A Alma e Seus Veículos Segundo Alice Bailey
Introdução
Esta biblioteca já tratou, em artigos próprios, de cada um dos veículos através dos quais a alma se expressa:
o corpo físico,
o etérico,
o astral,
o mental,
o corpo causal.
Faltava o próprio centro dessa roda:
o que é, afinal, a alma que todos esses veículos servem?
Este artigo nasceu de um único livro, The Soul and Its Mechanism, e permanecia, até agora, o mais estreito de toda a biblioteca.
Uma varredura completa dos livros revela que essa era, de longe, a pergunta mais rica ainda não respondida nesta coleção:
o que é a alma, por que ela precisa de corpos, como ela os governa, o que a liga a outras almas, e qual é, finalmente, o seu próprio destino.
Parte I: O Que é a Alma
Nem Espírito, Nem Matéria, Mas a Relação Entre os Dois
A Treatise on White Magic oferece a definição mais tecnicamente precisa de toda esta pesquisa, numa seção inteira dedicada ao tema,
‘A Alma, a Mediadora ou Princípio Médio’:
‘a alma, portanto, não é espírito nem matéria, mas é a relação entre os dois.’
Bailey detalha: ‘a alma é a mediadora entre essa dualidade;
é o princípio médio, o elo entre Deus e Sua forma.’
E oferece uma segunda formulação, talvez a mais ousada de toda a pesquisa:
‘portanto, a alma é outro nome para o princípio Cristo, seja na natureza, seja no homem.’
Ela confirma ainda sua própria função cósmica:
‘a alma é a força atrativa do universo criado e, quando funcionando, mantêm todas as formas unidas, de modo que a vida de Deus possa se manifestar ou se expressar através delas.’
Ela acrescenta, numa imagem notável que liga o Espírito, o corpo e a alma numa única tríade de qualidades:
‘o espírito, ou mônada, é primariamente a expressão da vontade, com amor e inteligência como princípios secundários, e a natureza corporal, a personalidade, é marcadamente distinguida pela inteligência, mas a alma tem, destacadamente, a qualidade do amor, que se demonstra também como sabedoria quando a inteligência da natureza corporal se funde com o amor da alma.’
Um Fragmento da Alma-Mãe, uma Centelha da Chama Única
From Intellect to Intuition, num capítulo inteiro dedicado ao tema, ‘A Natureza da Alma’, oferece a definição mais poética de toda esta pesquisa:
‘há uma alma em cada forma humana, e essa alma usa os aspectos inferiores do homem simplesmente como veículos de expressão.
O objetivo do processo evolutivo é aprimorar e aprofundar o controle da alma sobre esse instrumento.’
E, sobre sua origem:
‘essa alma, nos é dito, é um fragmento da Alma-Mãe, uma centelha da Chama Única, aprisionada no corpo.
É aquele aspecto de vida que dá ao homem, como a todas as formas em manifestação, vida, ou ser e consciência.
É o fator vital, aquele algo coerente e integrador que faz do ser humano… uma entidade pensante, sensível e aspirante.’
Bailey confirma ainda, citando o próprio dicionário Webster, a definição ocidental mais próxima que encontra:
‘uma entidade concebida como a essência, substância, ou causa atuante da vida individual, especialmente da vida manifestada em atividades psíquicas;
o veículo da existência individual, separado em natureza do corpo, e geralmente considerado separável em existência.’
E resume a própria relação entre a alma individual e a Alma-Mãe maior:
‘a relação da alma com a Alma-Mãe é a da parte com o Todo… sua relação com o ser humano é a da entidade consciente com seu meio de expressão.’
‘O Demônio do Orgulho, a Luz da Alma’
The Light of the Soul, comentário de Bailey aos Yoga Sutras de Patanjali, confirma essa mesma natureza em termos ainda mais diretos:
‘a alma é inerentemente livre de objetos, e permanece sempre no estado de unidade isolada.’
E, sobre sua presença universal:
‘toda forma, de qualquer tipo, tem uma alma, e essa alma, ou princípio consciente, é idêntica àquela na forma humana;
idêntica em sua natureza, embora não em seu alcance de desenvolvimento, ou em seu grau.’
