instrutor oferece a formulação mais compacta de toda a pesquisa sobre a própria natureza do karma:
‘o karma é sempre a fonte da criação, dos acontecimentos e dos eventos no plano físico;
é o instrumento da alma na produção de uma personalidade.’
E acrescenta a fórmula de resolução mais direta de toda esta biblioteca:
‘os discípulos precisam se lembrar de que o amor encerra todo karma terreno.’
A um discípulo identificado como P.G.C., durante a Segunda Guerra Mundial, o instrutor liga diretamente o conflito mundial aos próprios Senhores do Karma:
‘grandes ondas de impacto cármico têm açoitado nossa Terra…
os Senhores do Karma têm voltado seus olhares para o nosso planeta.
A energia segue o pensamento, e isso, meu irmão, é tudo o que o karma é: o impacto da energia dirigida sobre a Terra, sobre os reinos da natureza, sobre o homem e sobre o discípulo individual.’
A um discípulo identificado como D.P.R., atravessando uma vida de sofrimento intenso, o instrutor oferece uma reformulação compassiva:
‘o fato de sua vida presente ter sido, por anos, tão difícil, é a garantia de que você já resgatou muito karma, e está infinitamente mais livre e menos limitado.’
A um discípulo identificado como R.A.J., o instrutor revela que até o próprio Mestre tem sua ação limitada pelo karma do discípulo:
‘com esse karma Ele não pode interferir, porque o crescimento e o desenvolvimento acontecem à medida que o discípulo enfrenta a inevitabilidade dos eventos, aceita seu karma e trabalha para compensá-lo.’
E a um discípulo identificado como D.H.B., mais uma vez, o instrutor liga a própria percepção madura do karma alheio à capacidade de ‘amor sábio’:
‘um amor capaz de ver, no caráter e no temperamento, o trabalho do karma se desenrolando.’
Karma Através das Iniciações
Initiation, Human and Solar revela que o próprio segredo da lei do karma é formalmente revelado já na segunda iniciação, não apenas na sexta:
‘na segunda iniciação, o segredo do mar lhe é desvendado…
a lei do karma.
Ele está, depois disso, em posição de fazer duas coisas: pode ler os registros akáshicos e verificar o passado, capacitando-se assim a trabalhar inteligentemente no presente, e pode começar a equilibrar seu karma, a pagar suas obrigações.’
A mesma obra confirma que, na quarta iniciação, o próprio karma pessoal deixa de ser relevante, dando lugar ao karma planetário:
‘através da completa libertação do iniciado de todas as amarras nos três mundos…
seu próprio karma pessoal, agora sem importância, ele pode voltar sua atenção para o trabalho do karma planetário.’
E nomeia ainda uma categoria específica para o iniciado que, tendo caído, fere o próprio grupo:
‘incorrem no karma de reajuste, tendo que expiar o dano através de serviço prolongado posterior.’
A mesma obra confirma ainda uma regra de proteção que protege o próprio Mestre do karma gerado por discípulos em Seu nome:
‘todas as várias escolas de pensamento fomentadas pela energia da Loja são, em cada caso, fundadas por um discípulo, ou vários discípulos, e sobre esses discípulos, não sobre o Mestre, recai a responsabilidade pelos resultados e o karma consequente.’
Discipleship in the New Age, Volume II, acrescenta uma crítica direta ao próprio uso popular e teosófico do tema, e confirma o que de fato acontece no iniciado nesse estágio mais avançado:
‘o ensino comum sobre o Karma, particularmente quanto ao elemento tempo, tem sido terrivelmente prostituído pela interpretação egoísta dada por alguns primeiros instrutores teosóficos…
para o iniciado, nesse estágio, o Karma termina.
Por isso quero dizer que o Karma, como o estudante comum o entende, não é mais efetivo.
Nem o karma bom, resultando numa sensação de felicidade, nem o karma mau, resultando numa sensação de penalidade, têm mais qualquer domínio sobre ele.’
O Objetivo Final: Transmutação, Não Fatalismo
A Treatise on White Magic confirma que o próprio estudo consciente dos ciclos de vida permite antecipar e compensar o karma antes que ele se manifeste:
‘na tentativa de descobrir essas leis, para se conformar a elas, o ocultista começa a compensar o karma…
quando o ponto de evolução permite ao estudante contrastar vidas precedentes, e conhecer a coloração básica de seu ciclo de vida anterior, um progresso rápido no ajuste da vida à lei é alcançado.’ É a mesma disciplina, aplicada em escala individual, que Esoteric Astrology recomenda em escala nacional e mundial:
a recusa ativa do fatalismo e a cooperação consciente com a transmutação do karma em bem presente e ativo sejam claramente compreendidas.