Ela acrescenta uma imagem de identidade radical:
‘tendo alcançado a alma em qualquer forma, e contatado-a através do meio de sua própria alma, ele descobre que todas as almas são uma, e pode se colocar com facilidade na alma de um átomo ou de um beija-flor.’
Parte II: Mônada, Alma e Personalidade
A Alma Como Elo Médio na Tríade
A Treatise on Cosmic Fire situa a própria alma dentro da arquitetura tríplice que estrutura toda a constituição humana:
‘o homem, em essência, é a tríade superior se demonstrando através de uma forma gradualmente evolutiva, o corpo egoico ou causal, e utilizando a personalidade tríplice inferior como meio de contatar os três planos inferiores.
Tudo isso tem por propósito o desenvolvimento da autoconsciência perfeita.’
E situa a própria Mônada acima dessa tríade:
‘acima da tríade está a Mônada, ou o Pai nos Céus, um ponto de abstração para o homem enquanto ele vê o assunto a partir do plano físico.’
A Treatise on White Magic confirma a mesma arquitetura, agora do ângulo específico da própria consciência egoica:
‘a consciência monádica é a do primeiro aspecto da divindade, aquela que incorpora o propósito e a intenção divina da vida, e que usa a alma para demonstrar, através dela, o propósito inerente de Deus.’
E, sobre a própria alma: ‘a consciência egoica é a do segundo aspecto da divindade, a da alma, se expressando como qualidade e como a cor subjetiva determinante das aparências.’
The Rays and the Initiations acrescenta uma imagem final sobre essa mesma arquitetura:
‘o Filho da Mente. Esta é a própria alma, governada pelo segundo aspecto de todos os sete raios… reflete a fase inferior do aspecto amor da divindade, e resume em si os resultados de todo conhecimento acumulado, que é sabedoria, iluminada pela luz da intuição.’
Parte III: Por Que a Alma Precisa de Veículos
O Toque de Apropriação
Esoteric Psychology, Volume II, descreve o próprio momento técnico em que a alma assume posse de seu veículo, num capítulo dedicado inteiramente ao tema:
‘nesse momento, a forma se torna consciente, pela primeira vez, do toque da alma.
Isso é chamado, na linguagem do esoterismo, o Toque de Apropriação.
A alma então se apropria de seu veículo.’
Ela descreve ainda, numa imagem notavelmente física, o próprio processo de construção:
‘pois a alma é Aquela que se apropria do material já condicionado e qualificado, e por eras a alma luta com esse material, construindo-o em formas tentativas, descartando-o à vontade, reunindo novamente o material necessário, e constantemente fazendo modelos mais adequados à medida que o padrão é visualizado.’
A Alma Como Construtora, o Corpo Como Prisão Temporária
A mesma obra oferece uma imagem notável sobre o próprio segredo escondido na carne:
‘o segredo da carne, que é a prisão da alma, é revelado pelo perfume do lótus da alma que se desdobra.’
E confirma que a própria personalidade, o veículo completo de expressão, é produto direto da atividade da alma:
‘a personalidade é a fusão de três forças principais, e sua sujeição, finalmente, após a fusão, ao impacto da energia da alma.’
O Corpo Como ‘Casa Não Feita por Mãos’
Education in the New Age, no capítulo dedicado à ciência do antahkarana já tratado em artigo próprio desta biblioteca, acrescenta uma imagem bíblica direta sobre a própria natureza desse veículo da alma:
‘existem dois corpos de luz:
o corpo vital ou etérico, e o veículo da alma… o corpo da alma está em processo de ser lentamente construído, e é aquela casa não feita por mãos, eterna nos céus, à qual o Novo Testamento se refere.’
Ela confirma ainda que esse mesmo fio de consciência vem diretamente da alma, não da Mônada: ‘este fio de consciência é desenvolvido pela alma, e não pela Mônada.
A Alma do Mundo derrama seu fio sutil de consciência senciente em todas as formas, em todas as células do corpo e em todos os átomos.
A alma humana, o Anjo Solar, repete o processo em relação à sua sombra e reflexo, a personalidade.’
Parte IV: A Alma de Grupo
Definição Técnica: ‘Grupos Egoicos’
Letters on Occult Meditation oferece, em seu próprio glossário, a definição técnica mais direta do que constitui uma alma de grupo:
‘estes corpos, que são a expressão do Ego, ou da autoconsciência individualizada, são reunidos em grupos de acordo com o raio ou qualidade do Ego particular envolvido.’
E confirma, numa carta específica, que até os Mestres operam através dessa mesma estrutura:
‘um Mestre da Sabedoria é Aquele que pode conscientemente funcionar como parte do Homem Celestial a cujo Corpo Ele possa pertencer.
Ele compreende as leis que governam grupos e almas de grupo.
Ele governa, Ele mesmo, conscientemente, uma alma de grupo.’
‘Almas Orientadas Para a Vida da Alma Formam um Grupo’
Esoteric Psychology, Volume II, confirma essa mesma doutrina em termos mais acessíveis:
‘homens e mulheres que são orientados para a vida da alma, em seu conjunto, formam um grupo de almas, em contato com a fonte do suprimento espiritual.
Eles estabeleceram, como grupo, e do ângulo da Hierarquia, um contato, e estão em contato com o mundo das realidades espirituais.’
Glamour: A World Problem confirma a mesma ideia do ângulo da própria liberdade pessoal:
‘estar verdadeiramente livre é estar na luz clara e desimpedida da alma, que é, básica e intrinsecamente, consciência de grupo.’
E The Light of the Soul acrescenta a própria raiz dessa unidade:
‘esta alma, sendo una com todas as almas e com a Alma-Mãe, serve ao único plano, e é consciente de grupo.’
Parte V: A Jornada Evolutiva, de Vida em Vida
Mesmo a Alma Resiste a Encarnar
Um dos achados menos óbvios de toda esta pesquisa vem de Letters on Occult Meditation, que revela que a própria alma, não apenas a personalidade, enfrenta resistência diante do processo encarnatório:
‘o Ego tem algo com que lutar.
A recusa a encarnar não se encontra apenas em níveis espirituais, mas se encontra também no do Eu Superior.’
É uma confirmação valiosa contra qualquer leitura simplista da reencarnação como processo automático e indolor até mesmo para a própria alma.
A Idade da Alma e a Escolha dos Pais
Esoteric Psychology, Volume II, confirma que o próprio grau de controle que a alma exerce sobre seu mecanismo varia conforme sua experiência acumulada:
‘a atividade diretiva da alma, ou seu domínio autoritativo sobre o mecanismo do corpo, depende, em sua extensão, do ponto de desenvolvimento, ou da chamada idade da alma.
A alma é atemporal do ângulo humano; o que realmente se quer dizer é o tempo que uma alma empregou o método da encarnação física.’
Esoteric Healing confirma ainda, com um detalhe raramente citado, que a própria escolha dos pais é consciente:
‘o sujeito em encarnação escolheu, definida e conscientemente, do ângulo da alma, seus pais, por aquilo que eles podem contribuir à sua constituição física enquanto em encarnação.’
‘Uma Encarnação Não é um Evento Isolado’
Esoteric Healing resume a própria lógica por trás de toda a sequência de vidas:
‘uma encarnação particular não é um evento isolado na vida da alma, mas é parte e aspecto de uma sequência de experiências destinadas a conduzir a um único objetivo claro e definido, o objetivo da livre escolha e um retorno deliberado da matéria ao espírito, e a eventual libertação.’
E acrescenta uma perspectiva que qualquer terapeuta energético pode achar valiosa:
‘a alma continua.
Uma vida curta conta muito pouco no longo ciclo da alma, e é considerado válido se um período de má saúde, mesmo que resulte em morte, traz a eliminação de condições emocionais e mentais erradas.’
As Três Salas: Ignorância, Aprendizado, Sabedoria
Initiation, Human and Solar descreve o próprio processo pelo qual a alma assume, gradualmente, o controle sobre a personalidade, numa imagem que nenhum artigo desta biblioteca havia ainda registrado com essa precisão:
‘no Salão da Ignorância, a forma controla, e o lado material das coisas predomina.
O homem está ali polarizado na personalidade, ou eu inferior.
No Salão do Aprendizado, o eu superior, ou Ego, se esforça para dominar essa forma, até que, gradualmente, um ponto de equilíbrio é alcançado, onde o homem não é controlado inteiramente por nenhum dos dois.
Depois, o Ego controla cada vez mais, até que, no Salão da Sabedoria, ele domina nos três mundos inferiores, e em grau crescente a divindade inerente assume o comando.’