Conclusão
Karma, na obra de Alice Bailey, é uma lei administrada por uma hierarquia inteira de Senhores Lipika, recebida pelo próprio sistema solar de causas originadas em Sirius, classificada por Vyasa em quatro cores morais e por outra fonte em três idades, latente, ativa e nova, e distribuída em escalas que vão do Logos Solar à família individual.
Gerada já pelos reinos mineral e animal antes do surgimento da humanidade, ela se torna, no ser humano autoconsciente, responsabilidade real, mas nunca puramente fatalista:
pode ser compensada pelo estudo consciente dos próprios ciclos, neutralizada pela ação desapegada e pelo Karma Yoga, e, segundo a fórmula mais direta de toda esta pesquisa, encerrada pelo amor.
A Hierarquia Espiritual funciona como muralha parcial contra o karma planetário, discípulos avançados aprendem a absorver voluntariamente karma que não é só seu, e o próprio Mestre tem Sua liberdade de ação limitada pelo karma daqueles que instrui.
O segredo da lei se revela já na segunda iniciação;
seu domínio sobre o iniciado termina, por completo, apenas na sexta.
Fontes diretas: Esoteric Healing, Capítulo III, ‘Our Karmic Liabilities’ (as oito categorias individuais de karma, as quatro linhas de compensação, as sete causas rádicas por raio, o estudo de caso do povo judeu); Esoteric Psychology, Volume II (‘Diseases and Problems of Disciples and Mystics’, as cinco categorias de doença, as quatro leis paralelas) e Volume I (a distinção dharma/karma do Old Commentary); The Rays and the Initiations (a sexta iniciação e o fim do domínio do karma, as três crises cármicas ligadas a iniciação, princípio e raio); A Treatise on Cosmic Fire (‘Effects of Synthetic Motion’, os Senhores Lipika, a origem Siriana do karma, a taxonomia cósmica de tipos de karma, a autoconsciência como pré-requisito, os três estágios do karma nos três mundos); A Treatise on White Magic (‘Man’s Three Aspects’, o karma do próprio Logos; ‘Hindrances to Occult Study’, compensar karma pelo estudo dos ciclos; ‘The Necessity for Purity’, a Hierarquia como muralha; ‘The Creative Work of Sound’, a não interferência no karma alheio); Esoteric Astrology (Saturno como Senhor do Karma, a crítica ao fatalismo nacional, o karma entre Logos solares); Glamour: A World Problem (karma como causa de recaída em glamour, o Karma Yoga, o direito cármico em grupos); Letters on Occult Meditation (Carta III, karma como um dos seis fatores de meditação; Carta V, ‘Dangers Arising from Karma’; Carta VI, a ação sem karma; Carta IX, o requisito de liberdade cármica; os quatro Senhores do Karma e o Manu; Glossário); Discipleship in the New Age, Volume I e Volume II (cartas aos discípulos D.H.B., R.V.B., S.S.P., D.L.R., P.G.C., R.S.W., L.F.U., D.P.R. e R.A.J., preservando o anonimato conforme a própria fonte; a crítica ao uso teosófico do tema); Initiation, Human and Solar (os quatro Maharajás, a segunda iniciação e o segredo do mar, a quarta iniciação e o karma planetário, o karma de reajuste, a proteção cármica do Mestre, os Senhores Lipika no sétimo Caminho); The Externalisation of the Hierarchy (o karma da Segunda Guerra Mundial rastreado à Atlântida, os nomes simbólicos dos Senhores do Karma, ‘o que o homem fez, ele pode desfazer’, os discípulos como absorvedores de karma, o karma incorrido com o Cristo); Telepathy and the Etheric Vehicle (o karma dos reinos subumanos, o Dweller planetário, a correspondência entre karma e os éteres); The Light of the Soul (a classificação quádrupla de Vyasa, a tríade karma latente/ativo/novo, a ação sem karma, karma e dharma, o Mestre livre no mundo das causas); The Destiny of the Nations (destino e karma das nações); Problems of Humanity (a citação de São Paulo, a culpa coletiva das nações, as crianças pagando o preço); Education in the New Age (o karma como propriedade da própria substância cósmica).