Três Estágios Cósmicos: ‘Eu Sou’, ‘Eu Sou Aquilo’, ‘Eu Sou Aquilo Que Eu Sou’
The Consciousness of the Atom situa essa mesma jornada numa escala ainda mais ampla, ligando a evolução de cada alma individual à própria evolução cósmica:
‘primeiro, a consciência atômica,
Eu Sou;
depois o grupo, Eu Sou Aquilo… isso é sucedido pelo estágio ainda maior, quando Eu Sou Aquilo Que Eu Sou não será, para nós, um ideal impossível, mas uma realidade fundamental, quando o homem, em conjunto, se reconhecerá como uma expressão da vida universal.’
E oferece uma imagem final sobre a própria psique:
‘a psique é, literalmente, a alma interior, ou o eu superior, que emerge da tríplice natureza inferior, como a borboleta emerge da crisálida;
é aquela bela realidade que estamos destinados a produzir como resultado de nossa vida, ou vidas, aqui embaixo.’
Parte VI: A Alma Que Dissipa a Ilusão
A Única Luz Capaz de Dissipar o Nevoeiro
Glamour: A World Problem acrescenta uma dimensão já parcialmente tratada no artigo desta biblioteca sobre o corpo mental, mas aqui aprofundada do ângulo específico da própria alma:
‘é a alma que está submersa na ilusão, e a alma que falha em ver com clareza até que tenha aprendido a derramar a luz da alma na mente e no cérebro.’
E, mais adiante: ‘a única luz capaz de dissipar os nevoeiros do glamour, e livrar a vida de seus efeitos nocivos, é a da alma, que, como um feixe puro e dissipador, possui a curiosa e única qualidade da revelação, da dissipação imediata, e da iluminação.’
Ela confirma ainda a própria distinção entre os dois tipos de luz disponíveis a qualquer pessoa:
‘a luz do eu inferior pessoal revela ao homem o mundo da forma, da matéria, do instinto, do desejo e da mente; a luz da alma revela a natureza da relação dessas formas de vida com o mundo do informe, e do conflito entre o real e o irreal.’
E acrescenta, sobre o próprio risco de a alma se perder em suas criações:
‘os veículos através dos quais a alma busca experiência e expressão estão normalmente e naturalmente sujeitos aos glamoures do mundo…
a alma está se identificando com essas formas, e portanto com o glamour circundante, e assim falhando em alcançar a identificação consigo mesma.’
Parte VII: A Alma Como Veículo Provisório
Quando a Alma Deixa de Ser Necessária
Telepathy and the Etheric Vehicle acrescenta a revelação mais surpreendente de toda esta pesquisa, situando a própria alma não como destino final da jornada espiritual, mas como ponte intermediária e temporária:
‘a alma, o princípio da individualidade, o reflexo no microcosmo da intenção divina, e, falando simbolicamente, sendo para toda a expressão monádica aquilo que permanece no ponto intermediário, o instrumento da verdadeira sensibilidade.’
E, mais adiante, a afirmação que redefine todo o propósito deste artigo:
‘quando o antahkarana está construído, e os três superiores estão diretamente relacionados aos três inferiores, então a alma não é mais necessária.’
Bailey cita ainda um Comentário Antigo sobre o próprio momento dessa transição:
‘os três que antes eram tudo o que existia, funcionando como um e controlando os sete, não são mais…
Apenas os dois permanecem, para mostrar ao mundo a beleza do Deus vivo, a maravilha da Vontade-de-Bem, o Amor que anima o Todo.
Estes dois são Um, e assim a obra, completada, permanece.
E então os Anjos cantam.’
É a confirmação mais radical de todo este artigo:
a alma, por mais central que pareça a toda a jornada espiritual descrita nesta biblioteca, é ela mesma, segundo essa leitura, um andaime temporário, destinado a ser dispensado quando a ponte direta entre Mônada e personalidade, o antahkarana, estiver finalmente completa.
Parte VIII: Retratos de Discípulos
‘Personalidades Não Entram em Ashrams, Só Almas’
Discipleship in the New Age, Volume II, preserva instruções diretas sobre a própria distinção entre viver como personalidade e viver como alma.
A um discípulo, o instrutor é direto:
‘aprenda a se conhecer como o discípulo, e não fique tão intensamente preocupado consigo mesmo como a personalidade lutadora e aspirante.
Personalidades não entram em Ashrams, apenas almas.’
A outro, sobre o próprio paradoxo entre as duas perspectivas:
‘do ângulo de sua alma, sua vida tem sido triunfante.
Do ângulo de sua personalidade, ela tem sido frustrada.
Qual importa, meu irmão?
Talvez nenhuma das duas importe, do ângulo da visão iniciática e da atitude do discípulo treinado.’
Bailey confirma ainda que até a rebelião interior de um discípulo pode ter duas origens radicalmente distintas:
‘você deve lembrar que a rebelião pode se basear em desejo puramente egoísta por um modo de vida que sua personalidade talvez exija.
Mas também pode ser produzida pela alma…
uma das primeiras coisas que um discípulo precisa aprender é a verdadeira natureza daquilo que o dirige e o condiciona.
Em muitos, é algum aspecto da personalidade, ou a personalidade como um todo…
em poucos, é a alma.’
E, sobre a própria alma eterna:
‘isso pode ser verdade do ângulo da personalidade, mas a alma permanece eternamente jovem e insatisfeita, não conhecendo ponto estático algum.’
Parte IX: A Alma na Astrologia Esotérica
Signo Solar e Ascendente: Personalidade e Alma
Esoteric Astrology confirma, numa linguagem técnica própria da astrologia esotérica, a mesma distinção entre alma e personalidade já estabelecida em outras partes deste artigo:
‘o signo solar, com os regentes planetários exotéricos, rege a personalidade, indica herança e equipamento, e é uma síntese daquilo que já foi…
o signo ascendente, com os regentes planetários esotéricos, indica o propósito da alma e aponta o caminho para o futuro, oferecendo oportunidade.’
Ela confirma ainda que a própria disciplina esotérica trata exclusivamente desse segundo aspecto:
‘a astrologia esotérica se ocupa da alma, e não da forma;
portanto, tudo o que tenho a dizer se refere à consciência, à sua expansão, e a seu efeito sobre seus veículos, a forma.’
Bailey oferece ainda uma imagem simbólica notável sobre a própria relação entre alma e personalidade, ligada ao signo de Peixes:
‘um peixe representa a alma, e o outro, a personalidade ou natureza-forma, e entre os dois encontra-se o fio ou sutratma, o cordão de prata que os mantém ligados um ao outro ao longo de todo o ciclo da vida manifestada.’
E acrescenta uma nuance filosófica rara:
‘deve-se ter em mente também que a própria alma é, ela mesma, da natureza da forma, do ponto de vista da Mônada, embora seja uma forma muito mais sutil do que qualquer uma que conhecemos nos três mundos da evolução humana.’
Mesmo a alma, portanto, ainda é veículo relativo a algo mais sutil e mais elevado que ela.
Parte X: O Mecanismo Físico da Alma
Quando a Alma se ‘Entroniza’ na Cabeça
The Soul and Its Mechanism, no Capítulo VII, ‘Conclusão’, ainda não utilizado na versão anterior deste artigo, revela o próprio mecanismo físico pelo qual a alma assume controle crescente sobre o corpo ao longo da evolução:
‘a alma é sempre a grande realidade, a expressão da única vida, que é composta dos corpos etérico e denso.
É a força da alma, atuando sobre o corpo etérico e funcionando através dele, que desenvolve os centros especializados nesse corpo, e que, por sua vez, atua sobre o corpo físico denso.’
Ela detalha a própria mudança de direção dessa força ao longo do desenvolvimento:
‘à medida que o homem evolui, porém, a direção da força muda…
a força da alma, até então relativamente quiescente, começa a se voltar para cima.
A força da alma no centro da base da coluna é levada até a cabeça via o canal espinhal, passando por cada centro, sucessivamente, reunindo energia crescente da alma em cada ponto.’
E, no próprio momento culminante desse processo:
‘quando a alma está entronizada, como dizem os livros orientais científicos, na cabeça, ela atrai para si, através do poder de seu magnetismo, a força latente na base da coluna.
Assim se produz a mescla completa entre a energia espiritual e a força da própria matéria, através da energia atrativa da alma.’
Bailey acrescenta, por fim, uma imagem que une física e mito:
‘um campo magnético se estabelece, alma e corpo se encontram, o pai e a mãe entram em relação, e a alma é trazida ao nascimento na consciência do homem.
Este é o nascimento do Cristo na Casa de Deus, e o surgimento do verdadeiro homem.’
Conclusão
A alma, segundo Alice Bailey, não é nem espírito nem matéria, mas a própria relação entre os dois, outro nome, em sua obra, para o princípio Cristo.
É a força atrativa que mantém qualquer forma coesa, o elo médio entre a Mônada que a usa e a personalidade que ela própria constrói e governa através do Toque de Apropriação.
Não está isolada: forma, com outras almas orientadas da mesma maneira, verdadeiros grupos egoicos, e sua própria luz é a única capaz de dissipar a ilusão que a mente, sozinha, não consegue atravessar.
Atravessa vidas sucessivas não como série de eventos soltos, mas como um único arco rumo à liberdade, resistindo, ela mesma, à própria encarnação, até que a soberania gradual sobre a personalidade se complete nas Salas de Aprendizado e de Sabedoria.
E, no final mais surpreendente de toda esta pesquisa, nem a alma é o destino último:
quando o antahkarana estiver completo, ligando diretamente Mônada e personalidade, a própria alma, segundo essa leitura, deixará de ser necessária, tendo cumprido, até lá, a mais central e mais provisória de todas as funções.
Fontes diretas: The Soul and Its Mechanism, Capítulos I a VI (diálogo oriente-ocidente, glândulas, corpo etérico, Fohat/Prana/Kundalini, 7 centros) e Capítulo VII, ‘Conclusion’ (o mecanismo físico da alma entronizada, o nascimento do Cristo na Casa de Deus); A Treatise on White Magic (‘Man’s Three Aspects’, a definição da alma como princípio médio e como outro nome do princípio Cristo; ‘Cyclic Ebb and Flow’, ‘Some Basic Assumptions’, ‘Interludes and Cycles’, o ciclo de encarnação); A Treatise on Cosmic Fire (‘Division A. Certain Basic Statements’, ‘Introductory Questions’, a tríade Mônada-Alma-Personalidade); Esoteric Psychology, Volume I (‘7. The Ray of the Ego’) e Volume II (‘I. The Appropriation of the Bodies’, ‘I. The Growth of Soul Influence’, ‘II. The Seven Laws of Soul or Group Life’, ‘III. The Five Groups of Souls’, ‘IV. Rules for Inducing Soul Control’, o Toque de Apropriação, a alma de grupo, a idade da alma); Esoteric Healing (‘Introductory Remarks’, ‘Part One – The Basic Causes of Disease’, ‘Chapter III – Our Karmic Liabilities’, a escolha consciente dos pais, a encarnação como parte de uma sequência); Letters on Occult Meditation (Glossário, ‘grupos egoicos’; Cartas III, VIII e IX, a resistência da alma a encarnar, a alma de grupo governada por um Mestre); Discipleship in the New Age, Volume II, Seção Quatro (retratos de discípulos sobre a distinção alma-personalidade, preservando o anonimato conforme a própria fonte); Initiation, Human and Solar (os Salões de Ignorância, Aprendizado e Sabedoria); The Light of the Soul, Livro I (a alma como unidade isolada, a identidade de todas as almas); From Intellect to Intuition, Capítulos Três e Sete (a natureza da alma como fragmento da Alma-Mãe, citações de Meister Eckhart); The Consciousness of the Atom, Lectures IV e VI (os três estágios cósmicos, a psique como borboleta); Education in the New Age, Capítulo V (‘The Science of the Antahkarana’, o corpo da alma como casa não feita por mãos); Telepathy and the Etheric Vehicle, Seção Dois (a alma como veículo provisório, dispensado quando o antahkarana se completa); Glamour: A World Problem (a alma como única luz capaz de dissipar a ilusão); The Rays and the Initiations (o Filho da Mente, a alma como reflexo do segundo aspecto); Esoteric Astrology (‘1. The Centres, the Rays and the Signs’, ‘3. Spiritual Effects of the Zodiacal Constellations’, ‘4. Conclusions’, signo solar e ascendente, alma e personalidade em Peixes).


